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Bibliotecários e bibliotecárias absolutamente não são imunes à onda conservadora/reacionário a que estamos submetidos desde antes da eleição de Jair Bolsonaro. Isso é algo tão evidente que muitos destes “profissionais da informação”, em que pese a contradição do ato, votaram no dito cujo e contribuíram desgraçadamente para sua eleição.

Certamente muitas(os), talvez a maioria dos bibliotecários e das bibliotecárias que votaram em Bolsonaro, conforme ocorreu com a maioria do seu eleitorado (acredito eu), não são fascistas como dizem por aí. Aderiram ao projeto conservador/reacionário em curso por motivos diversos, como medo, ressentimento ou até confiança no discurso de que o dito cujo representava o novo.

Até aí tudo bem (sic). Só que passada a eleição, é evidente que o que Bolsonaro advogava (e continua a advogar, diga-se de passagem) não era mera retórica ou “eloquência” de “alguém com personalidade”, mas a verbalização de um espírito reacionário, destrutivo e, porque não, violento.

Este espírito reacionário, destrutivo e violento vem ao longo destes dois anos e meio de governo se manifestando de diversas formas. E muitas destas manifestações dizem respeito aos bibliotecários e às bibliotecárias, seja como profissionais (“da informação”, não esqueçamos), seja como cidadãos, principalmente.

Neste sentido, não é possível ver com naturalidade coisas como a que tem ocorrido na Fundação Cultural Palmares (FCP) sob o risco de inaugurarmos por aqui um verdadeiro negacionismo biblioteconômico, uma contradição assumida aos que se reivindicam profissionais da informação, com todos os compromissos éticos e morais que isso pressupõe.

A cruzada ideológica imposta à biblioteca da FCP deve ensejar repúdio e repulsa por parte dos profissionais da informação, especialmente bibliotecários e bibliotecárias, não porque se alinham ao pensamento desbastado/descartado sem critérios claros, mas porque deveria ser natural de nossa parte se contrapor a qualquer tipo de censura, ainda mais quando esta está imbuída de desculpas tão esfarrapadas.

Não há dúvidas de que o espírito que guia este tipo de ação é o mesmo que guia a negação da ciência e do conhecimento, empurra o mundo para um crescente obscurantismo que mata diariamente milhares de pessoas, seja porque lhes nega a vacina, apta a salva o corpo, seja porque lhes nega a informação correta, apta a salva a alma.

O espírito destas crenças se baseia num negacionismo que não pode ser adjetivado de outra forma, que não seja a burrice. Se você, “profissional da informação”, não entendeu estas premissas básicas é porque seguramente nunca entendeu a profissão que escolheu. Talvez ainda dê tempo de mudar!

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