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Há 28 anos eu exerço a profissão de bibliotecário. Se contar os estágios e empregos temporários na área, se vão três décadas. Outro dia fiquei pensando sobre qual sonho eu gostaria de realizar na profissão e vieram muitas coisas na cabeça.

Mas antes quero falar do ofício. Não dá pra falar de bibliotecária ou bibliotecário, pois são muitos e diversos os perfis.

A(o) bibliotecária(o), quando não se esconde atrás das regras e classificações, atua numa zona híbrida que abrange cultura e educação e requer as sutilezas e as nuances das diversas mediações.

O olhar da sociedade sobre a(o) bibliotecária(o) é muitas vezes distorcido, influenciado pelo peso patrimonialista e positivista que a profissão expõe a maioria das pessoas desde meados do século XIX.

A(o) tal bibliotecária(o) como “guardiã(o) do saber” funciona dentro de um estatuto quase policialesco da profissão, aquele que classifica, aquele que protege o acervo e pouco se importa com o espalhamento e a construção do conhecimento. Há muitas exceções, eu diria que cada vez mais, mas também há muito o que mudar na profissão.

Seriam milhares de linhas para dar conta da complexidade que implica a nossa identidade profissional mesclada às diversas questões sociais e políticas que implicam o mundo da leitura, da informação e da construção do conhecimento.

Mas quero voltar ao sonho e ao desejo desse bibliotecário de quase três décadas. Parece singelo, mas não é simples o sonho que tenho. Eu gostaria muito de trabalhar e, melhor ainda, poder nomear uma biblioteca em homenagem ao meu escritor favorito.

Ele que é pouco lembrado, foi calculadamente subestimado durante anos e recebe hoje um reconhecimento, muitas vezes cínico, da elite, que costuma massacrar pessoas com ele.

Estou falando de Afonso Henriques de Lima Barreto, mestre e preferido, como dizia o não menos brilhante escritor João Antônio em epigrafes: “Lima Barreto, pioneiro. Sim, o pioneiro a explicitar nos contos, romances e crônicas, um Brasil de abismos e contradições sem resvalar no denuncismo e nas simplificações, um literato a enfrentar as barreiras de raça e classes”.

Hoje, dia 13 de maio de 2021, marca os 140 anos de nascimento de Lima Barreto, um dos nossos maiores escritores. Fecho os olhos e enxergo a placa “Biblioteca Lima Barreto”. Seria mais que uma nomenclatura vazia, seria mais do que o carimbo de uma efeméride.

Lima Barreto é a expressão de um Brasil historicamente silenciado, perseguido, massacrado, mas que reage ao escravagismo prevalente, que luta, que busca na essência das próprias mazelas e riquezas culturais, um novo caminho, uma nova abordagem.

Viva Afonso Henrique de Lima Barreto, viva a imaginária, mas não impossível Biblioteca Lima Barreto, aberta, democrática e transformadora. Ao mestrão, pioneiro, meu respeito e reverencia.

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