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A chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil ocorreu em 22 de janeiro de 1808, após uma viagem de 54 dias em alto mar. A Corte desembarcou em Salvador, Bahia, e trouxe mudanças que refletiram na economia, na indústria, na política, na cultura e nos serviços do Brasil, que deixou de ser uma colônia e foi elevado a Reino, em 1815.

A vinda da realeza trouxe toda uma Corte acostumada com um certo estilo de vida. Por isso, ao se estabelecer em solo brasileiro foi preciso realizar mudanças em diversos setores para criar uma ambientação satisfatória. As Belas Artes estavam entre os setores que mais receberam impactos, acompanhada de um intenso crescimento cultural.

“Em Salvador, Dom João aprovou a criação da primeira escola de medicina do Brasil e os estatutos da primeira companhia de seguros, batizada Comércio Marítimo. Também deu licença para a construção de fábrica de vidro e outra de pólvora, autorizou o governador a estabelecer a cultura e a moagem do trigo, mandou abrir estradas e encomendou um plano de defesa e fortificação da Bahia”, retrata Laurentino Gomes em seu livro: “1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”.

Um dos resultados deste desenvolvimento das Artes foi a criação de instituições culturais como museus e bibliotecas. A primeira biblioteca pública do Brasil foi criada neste contexto, pouco mais de três anos depois da chegada da Corte Portuguesa em Salvador. Em 13 de maio de 1811, o coronel Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco idealizou a criação da biblioteca, cuja autorização para criação veio com o documento assinado por Dom Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos, Vice-rei do Brasil.

Nos anos de 1930 a Biblioteca Pública da Bahia dividiu esse prédio com a impresa oficial na Praça Thomé de Sousa. Foto: divulgação

A data oficial da inauguração foi em homenagem ao aniversário do príncipe regente Dom João VI, mas a biblioteca veio abrir suas portas ao público no dia 04 de agosto de 1811, com o nome de Livraria Pública da Bahia, com cerca de 3 mil livros e seis funcionários.

Mais de dois séculos de muita história

A Biblioteca Central do Estado da Bahia está localizada na Rua General Labatut, 27, no bairro Barris, na região Central de Salvador. Além de ser a primeira biblioteca pública brasileira, também é a mais antiga da América Latina, com 210 anos completados neste 13 de maio. Popularmente conhecida como a “Biblioteca dos Barris”, passou por importantes fatos históricos da cidade de Salvador, como em 1912, quando a instituição chegou a perder parte considerável de seu acervo por conta dos bombardeios de lutas políticas entre oligarquias da República Velha.

Recuperada e na atual sede no bairro dos Barris, atende a população de todo o estado, além de apoio à pesquisa acadêmica. Possui um acervo com mais de 600 mil itens, formado por periódicos raros e correntes, obras raras, mapas, filmes, obras de artes, livros em Braille e audiolivros, livros infantis e infanto-juvenis, além de coleções privadas adquiridas por compra e doação.

Parte interna da Biblioteca Pública da Bahia. Foto: divulgação

Entre as instalações disponibilizadas pela Biblioteca, existe uma sala de projeção com capacidade para 90 pessoas, um auditório com capacidade para 150 pessoas, 03 salas de aula, uma sala digital, um setor braile com cabines de gravações acústicas e um setor infantil com palco para apresentações diversas, shows e atividades virtuais.

“A Biblioteca Central da Bahia localiza-se no coração de Salvador, no bairro dos Barris, centro da cidade. Temos uma importante função social, com desenvolvimento de ações e atividades que contemplam não apenas o entorno da biblioteca, trazendo pessoas de vários lugares da cidade pela facilidade de acesso”, comenta Marcos Viana, bibliotecário e diretor da instituição desde o ano passado.

O impacto da Pandemia nos serviços e atividades profissionais

Atualmente a Biblioteca é administrada pela Fundação Pedro Calmon, órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e recebe anualmente um público de aproximadamente 60 mil pessoas. Seu quadro de profissionais conta com oito bibliotecários e 65 funcionários ao todo, um número bem acima da média deste tipo de equipamento cultural.

Com a chegada da pandemia, a Biblioteca teve que se adaptar à realidade imposta pelo vírus e isso gerou impactos em seu funcionamento e atendimento. Taís Mathias é uma das bibliotecárias que trabalha na Biblioteca Central da Bahia. Formada em biblioteconomia há cerca de oito anos, ela revelou à Biblioo o sentimento de perda da função social da biblioteca durante o período em que ficou fechada para atender os protocolos sanitários.

Obras raras do acervo da Biblioteca Pública da Bahia. Foto: divulgação

“A sensação de perda de sentido com relação a função social da biblioteca foi a mais forte quando houve o fechamento. Não ter a presença dos leitores na biblioteca despertou um sentimento de urgência em buscar maneiras de fazer a ponte, mediação entre o livro e o leitor”, comenta a bibliotecária.

Para Marcos Viana, diretor da biblioteca, os impactos da pandemia de certa forma criaram desafios quanto a conservação e preservação do acervo, como também abalou a confiança dos servidores em virtude da perda de pessoas próximas vítimas da Covid-19.

“Mesmo com a implantação de protocolos de biossegurança bem estabelecidos enfrentamos também os desafios da preservação e conservação dos acervos quando ficamos fechados por longos períodos, além da confiança dos servidores que fica abalada por conta das situações enfrentadas por muitos que tiveram suas perdas e pessoas próximas vítimas da contaminação pelo vírus da Covid19”, ressaltou o bibliotecário.

Bibliotecários(as) que fazem parte dessa história deixam seus depoimentos

“O prazer de trabalhar na biblioteca faz a gente levantar todos os dias com um sorriso no rosto. Em nosso cotidiano compartilhamos informação, saberes, experiências, sentimentos, além da satisfação e contentamento de sabermos que temos uma missão primordial para a humanidade… conhecimento e memória. Quem passa por aqui nunca saí do mesmo jeito… transformação”. (Fátima Barretto, atualmente é bibliotecária da Biblioteca Central da Bahia).

“O prazer de trabalhar na  biblioteca encanta pelo fato de  ser um espaço apto a influenciar o gosto pela leitura. Sem falar na influência cultural que atende a diversidade de público no caminho da inclusão social. Parabéns!!! A Biblioteca Central do Estado da Bahia pelos seus 210 anos” (Wilton Ribeiro, atualmente é bibliotecário da Biblioteca Central da Bahia).

“Agradeço a Deus por ter me direcionado a trabalhar na Biblioteca Central do Estado da Bahia, foi aqui que construí minha carreira profissional e tenho a honra de dizer ‘AMO esta biblioteca’. Parabéns pelos 210 anos. Vida longa” (Arlete Sodré, atualmente é bibliotecária da Biblioteca Central da Bahia).

“A primeira vez que estive na biblioteca Central dos Barris (assim conhecida popularmente), estava ainda no início do ensino fundamental e precisava fazer um trabalho de pesquisa da escola, minha mãe então me trouxe para a biblioteca e quando cheguei aqui, fiquei encantado com o espaço e quantidade de livros, um mar de livros. A Biblioteca Central dos Barris foi de fundamental importância na minha educação, desde a minha adolescência, isso contribuiu para a minha escolha profissional e hoje eu sou um bibliotecário da própria instituição que me ensinou. Sou muito feliz de estar aqui hoje, meus parabéns a Biblioteca Central do Estado da Bahia pelos 210 anos” (Quelmonis Souza, atualmente é bibliotecário da Biblioteca Central da Bahia).

“Sou bibliotecária por paixão e exercer minha profissão nesta Instituição bicentenária me faz ver que valeu a pena o esforço de muitos para mantê-la atuante, receptiva, detentora de tesouros bibliográficos e disseminadora de conhecimentos. A Biblioteca Central do Estado da Bahia é um dos afetos mais profundos que carrego na vida. Parabéns, querida Biblioteca, pelos seus 210 anos!!!! Vida longa” (Rita Almeida, atualmente é bibliotecária da Biblioteca Central da Bahia).

“A ideia da Biblioteca nasceu no século XIX, em 1811, e hoje me sinto honrada em fazer parte dessa história de mais 200 anos. Parabéns BCEB, pelos seus 210 anos. É com muita honra que faço parte dessa história” (Andréa Rigaud, atualmente é bibliotecária da Biblioteca Central da Bahia).

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