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Depois de alguns meses, acordo cedo para ir ao Rio. Estamos (sobre)vivendo a uma pandemia que parece que não tem fim. Vejo cenas que me chamam atenção. Um ponto de ônibus cheio, aproximadamente 10 pessoas, de idades e de sexo diferentes. São 7h15min, provavelmente, todos estão à espera do ônibus para ir ao trabalho. Todos arrumadinhos com suas máscaras no queixo, porém com os celulares nas mãos. Será que não sabem que a máscara é para cobrir nariz, a boca e parte do queixo? 

Logo a diante, estou na Ponte Rio-Niterói, uma van parada na via, no sentido Rio. Passageiros desembarcando e entrando numa outra van de cooperativa já cheia de passageiros. Em seguida, passam alguns ônibus, procuro o distanciamento, também não encontro. Passageiros sentados em todos os bancos e há também passageiros em pé.

Observo o ônibus com ar-condicionado de trajeto longo (linha Niterói-Gávea) e todo fechado. Em seguida passa outro, também de ar, fechado e cheio, outra viação, este de São Gonçalo ao Centro do Rio. Será que as empresas não sabem que deve haver distanciamento? Lucro pelo lucro, mesmo que custe a vida de mais um trabalhador e/ou de algum membro da família. A doença não escolhe quem será a próxima vítima. Todos estão correndo o risco.

Desânimo. Chego à capital, os mesmos problemas. Quem será a próxima vítima? Não sabemos. Só tenho a certeza de que devemos nos proteger (com máscara, álcool gel, sabonete e continuar com o distanciamento social), pois essa doença tem sido cruel com muitos, não dando uma segunda chance.

Na clínica, a TV transmite o telejornal “Bom dia, Brasil”, na emissora Globo, boa parte do noticiário é sobre a COVID-19 no país e no mundo: “[…] 217 mil vítimas de COVID-19 no Brasil, uma média de 1.055 mortes por dia na última semana […] a região com mais falta de UTI é a Norte, onde na semana passada faltaram cilindros de oxigênio em Manaus. […] A ocupação no RJ é de 86% dos leitos de UTI ocupados de pacientes com a doença […]”.

O telejornal mostra também a falta de mobilidade urbana no Rio, o trabalhador tendo que pegar várias conduções (BRT, ônibus e metrô), todos lotados em plena pandemia, cena que tinha visto a pouco. O trabalhador enfrentando quase 3h de viagem. Poucas pessoas prestam atenção ao telejornal, muitos envolvidos nas redes sociais de seus celulares.

Como bibliotecária, reflito a importância do nosso papel de profissionais da informação (mediador e educador), principalmente, com informação rápida e precisa. É preciso, além de informação científica para pesquisadores e cientistas, a informação curta e direta, que ultrapasse os meios acadêmicos e chegue aos zap zap das(os) tias(os). É preciso mostrar a informação correta, estarmos no combate às Fake News.

Está complicado? Sim, está. Isso é fato! Não é fácil conseguir conciliar as atividades do trabalho remotamente em casa com filho(s), pais e vizinhos barulhentos, mas estamos resistindo às adversidades. É preciso também darmos e sermos exemplos participando como verdadeiros cidadãos seguindo às orientações dadas pela ciência.

De exemplo ruim já basta o atual representante do governo federal que desde o início da pandemia, em março de 2020, ironizou a doença e a vacina, desvalorizando o uso da máscara e estimulando as aglomerações. Como cidadã, sei que está sendo muito difícil, mas lembro da canção “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, que diz:

“[…] Mas é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre

Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria

Mistura a dor e a alegria […]”

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