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A contribuição para a estupidez, a irresponsabilidade, a irracionalidade e para a naturalização da violência dada pelo governo de Jair Bolsonaro é inquestionável, mesmo que muitos e muitas se neguem a ver.

Assim, é importante atentarmos sobre a existência das diversas táticas utilizadas para que a destruição planejada pelo governo do capitão se efetive. Uma delas é a fabricação de tumultos, visivelmente aplicada na tal campanha do voto impresso.

Se não, vejamos…

O questionamento sobre as urnas eletrônicas faz parte de um pensamento facilmente identificado no senso comum, que afirma que tudo que é automatizado é facilmente manipulado.

Não adianta contraprovas ou argumento sólido, o romântico analógico, com seu romantismo passadista, vai defender a água de bica ou beira de rio a despeito de toda comprovação da eficácia do saneamento básico.

Não há nada que comprove as supostas fraudes nas urnas eletrônicas. Todos os argumentos são rechaçados por estudos e provas materiais produzidas pelos diversos pleitos nos quais os sistema eletrônico foi utilizado, inclusive a eleição do principal líder da irracionalidade planejada, Jair Bolsonaro.

Nesse sentido o voto impresso é uma espécie de cloroquina cuja a boca da urna substitui a traqueia do usuário ignorante. Mas o bolsonarismo não faz a defesa do voto impresso amparado num pensamento romântico ou onírico, o objetivo é mais amplo e tem várias camadas.

A primeira delas é lançar uma bruma de ilegitimidade sobre o resultado eleitoral, seja ele qual for. Essa hipótese será largamente usada em 2022 se a compra de votos no Congresso Nacional não for o suficiente para viabilizar a aprovação do voto impresso nos próximos meses.

Uma segunda camada vai ser usada se o bizarro projeto for aprovado. Vamos inaugurar com todas as luzes apagadas da segunda década do século XXI a volta daquilo que o ilustre intelectual e então ministro do STF, Victor Nunes Leal, bem ilustrou no seu clássico texto “Coronelismo, Enxada e Voto”: a volta do voto de cabresto, da intimidação do eleitor pobre patrocinada pela violência organizada e paraestatal.

Sem contar que voto impresso e contagem analógica são um prato cheio para judicialização da eleição, intervenção ativista do judiciário no processo eleitoral patrocinada por magistrados que em sua maioria tem opções ideológicas e partidárias muito conhecidas e identificadas com os novos coronéis muito parecidos, talvez não na forma, mas no conteúdo, com os coronéis da década de 1940 do século passado que Nunes Leal tão bem ilustrou em seu texto.

Não é demais lembrar que os coronéis descritos por Nunes Leal no seu trabalho não eram militares, mas uma espécie de milícia oriunda da antiga Guarda Nacional que manteve seu poder de terrorismo sobre os mais vulneráveis mesmo depois que as suas “patentes” deixam de existir.  

Em suma: o voto impresso será um paraíso em terra para milicianos, latifundiários e outros cafetões do capital exerceram sua violência e intimidação sobre o já combalido processo eleitoral da democracia formal. Parafraseando e exaltando novamente o mestre Victor Nunes Leal, teremos agora o “milicianismo, pistola e voto” institucionalizado.

Quando eleito em novembro de 2018, Jair Bolsonaro disse claramente que precisava destruir muita coisa antes de construir algo. A destruição é o seu programa de governo colocado em prática diariamente desde o dia após o pleito.

O que nos cabe é fazer o que for preciso como cidadãos e membros de coletivos para barrar tal retrocesso. A aprovação segue a toque de caixa, como Emenda Constitucional no Congresso Nacional. E se aprovada, será um retrocesso inominável!

Ficha técnica:

Título: Coronelismo, enxada e voto

Autor: Victor Nunes Leal

Páginas: 368

Ano: 2012

Editora: Companhia das Letras

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