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De acordo com informações disponíveis no site das Nações Unidas no Brasil, a Agenda 2030 consiste em uma declaração, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas, bem como uma seção sobre meios de implementação e de parcerias globais, e um roteiro para acompanhamento e revisão.

A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA, na sigla em inglês) se engajou nas discussões da Agenda e conseguiu que fosse inserido, no ODS 16, a segurança do acesso público à informação para proteger as liberdades fundamentais, em conformidade com a legislação nacional e os acordos internacionais e aumentar o uso de tecnologias de base, em particular as tecnologias de informação e comunicação, para promover o empoderamento das mulheres, além de garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza.

Além disso, a IFLA vem incentivando associações, instituições e outras organizações a assinarem a Declaração de Santiago, um documento a partir do qual as bibliotecas se comprometem com o desenvolvimento sustentável preconizado pela Agenda.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Imagem: divulgação

Neste sentido, as bibliotecas, especialmente as de caráter público, tem papel relevante, porque são estas instituições uma das que podem e devem garantir acesso à informação, especialmente às populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua, por exemplo. Para a bibliotecária Nathalice Cardoso “não só o acesso público à informação é importante, mas também o uso da biblioteca como espaço de encontro para educação, workshops, palestras, exposições, cursos etc.”

Pensando nisso, Nathalice desenvolveu um questionário para mensurar como as bibliotecas na Alemanha estão contribuindo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Embora 53% dos entrevistados, bibliotecários que trabalham em bibliotecas alemãs, afirmarem na pesquisa que estão cientes dos ODS, 47% não tem conhecimento sobre os mesmos, nem como e se as bibliotecas podem contribuir para uma sociedade mais sustentável e igualitária”.

Neste contexto, ela teve a idéia de criar o website www.libraryscience.de/pt cuja versão em português foi lançada na última semana, onde bibliotecários e bibliotecárias de todo o mundo podem responder o questionário e no final, através da pontuacão, avaliar se estão contribuindo ou não para os ODS, quais objetivos estão sendo mais trabalhados e quais precisam ser mais explorados.

Outro resultado da pesquisa “Responsabilidade Social da Biblioteconomia na Transformação da Sociedade para atingir os ODS” de Nathalice é um checklist para as bibliotecas, que visa fornecer insights sobre o tema do desenvolvimento sustentável e incentivar mais bibliotecários a pensar e implementar metas de sustentabilidade em suas bibliotecas. Em breve estará disponível também no site o resultado da pesquisa desenvolvida por ela na Alemanha, onde mora atualmente e de ondo desenvolve suas pesquisas. “Se você não sabe por onde começar, não desista”, incetiva a bibliotecária.

Nathalice Cardoso. Foto: arquivo pessoal

Nathalice Cardoso é bibliotecária e pesquisadora brasileira com 12 anos de experiência profissional. Ela foi bolsista da Chanceler Alemã da Fundação Alexander von Humboldt entre 2019 e 2020 e pesquisadora visitante na Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo (HAW Hamburgo). Desde 2014 é membro do Grupo de Pesquisa “Bibliotecas Públicas no Brasil: reflexão e prática” da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde se graduou e cursou o mestrado em biblioteconomia. Quem tiver interesse pode contatá-la também através do Instagram @biblioteconomiambiental.

*Esta reportagem foi atualizada no dia 28/05 para acrecentar e corrigir informações

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