O ano de 2021 não foi muito diferente de 2020, em todos os sentidos. Aliás, 2021 foi muito pior do que o ano que lhe antecedeu, inclusive na seara cultural. Conforme registrei no editorial da edição 80 da Revista Biblioo, dos diversos setores da Cultura, como Fundação Palmares, Ancine, Cinemateca Brasileira, Funart etc. se multiplicam notícias de desmonte, descaso e perseguições.

Mas o pior de tudo não é constatar que os últimos tempos foram cruéis a todos nós, mas perceber que não existe uma saída a curto prazo. Não será uma eventual derrota de Bolsonaro em 2022 uma saída para crise (embora isso possa contribuir), dado que esta crise não é conjuntural, mas sim estrutural.

Isso quer dizer que ela não se resolve com boas safras no campo, a valorização de uma moeda local (em geral desvalorizada frente ao dólar americano) ou mesmo a eleição de algum sujeito apontado como sendo alguém progressista.

Essa crise estrutural da Cultura brasileira passa pela (des)valorização dos recursos e dos seus ativos. É preciso uma política de longo prazo que, no caso dos livros, da leitura e das bibliotecas, passa pela garantia, desde muito cedo, destes bens tão caros à cultura e à educação.

Lembremos de Edson Nery da Fonseca, que nos 100 anos do seu nascimento, suscita (ou deveria suscitar) em nós a inquietação de quem não aceita as soluções prontas, mas luta para garantir o que acredita. Nossa crença é um país onde a cultura letrada seja valorizada em todas as suas dimensões.

Que venha 2022!

Comentários

Comentários