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Lembro-me de um bibliotecário que desistiu da Biblioteconomia. Digo, um bibliotecário, já com certa experiência e relativo sucesso na carreira. Um belo dia, ele simplesmente desistiu de ser bibliotecário e foi seguir outra profissão. Estava infeliz. Foi ser feliz.

As pessoas entram na Biblioteconomia porque é fácil. O que é fácil normalmente não promete grandes compensações financeiras. Ninguém entra na Biblioteconomia pensando em ficar rico.

A Biblioteconomia é uma profissão de apaixonados. Quem entra e fica não se imagina fazendo qualquer outra coisa diferente do que faz, embora nunca tenha se imaginado fazendo o que faz antes de optar pelo curso de Biblioteconomia, simplesmente porque foi uma escolha fácil.

São muitos os relatos de “estou de saco cheio” das bibliotecas, bibliotecários e biblioteconomia, embora poucos se concretizem como uma efetiva separação da área. Mas esses casos de desistência da nossa profissão são reais. Na maior parte dos casos os bibliotecários largam as bibliotecas e vão trabalhar como vendedores de softwares ou com qualquer coisa relacionada à computação.

Salário é um motivo. Imagino que um vendedor da Elsevier ganhe mais do que alguém que trabalhe em uma biblioteca pública. Abrir uma consultoria dá trabalho, mas a pessoa certa, com a competência certa, pode se dar bem, construindo para si a flexibilidade no trabalho que normalmente não encontra em bibliotecas.

Desistentes reclamam que alguns salários pagos a bibliotecários são menores do que salários pagos a pessoas sem ensino superior. Um salário de R$ 3 mil pode parecer interessante para um bibliotecário de cidades pequenas ou do interior, mas não sustenta um bibliotecário e sua família em uma cidade como Rio ou São Paulo. Afinal, quatro anos de faculdade precisam se justificar.

A outra maneira de olhar para a desistência é que as pessoas que saem da profissão obviamente possuem habilidades relacionadas a outras áreas. Um arquiteto da informação é um arquiteto da informação, seja trabalhando em uma biblioteca ou em uma empresa de desenvolvimento web.

Mas ainda assim, em maior ou menor efeito, as empresas que contratam ex-bibliotecários costumam oferecer salários bastante similares ao que as bibliotecas oferecem para alguém com formação em Biblioteconomia.

A grande questão é: vale a pena tentar convencer as pessoas a não largar a Biblioteconomia? Acho que não.

De cara, pessoas frustradas vão continuar sendo pessoas frustradas. No caso das bibliotecas públicas, os salários baixos e a péssima estrutura de trabalho não vão melhorar no curto prazo. Se uma pessoa consegue desbravar melhores opções, bom pra ela. Espero sinceramente que seja feliz.

Claro que podemos nos perguntar: será que estamos perdendo talentos? Talvez sim, mas talento é o que não falta nos cursos de graduação. A cada ano, hordas de futuros bibliotecários aparecem e, dentre eles, muitos serão destaque. Cada vez mais pessoas interessantes leem sobre Biblioteconomia, sobre o mercado de trabalho, a oferta de concursos e decidem tentar a sorte na área.

Se essas pessoas desistirem da “Biblio” três anos depois de formadas, elas serão substituídas por outros jovens idealistas e, sobretudo, levarão alguma experiência da nossa área para as outras. É uma situação onde todos ganham.

E essas pessoas que desistem, elas amam as bibliotecas? Me parece que não. Algumas pessoas podem realmente gostar do conceito da biblioteca, da função social da profissão, até mesmo ser usuários de bibliotecas, mas tudo isso é bem diferente de trabalhar em uma biblioteca.

Porém, se elas são realmente apaixonadas por bibliotecas, elas tem a opção de não desistir e buscar algum trabalho relacionado à bibliotecas que lhes agrade. A gama de atividades é imensa e pessoas competentes com experiência tem grande chance de conseguir esses trabalhos.

Se as pessoas querem desistir da profissão, não faz muita diferença. A verdade é que existe uma longa lista de espera de outras pessoas que irão substituí-las. Em geral, muito mais pessoas estão buscando trabalho em bibliotecas do que pessoas desistindo desses trabalhos.

[tradução adaptada de Leaving the profession]

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49 Comentários

  1. Lucelia
    18 de outubro de 2013 a 21:26 — Responder

    Sinceramente, não tenho certeza se existe hordas de pessoas querendo fazer biblio… e a questão da profissão não é se existe pessoas disponíveis para substituir aquelas que saem, mas será que essas têm competência para isso? Ser apaixonado não quer dizer ser competente… Além disso, arrisco dizer que, a cada 20 bibliotecários que conheço, 1 escolheu biblio por ser apaixonado por biblioteca. A biblioteconomia não precisa de pessoas apaixonadas, mas de pessoas capazes de elevar a biblio a um outro patamar menos técnico e mais estratégico.

    • 21 de outubro de 2013 a 23:06 — Responder

      Concordo plenamente com vc Lucelia, fiquem muito triste em ler este artigo. Eu sou uma bibliotecaria que desistiu da biblioteconomia…

    • Karine
      11 de janeiro de 2015 a 20:12 — Responder

      Concordo, conheço bibliotecários que se dizem apaixonados pela profissão, mas são apaixonados pela visão romântica da biblioteconomia e quando vão pra parte de gestão, que hoje é super importante, são super incompetente e se sentem ameaçados por estagiários e bibliotecários recém formados.

  2. 19 de outubro de 2013 a 12:49 — Responder

    Ah! Se Moreno Barros desistisse da Biblioteconomia seria uma grande desilusão para mim. Mas que grande artigo, que título perfeito para atrair os leitores! Boa análise Moreno. Os que têm contribuição a dar, ficarão até o fim, porque são autônomos e saberão descobrir seus caminhos e o que atrai nesta profissão ímpar – que só não dá dinheiro.

  3. Gustavo
    19 de outubro de 2013 a 13:34 — Responder

    Ninguém pode alegar é que foi iludido pela biblioteconomia.

  4. nelsonos
    19 de outubro de 2013 a 13:52 — Responder

    A grande questão é que a biblioteconomia é um mercado que não cresce. As vagas normalmente aparecem quando um colega se aposenta, passa em um concurso, troca de emprego ou larga a profissão de bibliotecário por outra. O termômetro do sucesso de uma profissão é a relação de candidatos por vagas do curso no vestibular, da quantidade de instituições que oferecem o curso no Brasil e a quantidade de vagas que aparecem nos classificados e concursos. Em todos estes critérios a Biblioteconomia está certamente em ultimo ou penultimo lugar dentro das profissões regulamentadas.

    • João Luis Carvalho
      17 de junho de 2015 a 5:38 — Responder

      Te garanto que o prestígio social (valorização social) e a remuneração financeira não devem ser os únicos critérios para se avaliar uma carreira profissional. Pode ter certeza que existe no Brasil muita gente em profissões bem remuneradas e socialmente prestigiadas, porém frustradas e infelizes com a profissão que exercem.

  5. Gabriela
    21 de outubro de 2013 a 13:21 — Responder

    Acho que amar bibliotecas não ajuda muito quando você se forma e encontra um mercado tão ruim, pelo menos em algumas cidades. Não há amor que resista…
    Concordo com o comentário do "nelsonos". É um mercado que não cresce, muito embora exista todo um mito em torno de um bibliotecário "tecnológico", que poderia contribuir muito com a chamada "era da informação". Vagas na iniciativa privada com a demanda de um profissional mais moderno, com habilidades inovadoras, acontecem muito raramente. Em concursos públicos são 1 ou 2 vagas e salários nem sempre tão bons.
    E Gustavo, temo que muitos calouros de Biblioteconomia hoje estejam iludidos, sim, por revistas como "guia do estudante" e outras reportagens que costumamos ver associando a profissão a um glamour que não existe, a uma modernidade que não vivenciamos nem na faculdade, ou a que está entre as que recebem os "salários mais altos" (risos).

    • Dany
      21 de outubro de 2013 a 22:56 — Responder

      Eu sou um desses calouros iludidos infelizmente =/ hahahaha
      Os bibliotecários precisam expor mais a rotina e os desgastes da área, ninguém comenta sobre as partes ruim de se fazer biblioteconomia, não como comentam nas profissões mais populares.
      Minha outra opção era arquitetura, algo que eu conhecia melhor que biblio e que tem muito a haver com meu outro hobbie, mas muitas pessoas comentaram que essa área estava saturada e é difícil passar no vestiba ou pagar uma boa facul.
      Agora na biblioteconomia no meu primeiro ano me encheram de boas perspectivas, que é muito fácil achar uma vaga, que faltam pessoas, e eu realmente achava que os salários eram mais alto que a média xD hahaha. Já no final do segundo ano estou vendo que a coisa não é o que parecia ser…

  6. Priscila
    21 de outubro de 2013 a 22:44 — Responder

    Acho que há sim uma certa ilusão ligada à biblioteconomia. E sair dela não é muito fácil. Concordo com a Gabriela: é verdade que há um mito em torno do bibliotecário tecnológico, das contribuições do bibliotecário na sociedade da informação, do quanto a biblioteconomia é importante para um mundo baseado em informação… A verdade é que estamos à margem dessa sociedade da informação. De fato a profissão não cresce. E é muito difícil encontrar formação acadêmica que coloque o bibliotecário que muita gente promete que ele irá ocupar. Outras áreas estão correndo e encontrando soluções para os problemas dessa sociedade da informação. E a formação de biblioteconomia ficou meio parada no tempo quando se pensa nos problemas que estão aí…

  7. 21 de outubro de 2013 a 23:10 — Responder

    "Sem o desejo de fazer a diferença… Que falta fará?". Gostei de ler Moreno… Quem esperou ou ainda espera por uma mera (R)evolução sem se adaptar a uma evolução ainda em curso, continuará desistindo! Dicotomias de "termômetros" deixadas de lado, oportunidades existem, e quem profissionalmente as aproveita ou aproveitou, tem muito mais a agradecer do que a lamentar!

  8. 21 de outubro de 2013 a 23:13 — Responder

    Se os bibliotecários que desistem da profissão serão substituídos, se quem entra na profissão ama ou não bibliotecas, são questões relevantes… O que de fato podemos afirmar é que amor não paga contas…

  9. Gustavo
    22 de outubro de 2013 a 0:46 — Responder

    Duvido que alguém entre achando que vai ganhar dinheiro com biblioteconomia. Quem entra em biblioteconomia ou entra por que gosta de livros em geral, ou já entra sabendo que é uma área que tem muito emprego, mas não tem salário.

  10. ars8
    22 de outubro de 2013 a 2:11 — Responder

    O que pesa também é que aqui em SP, tem poucos cursos só existem 3 em santo andré, nos bairros da republica e vila madalena. E o curso tecnico na consolação que toda vez tem que aguardar prabrir vagas pro proximo ano que também não a procura e demanda para allunos que são poucos os interessados, além disso o preço salgado pra você se formar.

  11. 22 de outubro de 2013 a 8:46 — Responder

    Moreno, ótima reflexão! Olha, existe de tudo como em qualquer profissão. Sou formada há 30 anos e a no mínimo 10 deixei de ser bibliotecária, mas sou gestora de informação digital. A Biblioteconomia foi uma porta que se abriu e o mercado nunca esteve tão aquecido para gestores de informação. Tudo por fazer. Creio que são duas questões aí. Para aqueles que desejam permanecer em bibliotecas existem os cursos técnicos que começam a surgir (Paula Souza) e deveria existir graduação em Biblioteconomia apenas. Para aqueles que querem ser gestores deveria existir outra graduação de gestão de informação gerencial. As nossas faculdades ficam no meio do caminho. Não adianta falar em classe desunida, questões culturais etc….o fato é que muitos aceitam e alimentam esse cenário e outros não conseguem fazer valer seus empregos, pois falta preparo gerencial. Bom, tem mais coisa mas paro por aqui..rs Ah, sim…se eu recomendaria a profissão? Depende do que vc quiser ser quando crescer..rs

  12. 22 de outubro de 2013 a 9:13 — Responder

    "É muito complexa a biblioteconomia" já na minha região Teresina-pi são muitas turmas que já estão saindo pra enfrentar o pouco mercado que a região oferece, isto é, quando aparece a "vaga" é com salários menores estipulados, mas que muitas vezes até aceitamos devido a falta de um emprego na área gerado ao fator escasso da pouquíssma oferta, eu sou deles desempregado, autônomo, mas não desiludido, quando aparece um concurso é uma vez por ano, "o pode até ocasionar um certo desconforto com a área ao recém formando."

  13. Eliane Jovanovich
    22 de outubro de 2013 a 9:16 — Responder

    Eu me considero uma eterna apaixonada pela profissão!!

  14. Elena Rodrigues
    22 de outubro de 2013 a 10:02 — Responder

    Sou aluna de 4º período da UNIRIO, e desde que entrei participei de todas as recepções de calouros. Fazemos uma atividades com eles em que perguntamos o motivo de terem escolhido Biblioteconomia. Seguramente posso afirmar que em quatro "levas" de calouros (incluindo a minha), a grande maioria respondeu "porque era o que dava com a nota do ENEM', outros "porque pesquisei e vi que é uma área com poucos profissionais, muito mercado de trabalho e um salário muito bom". E a minoria respondeu "porque eu sempre quis ser bibliotecário". Há também os "porque eu gosto de livros". Ou seja, há sim uma ilusão de um bom salário. Mas vejo que também esses profissionais frustrados. Eu por exemplo, sempre quis cursar psicologia. E como eu, temos muitos arquitetos, engenheiros, designers… frustrados. Mas falando por mim, encontrei em Biblioteconomia uma nova perspectiva. Se no começo era algo passageiro e temporário, hoje em dia eu vejo como a MINHA profissão, a minha carreira. Portanto tem que haver sim uma paixão pela profissão, porque é o que te segura diante dos problemas. Mas ninguém vive de amor! É ai que entra a determinação e vontade de cada um pra mudar a situação que vemos hoje. Profissionais desvalorizados, desestimulados e desacreditados, que se contentam com o balcão de uma biblioteca pública caindo aos pedaços.

  15. Juliana
    23 de outubro de 2013 a 10:02 — Responder

    Eu sou uma que infelizmente estou largando a biblioteconomia. E é por falta de amor a essa profissão??? Claro que não. Como alguém disse aqui em cima: amor não paga contas. Infelizmente, é um problema do país , e até quem sabe do conselho que não lutam por melhorias e não dão o devido respeito a essa profissão. O jeito foi alias a biblioteconomia a uma outra profissão, e sem dúvida, nao me arrependo disso.

  16. Tatiane Salles
    23 de outubro de 2013 a 14:31 — Responder

    Entrei na biblioteconomia a princípio por escolha da minha mãe, que por sinal não é bibliotecária. Mas pelo simples fato de ler muito ela soube identificar a minha vocação antes mesmo de mim. Eu assim como muitos que postaram aqui não me vejo fazer outra coisa. Amo e sou uma eterna apaixonada pela minha área, não existe algo mais satisfatório do que satisfazer as necessidades dos usuários, vê-los sair feliz da vida por você ter ajudado!!É muito gratificante, se sentir útil…Não tenho muitas palavras para descrever o amor pela profissão. O pior é haver profissionais que estão na área pra fazer peso e não desenvolvem trabalhos, apenas empacam o processo prejudicando a instituição como um todo. Não sai da área quando tem a oportunidade de atuar faz m…,prejudicando a classe por atitudes incorretas.É lamentável.

  17. […] bibliotecas não vale mais a pena. Revista Biblioo, v. 3, n. 10, 18 out. 2013. Disponível em: <http://biblioo.info/desisti-da-biblioteconomia/&gt;. Acesso em: 23 out. […]

  18. Eduardo Alentejo
    24 de outubro de 2013 a 12:57 — Responder

    As Ideias baseadas em pré-conceitos e não em uma visão cientificista ou ao menos baseada em dados concretos contribuem para a perpetuação de um olhar que se perde dentro de sistema cultural, que no País é evidentemente cheio de problemas de ordem histórica, econômica e social. Ao meu ver, o autor deveria antes de manifestar opiniões com base em seu comportamento e visão própria, e, sem base científica, porque as expressa em meio público, isto é, de acesso a qualquer pessoa conectada à Web, conhecer o código de ética que rege a profissão do bibliotecário. Trata-se da Resolução 42 CFB de 11 de janeiro de 2002. Sobretudo o Art. 3 que enuncia: considerar que o comportamento profissional irá repercutir nos juízos que se fizerem sobre a classe. Além disso, uma vez que o autor tem ao fim do texto sua breve biografia, da qual o intitula como bibliotecário, seria conveniente colocar o registro profissional junto ao conselho da classe. Pois, nada justifica uma atitude que não inspire aos demais colegas e à sociedade falar dos problemas com devido resguardo científico visando colaborar e não depreciar.

    • Fabiana
      26 de outubro de 2013 a 18:46 — Responder

      Trata-se de uma tradução adaptada de outro texto. Acho que vc nem leu e nem entendeu tudo pra escrever isso.

    • 28 de outubro de 2013 a 17:42 — Responder

      Prezado Eduardo Alentejo.
      Moreno é um dos profissionais melhor preparados intelectualmente dentre os colegas de profissão. Venho acompanhando a trajetória dele há uns 8 anos e não arredo pé de defendê-lo. Ele está autorizado, sim, a escrever o que desejar, porque seus pares já o julgaram anteriormente e lhe dão este aval. E onde já se viu colocar número de CRM, CREA ou CRB em blogs?

      • 6 de julho de 2014 a 17:42 — Responder

        A Senhora desconhece a legislação vigente que regula a profissão. Portanto, uma lástima.

        • Janaina Braga
          18 de março de 2015 a 19:43 — Responder

          E vc? Por que você não coloca seu nome verdadeiro, Xexéu? Eduardo? do Alentejo? Ou seja, vc não sabe nem que nick usar. Nem sua nacionalidade dá para saber? Não se pronuncia brasileiro, nem português? Afinal quem vc é? Coloca seu nome verdadeiro e seu registro de conselho aqui, filho. Vem filosofar no melhor estilo embromation e quer tirar onda de intelectual. Vc é um imbecil. Eu nem sou da Biblioteconomia. Estou aqui neste site, só porque pretendo escolher um curso para tentar novo curso. Eu que não estou satisfeita com meu curso. Enquanto o meu curso tem 120 mil profissionais, o de vcs tem 17 mil. Deixem as pessoas exporem suas opiniões!

  19. 25 de outubro de 2013 a 1:54 — Responder

    Vejo o caso de prefeituras que pagam muito pouco para arquivista e bibliotecários e estes, é claro, fazem outros concursos e saem mesmo. é uma pena porque os problemas estão no plano micro. Vejo escolas públicas jogando documentos de interesse histórico no lixo e vejo as salas de leitura com profissionais não bibliotecários, geralmente professores desviados de função exercendo a função de bibliotecário. Um dia conversando com o Chico chegamos a conclusão que nossa função, arquivistas e bibliotecários, é um tanto marginalizada pela sociedade. Esta quando perceber que somos os profissionais que mais nos preocupamos com a preservação de acervos e informações talvez já será tarde demais. Uma pena.

  20. […] de tudo o texto publicado na biblioo é uma tradução quase ipsis litteris de um original publicado no library journal. Não sei se […]

  21. 25 de outubro de 2013 a 12:54 — Responder

    [vou poster em dois ou mais comentários porque o texto é longo e o wp não permite]

    Antes de tudo o texto publicado na biblioo é uma tradução quase ipsis litteris de um original publicado no library journal. Não sei se leram a parte textual por completo, mas está lá indicado no fim que é uma tradução adaptada. Adaptada porque eu incluo ou excluo algumas sentenças para ficar mais acessível a quem quiser ler em português do brasil. O título e o subtítulo são apenas chamariz para que o texto tenha maior repercussão.

    A biblioo tem sim seus banners espalhados e parcerias, mas eu não recebo um centavo qualquer para publicar textos lá. Escrevo ou traduzo apenas porque acho importante compartilhar. São textos que eu julgo ser minimamente interessantes, especialmente quando são capazes de promover uma discussão interpares, o que funcionou dessa e muitas outras vezes. Venha fazendo isso continuamente nos últimos anos, tentando escrever reflexões breves e resgatar textos antigos da área (porque tudo isso já foi dito e discutido antes).

    No caso do “Desisti da biblioteconomia” obviamente compactuo com o conteúdo do texto original, que se não entendi errado, defende exatamente a NÃO desistência da profissão.

    Claro que é cômodo para mim replicar um texto que assume como ponto de vista largar de mão quem queira desistir da profissão, pois afinal sou um bibliotecário concursado em uma universidade federal, com estabilidade. Mas quem leu o texto por completo e o interpretou corretamente perceberá que se trata mais de um incentivo a permanecer na área do que sair dela, ainda que tudo conspire contra.

    Os comentários e a repercussão reforçam essa abstrata “paixão” pela biblioteconomia. Se não nos importássemos, não nos daríamos o trabalho de entrar na conversa. E é ótimo que o texto tenha recebido comentários que discordam ou complementam a mensagem original.

    Inicialmente pensei em criar uma espécie de “continue lendo” no texto publicado na biblioo para uma tradução mais extensa da discussão que aconteceu nos estados unidos com base justamente em um texto que refletia sobre a desistência da profissão, e que resultou, entre outros, nesse texto que eu selecionei para traduzir. Leiam os comentários, são tão importantes quanto os textos iniciais.

    Breaking up with libraries: http://ninermac.net/blog/2013/05/31/breaking-up-w
    Hey Libraries: It’s Not Me, It’s You: http://blog.katekosturski.info/hey-libraries-its-

    Hey Libraries: It’s Not Me, It’s You Part 2: Who Gets to Keep the Couch? http://blog.katekosturski.info/hey-libraries-its-

    Leaving the profession http://lj.libraryjournal.com/blogs/annoyedlibrari

  22. 25 de outubro de 2013 a 12:55 — Responder

    Ou seja, não exergo qualquer necessidade da minha parte de prolongar a discussão sobre o “desisti da biblioteconomia”. É uma opinião pessoal, publicada em um veículo público, de livre acesso, que permite a possibilidade de comentários. O que precisava ser dito em relação ao texto está lá, expresso em pontos de vistas e opiniões concordantes ou discordantes. Não é um bullying, de nenhuma parte. É uma conversa. Quem não quer ou não sabe conversar, não desce pro play.

    Mas isso é o que menos importa agora. O que importa agora é que algumas reações ao texto fazem surgir em mim a verdadeira vontade de desistir da classe. Atenção: desistir da classe profissional e não desistir da profissão.

    Antes eu tivesse me resignado e conformado, guardando para si minhas ideias e entendimentos e opiniões sobre qualquer tópico relacionado à biblioteconomia e suas partes envolvidas (bibliotecas, bibliotecários e usuários) do que ter que me ver ameaçado a receber uma punição por parte do conselho de ética do CRB a qual sou registrado, vindo de uma denúncia explícita ou anônima de um colega de profissão, sob a alegação de que meu “comportamento profissional irá repercutir nos juízos que se fizerem sobre a classe” (Resolução 42 CFB de 11 de janeiro de 2002, art. 3), como sugerido aqui pelo meu ex-colega de UniRio, professor de biblioteconomia Eduardo Alentejo.

    Qualquer pessoa capaz de interpretar o texto e avaliá-lo sabe que é no mínimo desnecessário associá-lo a qualquer comportamento anti-ético ou tentativa de repelir pessoas da profissão ou denegrir profissionais da área.

    Ademais, quem me conhece pessoalmente e já trabalhou comigo deveria saber que sou extremamente interessado na manutenção e implementação da biblioteconomia e que por nenhuma razão fútil eu desmotivaria uma pessoa a ingressar, seguir ou desistir de qualquer carreira.

    Logo, acho que um salto da discordância para com o texto à uma tentativa ou ameaça de moção contra o profissional por trás da ideia do texto é uma verdadeira afronta ao exercício primordial e elementar da biblioteconomia: conectar inteligências e garantir o acesso livre e indiscriminado à informação.

    O Chico de Paula foi o caso mais recente de punição pelo conselho de ética do CRB-7. Tudo por conta de uma denúncia anônima. Tudo por conta de uma charge. Um conselho de ética que entende que uma charge representa um mau comportamento ético do profissional deveria estar mais preocupado em construir as bases necessárias para que as pessoas possam compreender a realidade por trás de uma charge ou uma opinião contrária à ordem vigente, seja ela racional ou irracional.

    Mas é assim que tem funcionado a esfera pública online da biblioteconomia (Che, tome note para sua dissertação). É um convite constante à desistência. É assim que tem funcionado o Brasil, desde sempre. Quem é marginalizado ou outsider e bota a cara e tem a coragem de falar e defender o que acredita, muitas vezes ecoando multidões, sofre na pele a repressão de quem tem mais força, muitas vezes desproporcional. E ainda correndo o risco de ser taxado de vândalo.

    Não entrei na internet ontem. Quem quer falar o que quer, precisa saber ouvir o que não quer. E disso eu sei. É um privilégio global poder ter uma voz online. E não é um privilégio individual, qualquer pessoa pode ter essa voz e eventualmente ser ouvida.

    Mas é apenas um texto de blog. Pode ter um peso. Mas não tem o peso de ter seu registro profissional cassado por publicar um texto que defende a NÃO desistência da biblioteconomia como profissão. Se sim, eu me sinto inojado por pertencer à essa classe profissional. Se não, é continuar trabalhando e seguir adiante.

    Eu admiro centenas de bibliotecários que conheci ao longo da carreira. Eu admiro quem opte por cursar biblioteconomia. Mas não dá pra ficar medindo palavras porque elas ferem os cérebros daqueles que representam a anti-biblioteconomia.

    Eu sugiro que vocês criem seus próprios blogs, democratizem a informação. Escrevam seus pontos de vista contrários ou concordantes. O ônus é do leitor. Não sejam covardes de fazer denúncias anônimas ao CRB. Não sejam covardes de não trabalhar em pról da área. Não sejam covardes de não assumir que são apaixonados pela biblioteconomia.

    • 28 de outubro de 2013 a 23:29 — Responder

      Sou apaixonada por ser Bibliotecária, tenho MBA – Pós graduação em Gestão em unidade da Informação, Pedagoga, professora durante 7 anos e mesmo dando aulas nas escolas estaduais sempre fazia trabalhos voluntários e colaborava com as bibliotecas. Sou Concursada em uma Faculdade Estadual e me sinto FELIZ por ser útil aqueles que precisam de nossa ajuda. Realmente não saberia ficar sem exercer minha profissão. Sou grata a Deus por ter dado a oportunidade de ser BIBLIOTECÁRIA e poder transmitir conhecimento aqueles que necessitam de ajuda. Estou sempre inovando e criando mecanismos para transmitir aos outros.

  23. Jane Vitória Guzmán
    28 de outubro de 2013 a 23:20 — Responder

    Tem gente que além de não saber escrever, também não sabe ler.. Por este motivo nem vale
    a pena se estressar Moreno. Bem, se quem fez os comentários sequer conhece a nossa língua, dificilmente saberia o que é um texto adaptado. Teria sido bem melhor ficar de boca fechada para não bancar o ridículo.
    Jane Vitória Guzmán

  24. ana
    2 de setembro de 2014 a 9:58 — Responder

    a questão da ilusão pela profissão é porque as pessoas não conversam com pessoas que já trabalham na área para saber como é a rotina, o salário e outras coisas.

  25. Bruno
    6 de março de 2015 a 16:34 — Responder

    Pessoal, eu sou formado em Análise de Sistemas, profissão da qual desisti de atuar e busco agora informações para começar a estudar Biblioteconomia e trabalhar nesta área, aí pergunto aos profissionais desta área? Minha graduação poderá me ajudar a entrar no mercado como Bibliotecário (é claro após eu me formar Bibliotecário a Análise de Sistemas pode ser um diferencial ou em nada ela me ajuda!?) Enfim, digo por ter atuado com informação em sistemas (onde eu desenvolvia alguns sistemas isso agrega algum valor ou não). Vejo que muitos reclamam de salário, mas como podem ver isso para mim não importa, já que optei por largar uma área bem rentável (TI) para tentar um novo horizonte em Biblioteconomia! Gostaria de opiniões também a respeito sobre se é possível para mim fazer uma pós na área (Biblioteconomia) já que já sou formado em outra área e com isso, tentar buscar o mercado de trabalho em Biblioteconomia? Adoro o site é aguardo algumas opiniões aos que puderem ajudar, valeu!

    • Jaqueline
      18 de março de 2015 a 19:58 — Responder

      Eu sou formada em Serviço Social pela UFES e estou pensando em voltar para a Universidade para cursar Biblioteconomia. Eu já passei em Biblioteconomia uma vez, mas na época eu tinha recém saido do meu curso de origem e não tinha ideia do mercado. Eu resolvi não levar o curso adiante, mas hoje me arrependo. Inclusive hoje em dia, a grade de Biblioteconomia de lá mudou, tá mais dinâmica; Antes eu notava muitas matérias que na minha opinião eram "enchedoras de linguiça" do tipo: introdução ao cinema, ao teatro. Mas voltando ao meu curso. Meu curso está com o mercado mega, hiper, super saturado. Entraram muitos profissionais oriundos do Ensino a Distância. Ampliou-se as Universidades Particulares que dão o curso e o curso é relativamente barato. Além do mais, vc tem o Estado como maior empregador. A iniciativa privada é mínima para contratar Assistentes Sociais. Além do mais, eu pessoalmente sempre gostei de estudar, de livros e de todo este ambiente, ao contrário da minha profissão, que vc tem que lidar com as mazelas da sociedade e com um ambiente mais "pesado" onde vc se depara com o sofrimento alheio etc. A questão do salário, para mim, seria algo meio que "elas por elas", mas eu prefiro trabalhar num ambiente mais tranquilo psicologicamente (sem ter que ficar segurando emoções, vendo coisas tristes, situações dificeis de se resolver, etc). Na verdade, eu acho que eu sempre tive vocação para Biblio e nunca para Assistente Social.

  26. SINCERO-MAN
    12 de março de 2015 a 2:01 — Responder

    E a CENSURA bombando como sempre, bem coisa dessa CORJA que se intitula profissionais da informação! Tá loko bibliotecário(a)s NÃO VALEM NADA MESMO EM, por que não extinguem de uma vez essa profissão e fazem um bem para a humanidade? SEUS FANFARRÕES, nem sabem nada de nada, só vivem para enrolar e justificar seu salário!

    DESAFIO QUEM ME PROVE O CONTRÁRIO !

    • 24 de novembro de 2015 a 0:09 — Responder

      Vergonha alheia por sua tamanha ignorância. Já pensou em ler? Leitura cura. Cura ignorância, cura falta de informação. Serei bibliotecária sim, e será porque eu ESCOLHI. =)

      • 25 de novembro de 2015 a 9:22 — Responder

        kkkkk

      • MisterMaster
        16 de janeiro de 2016 a 5:07 — Responder

        Queridinha entao pq vc nao faz que nem Ranganathan e vê se ME POUPA.

  27. 25 de novembro de 2015 a 9:21 — Responder

    Sou estudante de Biblio.
    achei interessante esse comentário sobre os desistentes, mas queria saber se há algum artigo que faça diferença entre profissionais de TI e bibliotecários. porque os dois lidam com a informação e pela pesquisa que eu fiz sobre TI é praticamente a mesma função de um bibliotecário. Queria saber se estou errado de pensar que o profissional bibliotecário NÃO está preso na gestão de informação localizadas em bibliotecas, ou seja, que o profissional bibliotecário é, ao pé da letra, o gerenciador de informação, esteja essa informação em qualquer ambiente.

  28. Edilaine
    2 de fevereiro de 2016 a 16:13 — Responder

    Eu vou começar a cursar Biblioteconomia no mês que vem. Foi minha segunda opção de curso no Enem, mas não escolhi apenas por ser "porque era o que dava com a nota do ENEM", como alguém comentou ou por achar que o salário é alto. Escolhi porque era uma das áreas de que gostei, afinal são 4 anos, já não sou uma garotinha, ou seja, se é para estudar, tem que ser algo de que eu goste ou não conseguirei. Eu preciso gostar do que faço para conseguir ter algum êxito. Minha primeira opção era Letras Estrangeiras (Amo!), na segunda fiquei em dúvida entre Biblio, Museologia e Arquivologia. Fiz uma pesquisa na internet e senti afinidade pelo o que ouvi alguns bibliotecários dizerem, pareceu bem a minha cara. Eu gosto de pesquisar, adquirir conhecimento e, caso seja necessário, ajudar outras pessoas com esse conhecimento. Acho que é isso o que um bibliotecário faz (espero não ter entendido errado). Estou muito ansiosa para começar a estudar, me desejem sorte!

  29. 18 de junho de 2016 a 10:33 — Responder

    Amigo, trabalho é trabalho. Quer se apaixonar arrume uma namorada.

  30. Rose
    23 de março de 2017 a 8:24 — Responder

    Caros colegas muito interessante os comentários de cada um sou formada há dezoito anos entrei em biblioteconomia por que vi que era um curso muito prático e técnico e pq gostei tbm.Sou do norte e as oportunidades aqui são raras mas depende do profissional vc tem que correr atrás do que realmente quer os salários são baixos mas o profissional tem que se qualificar pra ganhar um pouco mas nossa profissão infelizmente ainda é desconhecida desvalorizada. Mas é uma realidade que pode mudar e pra haver mudanças tem que haver união.!

  31. Ruth
    20 de abril de 2017 a 17:34 — Responder

    gente to pesquisando sobre essa area e pensando em fazer o tecnico vale apena fazer o curso no nivel tecnico?

  32. Quel
    30 de abril de 2017 a 23:08 — Responder

    O que me indigna é ver um técnico ganhar mais que um bibliotecário que estuda 4 anos se ralando, o que resta é concurso público e com as novas leis estamos ralados.

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