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As notícias falsas existem desde de muito antes de chegarmos ao estado atual e avançado de acesso midiático. Segundo o Dicionário de Cambridge o conceito fake news são histórias falsas que, ao manterem a aparência de notícias jornalísticas, são disseminadas pela internet, ou por outras mídias, sendo normalmente criadas para influenciar posições políticas e assuntos relevantes para população, como saúde pública: as mentiras inventadas para abalar a confiança da sociedade nas campanhas de vacinação. As Redes sociais são bolhas digitais que convergem para pessoas com mesmo pensamento, o que possibilita mais força para o maniqueísmo ideológico de grupos fundamentalistas na consolidação de seus valores.

A liberdade da internet levou a uma ingênua ilusão de que a humanidade iria atingir um patamar de conhecimento jamais alcançado, mas ao invés de proporcionar lucidez, está sendo utilizada para desinformar. As fake news, na atualidade, são comparadas a uma pandemia. A OMS declarou o surto de Covid-19 e a resposta tem sido a “infodemia”: um excesso de informações, que torna difícil encontrar fontes idôneas e orientações confiáveis quando precisa.

A palavra é o resultado de um grande aumento do volume de informações associadas a um assunto específico, que podem se multiplicar exponencialmente em pouco tempo devido a um evento específico como, por exemplo, eleição, plebiscito, ou evento global como vivemos agora a pandemia de Covid-19. Nessa situação, resulta em desinformação, além da manipulação de informações com intenção duvidosa. Na era da informação, esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais se alastrando rapidamente, como se fosse um vírus.

Nos últimos anos, as taxas de cobertura vacinal vêm caindo em todo mundo, e por isso doenças antigas, como sarampo, estão voltando a aparecer. Uma das razões para essa queda é a propagação de fake news sobre vacinação, que acabam desencorajando pessoas e as famílias a recorrerem a este serviço essencial para humanidade. Um estudo de 2020 intitulado “The real-world effects of fake news”, feito pela FTI Consulting, uma empresa de análise de dados, mediu o impacto da desinformação nas redes sociais sobre as vacinas.

A pesquisa foi realizada por um sistema de inteligência artificial, a amostragem foram as postagens sobre a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) no Twitter, no período de 2012 a 2018. Durante este tempo, houve uma redução no Reino Unido de 3% na cobertura da vacina. A Inteligência artificial concluiu que a cada aumento de 100% no volume de desinformação sobre a tríplice viral na rede social Twitter, ocorria uma queda de 0,2% na cobertura vacinal. 

Em todo período analisado, houve um aumento de 800% da desinformação na rede social, gerando uma redução de 1,6% na cobertura vacinal da população do reino da Rainha Elizabeth II. Portanto estamos falando em torno de um milhão de britânicos que não se vacinaram por causa das mentiras sobre as vacinas no Twitter. Aliás, a Rainha, é uma mulher bem informada pelo The Guardian, jornal britânico de grande circulação e não por redes sociais, que estão carregadas de desinformação. A Rainha Elizabeth está com sua carteira de vacinação em dia, ela já se vacinou contra a Covid-19.

O combate a desinformação tem que ser um dever social de todos. A checagem de notícias é algo fundamental na atualidade. Deve ser um exercício constante para os bibliotecários, ensinar e compartilhar os saberes do letramento digital.  Para descobrir se o conteúdo que você recebe por meio do Facebook, Twitter ou WhatsApp é verdadeiro e não uma mentira sobre a pandemia, ou qualquer outro assunto que prejudicará toda uma coletividade, existem vários sites de checagem: Agência Lupa, Aos Fatos, Fato ou Fake, instituições públicas como Fiocruz, a Biblioteca Digital do Senado Federal e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Todas as redes sociais perceberam o quanto estavam contribuindo para desinformação, várias medidas foram tomadas, como suspensão, exclusão de pessoas públicas e políticos, etiquetas com o adesivo de que o conteúdo daquela postagem era falso, para quem curtiu aquilo tenha ciência de que era uma mentira, além de monitoramento de disparos em massa, em destaque no WhatsApp, para verificar e tentar combater na disseminação de desinformação. Mensagens enviadas para uma conversa por vez não podem mais selecionar todos os seus grupos e contatos para fazer o compartilhamento, sendo preciso fazer o envio a cada chat, o que pode contribuir para a queda no compartilhamento de desinformação.

A International Federation of Library Associations – IFLA acredita que o acesso à informação é um direito de todos. Por isso a entidade desenvolveu um infográfico para detectar as fake News, baseando-se na  ideia de que a educação é a melhor maneira para combater a desinformação com as seguintes dicas:

  • Não leia apenas o título de uma notícia, tome cuidado com o sensacionalismo das manchetes;
  • Confira a data de publicação, saia da bolha da rede social e consulte fontes oficiais, como a questão da vacinação sites como Fiocruz e OMS;
  • Cuidado com vídeos, imagens e áudios são facilmente editáveis;
  • Observe erros de ortografia, conteúdo oficial e técnico não terá erros grosseiros de português;
  • E verifique bem a notícia antes de compartilhar o conteúdo, na dúvida não compartilhe.
Fonte: IFLA

As vacinas contra a Covid-19 são seguras e todas foram testadas. Foram feitas em tempo recorde, em menos de um ano! Importante ressaltar que isso é fruto de acúmulo de conhecimento, ou seja, ciência. É importante recordar que as pesquisas já estavam sendo feitas desde das epidemias de SARS (2002-2004) e MERS (2012-2015), então contribuíram para esses resultados.

Agora, com a pandemia, as pesquisas em progresso ganharam mais recursos e mais apoio dos governos e das empresas farmacêuticas. Portanto, em tempo recorde a humanidade conseguiu várias vacinas em menos de um ano. Grande destaque para China, Rússia e Índia que são consideradas as grandes farmácias do mundo, se o Brasil investisse mais em ciência, pesquisa e nas universidades públicas, com certeza, estaríamos neste seleto grupo.

Tomar vacinas é a melhor maneira de se proteger de uma variedade de doenças graves e de suas complicações, que podem até levar à morte A vacina, o distanciamento social, o uso correto das máscaras e medidas básicas de higiene (sempre lavar as mãos com água e sabão, e na falta higienizar com álcool gel) salvarão milhões de vidas no mundo durante o período pandêmico. Não existe nenhum tratamento precoce ou alternativo, até agora infectologistas do mundo inteiro não identificaram nenhum remédio capaz de atenuar os efeitos, curar da virose ou impedir de ser contaminado pelo vírus da Covid-19.

 As vacinas salvam em torno de 3 milhões de crianças em todo o mundo por ano, de acordo com uma pesquisa, feita em 2019, pelo Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para Infância – Unicef. Portanto, quando chegar sua vez, se vacine contra Covid-19, contra gripe, sarampo, tétano, rubéola, caxumba, difteria… leve seus familiares para vacinar, destaque especial para crianças e idosos.

É uma obrigação dos bibliotecários, profissionais da informação, combater à desinformação e o negacionismo. Um trabalho constate, que precisa manter eterna vigilância. Relembrando a célebre frase de Neil Gaiman, autor de Sandman e outros grandes sucessos da cultura pop: “O Google pode te dar cem mil respostas, mas o bibliotecário te dará a resposta certa”. Portanto, vacinas sim, fake news não!

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