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No mês de março estamos acostumados a participar de eventos presenciais em comemoração ao dia do bibliotecário, porém neste ano está sendo diferente, pois é pela primeira vez que estamos comemorando de forma totalmente on-line. Até o ano passado, estávamos em trabalho presencial e, poucos dias depois, mais precisamente no dia 16 de março, entramos em trabalho remoto. Pensávamos que seria apenas uma quarentena de poucos dias, mas não foi o que aconteceu.

Após quase um ano estamos nos reunindo virtualmente para comemorar este dia tão especial para todos nós. Tive a oportunidade de participar de algumas lives comemorativas, onde vêm sendo destacado o trabalho do profissional de biblioteconomia e os desafios que a circunstâncias atuais, com o isolamento social da pandemia de COVID-19, nos impôs.

Durante o evento “Biblioteconomia pós-pandemia: os desafios do profissional bibliotecário” (clique aqui para assistir), realizado no dia 12 e organizado pela Biblioteca Central do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP (SBU), mediada pela bibliotecária Gislane, contou com a participação da coordenadora do sistema, Valéria dos Santos Gouveia Martins, e foi proferida pela Prof.ª Dr.ª Valéria Valls (Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo FaBCI/FESPSP).

A coordenadora do SBU parabenizou a equipe das bibliotecas da UNICAMP e demais profissionais de outras instituições. Ela mencionou que “apesar de sermos poucos citados, mas muito temos feito durante esta pandemia. Se as escolas e os alunos hoje têm a oportunidade de estar dando continuidade aos estudos, é graças ao corpo de bibliotecários, me referencio a todos”.

Valls iniciou a sua fala fazendo uma retrospectiva deste ano tão difícil com perdas em tantas famílias.

Após a homenagem de luto, a professora nos conduziu a uma reflexão sobre os desafios e as oportunidades que a classe profissional está tendo quanto à execução das atividades como: a virtualização dos serviços; a importância dos acervos e informações digitais, como os acervos de acesso livre ganharam muito mais importância; a ampliação dos canais de comunicação com a comunidade; a necessidade de estreitar parcerias internas e externas para garantir uma melhoria nos produtos e serviços oferecidos; o desafio da gestão de equipes no sistema home-office, como a implantação de novos mecanismos de comunicação, com grupos de whatsApp, reuniões remotas, controles de produtividade etc.; ações para ampliar a competência informacional dos usuários das bibliotecas; a geração de conteúdos digitais para apoiar a comunidade; e apoio aos docentes para a realidade de aulas remotas nas bibliotecas acadêmicas (tanto as universitárias como as escolares).

Valls também apresentou outros desafios, agora relacionados aos profissionais: aprender com as experiências já implantadas, troca de experiências, fortalecer os relacionamentos entre os pares; o profissional deve estar aberto a transformação digital; ser resiliente e adaptável (como pessoa e profissional); ser inovador e criativo; e o desenvolvimento de novas competências (lives, cursos, encontros virtuais).

Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana. (Juramento regulamentado pela resolução nº 6, de 13 de julho de 1966, do Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB).

Valls relembrou o juramento do bibliotecário enfatizando a importância da ciência para o profissional, principalmente, para o mundo no momento atual, onde as fakenews e a infodemia estão presentes nas mídias/redes sociais no dia a dia. Por fim, ela conclamou os bibliotecários com uma metáfora da máscara, que tanto fez e fará parte dos nossos dias. A professora nos pediu para atuarmos como as máscaras no combate às informações falsas.

Em seguida, tive a oportunidade de prestigiar uma outra live com relatos de experiências de bibliotecários durante a pandemia de COVID-19. O evento “Bibliotecas universitárias na pandemia, como reinventar serviços de informação em meio ao caos”, organizado pela Biblioteca Central do Gragoatá, subordinado à Coordenação de Bibliotecas da Superintendência de Documentação da Universidade Federal Fluminense (BCG/SDC/UFF).

A live contou com a participação dos profissionais: Adriana Ornellas (PPGAS/MN/UFRJ), Ana Carolina Carvalho (UNIRIO), Joice Soltosky Cunha (CB/C/UERJ), Maria Helena Xavier (BCG/UFF), Renato Reis Nunes (IFRJ), com mediação de Carina Volotão (BCG/UFF). Cada bibliotecário apresentou brevemente a instituição em que trabalham com suas respectivas especificidades.

No encontro havia profissionais que atuam em bibliotecas centrais, como a BCG/SDC/UFF e a Biblioteca da UNIRIO, que atendem a vários cursos; que atuam em bibliotecas especializadas, como a PPGAS/MN/UFRJ e a CB/C/UERJ, que atendem às Pós-graduações em Antropologia do Museu Nacional (UFRJ) e Medicina (UERJ), respectivamente; e, por fim, que atua em biblioteca dos Institutos Federais, sendo que esta, seus usuários são, principalmente, adolescentes.

Foi percebido em todas as falas que os profissionais adaptaram os serviços presenciais e os tornaram virtuais com o intuito de aproximar a biblioteca da comunidade e atender às necessidades do usuário. Para isso, tiveram que dar mais valor aos serviços das redes sociais (facebook, instagram, twitter) e até mesmo criaram mais canais de atendimento ao usuário como formulários eletrônicos e whatsapp. Serviços como catalogação em bases de dados e sistemas continuam, porém, a todo instante tentam priorizar os acervos de acesso livre, como e-books, artigos científicos online, bases de dados.

Durante os depoimentos, vimos que as atividades no home-office não são fáceis, pois é preciso conciliar a vida pessoal (familiar e de estudo) com a profissional no ambiente de casa. Muitas vezes trabalha-se até mais, porém os horários são flexíveis, pois cada um tem sua rotina, seja com filhos em casa, pais etc. É um momento atípico, de muito trabalho, mas de muito aprendizado também.

Além da dificuldade quanto ao tempo, outros problemas destacados foram relacionados a equipamentos e a internet, pois no trabalho home-office e/ou nas aulas remotas os alunos dependem de equipamentos próprios, que nem sempre estão disponíveis e/ou eficientes para o que se necessita.

Com relação ao aprendizado, os bibliotecários estão tendo que aprender outras ferramentas, como o CANVA, utilizado por design gráficos para a elaboração de conteúdos virtuais, técnicas de marketing e ferramentas para fazer lives. Por fim, pedi para que resumissem em uma palavra ou frase curta o trabalho do bibliotecário nesta fase de isolamento social e me responderam com as seguintes palavras: agilidade, adaptação, reinvenção, aproximação (criar laços pessoais com a equipe, usuários e pares), compromisso, inovação e responsabilidade de quem somos.

Os relatos e as palavras exemplificaram tão bem o que a professora Valéria Valls falou mais cedo. Posso dizer que as duas lives se conectam e se completam tão bem, mostrando que os profissionais das instituições do Rio de Janeiro: UFF, UNIRIO, UFRJ, UERJ e IFRJ estão se reinventando e tendo o compromisso com o juramento feito durante a colação de grau.

Gostaria de finalizar este texto com uma mensagem que demonstra muito bem o valor do profissional: “O patrimônio mais valioso da biblioteca vai embora a noite – sua equipe de bibliotecários.” (Timothy Healy, ex-presidente da Biblioteca Pública de Nova York). Atualmente, não vamos embora, só estamos do outro lado da tela. Parabéns a todXs bibliotecáriXs por manterem o templo do saber, a biblioteca viva, pois a ciência e a sociedade precisam de nós!!!

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