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De acordo com o jornal português Público, cerca de um milhão de alunos do ensino básico e secundário, o que representa 76,5% do total de estudantes de Portugal, estão em escolas onde existe uma biblioteca. Segundo a reportagem, em 1997 existiam 164 bibliotecas nas escolas lusitanas, mas no ano passado este número já estava em 2.426. Os dados são da Rede de Bibliotecas Escolares daquele país.

Os números da Rede mostram que todos os estabelecimentos de ensino do 2º e 3º ciclo e secundárias estão abrangidas por um equipamento destes, mas falta ainda garantir que todos os do 1º ciclo com mais de 100 alunos também tenham a sua biblioteca.

A reportagem informa que um dos objetivos é consolidar o trabalho das bibliotecas, o que só poderá ser feito com a “promoção do gosto pela leitura, seja em formato impresso ou digital”, afirma Manuela Silva, presidente da Rede de Bibliotecas Escolares. “Nas bibliotecas queremos que os alunos sejam os protagonistas da sua aprendizagem”, diz ela, acrescentando que isso passa também pelo desafio de ensinar os estudantes a “usar a informação que têm disponível de forma autônoma e crítica”.

Os mais novos são os que gostam mais de ler

Nas bibliotecas escolares de Portugal, informa a notícia, os alunos do 1º ciclo, que são os mais novos, e que estão ainda muito receptivos a estes objetos que são os livros, são os principais fãs deste objeto, revela Manuel Silva.

O mesmo entusiasmo, acrescenta, pode ser encontrado também nas salas da pré-escolar, onde os livros são lidos em voz alta e folheados com deleite. Esta disponibilidade para a leitura decresce substancialmente no 3º ciclo: para os alunos adolescentes o atrativo número um das bibliotecas são os dispositivos electrónicos que ali têm ao seu dispor.

No ano passado, último com estes dados disponíveis, existiam 21.791 computadores para uso nas bibliotecas das escolas e cerca de dois mil dispositivos de leitura digital — em 2012 estes últimos eram apenas 348.

Menos professores

O problema apontado na reportagem é que o número de professores-bibliotecários, a quem compete gerir e animar estes espaços, está em queda: passou de 1.334, em 2014, para 1.301, em 2016. Segundo Manuela Silva, esta diminuição reflete a redução do número de alunos, que têm sido particularmente acentuada no 1º ciclo.

Por lei, a seleção de professores às bibliotecas, que é feita por concurso, depende do número de alunos existente nas escolas ou agrupamentos. Em média, os professores bibliotecários têm 50 anos de idade e a maioria é do sexo feminino, repetindo assim o perfil dominante na classe. Também por lei, não podem exercer esta função em exclusivo aqueles profissionais que têm de ter uma turma para ensinar ou garantir horas de apoio aos alunos.

No Brasil

Enquanto isso no Brasil a Lei nº 12.244/2010, conhecida como lei da biblioteca escolar, não fez avançar quase nada esse cenário. Embora os números não sejam atuais (2014), eles servem de parâmetro: 53% das 120,5 mil escolas públicas do país não têm biblioteca ou sala de leitura.

Se não resta dúvidas de que o implemento destes equipamentos esbarra no quase inexistente esforço do poder público, a mobilização dos bibliotecários (ou falta dela) conta muito. Preocupado exclusivamente com a reserva de mercado, este profissional parece não perceber que seremos um país eternamente fadado à ignorância em relação à importância destes instrumentos culturais se continuarmos negando o diálogo com outras categorias profissionais especialmente os professores. Como é possível perceber pela notícia, a solução encontrada em Portugal foi a instituição da figura do professor-bibliotecário, experiência que precisamos conhecer mais a fundo.

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