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Gabriel Naudé, o famoso bibliotecário francês, foi a primeira pessoa a descrever o que é um golpe de estado. Esse é apenas um dos muitos conhecimentos compartilhados por Briquet de Lemos durante a conferência de abertura da rodada de palestras da trigésima terceira edição do Painel de Biblioteconomia de Santa Catarina.

Segundo Briquet, Naudé foi o precursor da formação e desenvolvimento de coleções, o que se verifica a partir da publicação do seu livro “Advis pour dresser une bibliotheque”. “O livro ensina como montar uma biblioteca, dedicando uma especial atenção para formação de acervos, com a lista de livros de que estariam em uma biblioteca ideal da elite”, informa Briquet.

Briquet de Lemos em apresentação no 33º Painel de Biblioteconomia de SC. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo
Briquet de Lemos em apresentação no 33º Painel de Biblioteconomia de SC. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo

O professor aposentado da UnB e editor fez uma grande explanação da história das bibliotecas no mundo e muitos de seus profissionais, dentre os quais se inclui, além de Naudé, Paul Otlet, Manuel Peregrino da Silva, entre outros.

Recordando a história da Biblioteca de Alexandria, famosa biblioteca da antiguidade, Briquet lembrou que ela se tornou um mito em função da sua ambição em criar um acervo universal. “Os fundadores queriam que estivesse presente nessa biblioteca toda a memória do mundo. Sequestravam livros que os navios traziam. Essa história de querer todos os livros do mundo em um lugar vai estar presente em outras histórias depois disso”, lembra ele.

Briquet de Lemos em apresentação no 33º Painel de Biblioteconomia de SC. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo
Briquet de Lemos em apresentação no 33º Painel de Biblioteconomia de SC. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo

Segundo Briquet, o estudo dos antigos registros da informação permite concluir que o conceito de ordem está presente em todos os momentos na organização desses registros. Na antiguidade os intelectuais que trabalhavam nas bibliotecas da Grécia eram os escravos. “Não eram os escravos que estamos acostumados. Eram pessoas bem informadas”, garante o professor.

Briquet lembrou Calímaco, o qual teria feito o primeiro catalogo do mundo ocidental. “Calímaco além de descrever o livro, acrescentava informações bibliográficas sobre o autor”, destaca. Ele finalizou sua apresentação citando David Lankes para que “a missão dos bibliotecários é melhorar a sociedade ao possibilitar a criação de conhecimentos em suas comunidades”.

Briquet de Lemos em apresentação no 33º Painel de Biblioteconomia de SC. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo
Briquet de Lemos em apresentação no 33º Painel de Biblioteconomia de SC. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo

O evento

Organizado pela Associação Catarinense de Bibliotecários (ACB), o evento que está discutindo a biblioteca para além de suas paredes, lotou o auditório do Centro de Educação Profissional Dário Geraldo Salles (CEDUP) com pessoas vindas de diversos lugares do Brasil e até do exterior. Daniela Spudeit, vice-presidente da ACB, deu as boas vindas ao público desejando um ótimo momento de reflexão.

Oscar Bayer, diretor da escola do CEDUP, saudou os participantes ressaltando a necessidade de abertura de novas bibliotecas e novas escolas para a sociedade. Dentre as sugestões apontadas por Bayer esta a de abrir as escolas e as bibliotecas aos sábados.

No decorrer do dia foram realizadas uma série de palestras e debates acerca do fazer profissional e temas correlatos.

Singrid Karin Weiss Dutra, membro da comissão América Latina e Caribe da IFLA, destacou a importância do “Advocacy” para defender a profissão de bibliotecários. Segundo ela, tem de se acreditar que o movimento associativo é bom, sendo importante começar cedo a participação nestas entidades.

Daniela Spudeit também ressaltou o Advocacy, lembrando a luta do Movimento Abre Biblioteca Rio, o qual ela ajudou a fundar.

Em mesa dedicada aos novos rumos da educação na Biblioteconomia, Helen Rozados, membro da comissão de ensino do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), deu um panorama a respeito da quantidade de associados dos Conselhos nos estados brasileiros e também a respeito das instituições de ensino de Biblioteconomia no país. Ela falou do curso a distancia em Biblioteconomia e do acordo EAD CFB – CAPES/UAB para viabilizar este projeto.

Miriam Matos, coordenadora do curso a distancia de Bacharel em Biblioteconomia da Unichapecó, que é uma universidade comunitária de Santa Catarina, falou do desafio de tocar um trabalho que está começando agora. O curso, que terá sete semestres, será desenvolvido quase que integralmente a distância. O curso, que começa no primeiro semestre de 2016, terá dois polos: um em Chapecó e outro em São Lourenço com 25 vagas para cada polo.

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