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O dia 28 de novembro de 2020 marca os 200 anos de nascimento de Friedrich Engels, o teórico que, junto com Karl Marx, fundou o socialismo científico, estabelecendo uma revolução no pensamento político. É de Engels um dos livros que mais impactou a minha vida: “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra” (Boitempo, 2008), lançado em 1845.

“A situação da classe trabalhadora na Inglaterra” é um livro intenso e que, segundo o professor José Paulo Netto, responsável por supervisionar a mais recente tradução da obra para o português, é um dos principais textos da tradição socialista, que coloca pela primeira vez o trabalhador como sujeito central na história.  

Engels era rico, seu pai era empresário, e foi numa visita a uma das empresas do pai, em Manchester (cidade localizada no Noroeste do país), que ele pôde entrar em contato com a vida cotidiana dos trabalhadores e das trabalhadoras explorados e exploradas que viviam nos cortiços da cidade inglesa, que já se destacava naquela época pelo seu pioneirismo industrial.

Friederich Engels, um burguês de hábitos e vestimentas característicos, não teria acesso ao cotidiano dos trabalhadores sem a dileta ajuda de Mary Burns, operária de origem irlandesa, analfabeta e militante socialista. Burns, com a sua vivência e organicidade, foi praticamente uma coautora do texto apaixonante, sem ter escrito uma linha sequer. Ela literalmente abriu as portas das quebradas para o rapaz de família rica.

Engels e Burns se casaram sem formalizações, foram companheiros de vida e militância até a morte prematura da operária  irlandesa aos 41 anos. Recomendo fortemente a leitura da “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, também comemorar os 200 anos de Engels e jamais esquecer Mary Burns, mulher socialista e protagonista da história da classe trabalhadora.

Deixo aqui a “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra” como uma dica de leitura para se entender um pouco não só da classe trabalhadora inglesa do século XIX, mas também de boa parte da classe trabalhadora brasileira do século XIX, ainda muito explorada pelo capital. Abaixo destaco um texto que considero bastante representativo desta obra:

O proletariado é desprovido de tudo – entregue a si mesmo, não sobreviveria um único dia, porque a burguesia se arrogou o monopólio de todos os meios de subsistência, no sentido mais amplo da expressão. Aquilo de que o proletariado necessita, só pode obtê-lo dessa burguesia, cujo monopólio é protegido pela força do Estado. Eis porque o proletariado, de direito e de fato, é escravo da burguesia, que dispõe sobre ele de um poder de vida e de morte. Ela lhe oferece os meios de subsistência, mas em troca de um “equivalente” – seu trabalho; e chega ao ponto de lhe dar a aparência de agir segundo sua própria vontade, de estabelecer livremente com ela um contrato, sem constrangimentos, como se o proletariado fosse o autor de seu próprio destino. Bela liberdade, que deixa ao proletariado, como alternativa à aceitação das condições impostas pela burguesia, a chance de morrer de fome, de frio, de deitar-se nu e dormir como animal selvagem! Belo “equivalente”, cujo montante é inteiramente deixado ao arbítrio da burguesia! E se o operário for suficientemente louco para preferir morrer de fome a se submeter às “justas” propostas dos burgueses, seus “superiores naturais”‘? Ora, é fácil encontrar um outro que as aceite, pois há muitos proletários no mundo e nem todos são insensatos o bastante para preferir a morte à vida.

Título: A situação da classe trabalhadora na Inglaterra

Autor: Friedrich Engels

Editora: Boitempo

Ano: 2008

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