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Nos últimos 18 meses grandes mudanças aconteceram na minha vida. Algumas boas, outras excelentes, poucas ruins. Duas, contudo, visitam minha mente sempre que não estou distraído. Uma delas é sobre a crítica pessoal sobre o que escrever e falar para outros. Afinal, todos nós sabemos como exatamente o outro deveria agir em determinada circunstância, contrariando as decisões que afirmamos para nós mesmos. Isto é, o que eu e a maioria dos que observo dizem, contrariando algumas das que tomamos em relação à própria vida. Conscientizar-me disso não me torna melhor que ninguém, talvez um pouco pior diante das atitudes que eu tomava.

Veja o conto O catalogo do escritor norueguês Jostier Gaardien. Trata-se de um relato do redator-chefe do “catálogo”, que é uma espécie de obra onde cada ser humano deve contribuir de quatro em quatro anos com um texto de sete a catorze linhas. A crítica do autor vem de brinde nas ironias como esta, em que ele afirma que quatro anos é o suficiente para uma pessoa ter no mínimo um bom pensamento.

“Pelo menos uma vez a cada quatro anos, as pessoas deveriam fazer um esforço e se perguntar como estão avaliando sua vida neste planeta. Elas precisam, por assim dizer, tirar a colher da boca e se perguntar para que estão comendo.”

E no fim ele chega à conclusão que a melhor forma de contribuir com o catálogo é simplesmente não escrevendo nada. Uma autocrítica que tenho me feito constantemente: se realmente auxilio alguém na sua rota de vida, ou iludo meu ego, achando que faço isso!

A segunda tem a ver com a acumulação das coisas. Somos seres colecionadores! Gostamos de ter. Muitos de nós gostamos de ter reservas de todos os tipos. Somos programados geneticamente para isso. Nunca se sabe quando precisaremos daquela sacola plástica, então providenciamos um “puxa saco” – recipiente próprio para armazenar sacolas de supermercado. Nunca se sabe quando vamos ter vontade de reler aquela revista, então lotamos o revisteiro com números antigos. Nunca sabemos quando teremos tempo para ler o jornal, então vamos acumulando os montes num canto do quarto. Opa! Agora já é exagero!

Essa é a grande questão: quando perceber que o acumulo de objetos que não utilizamos chegou ao exagero?

Somos todos acumuladores e é extremamente difícil não ser… Assim como é passar 24 horas sem gastar dinheiro nenhum. Um acumulador não pode ser confundido com um colecionador, já que este seleciona objetos específicos para sua aquisição e manutenção e, em geral, tem apego aos itens colecionados, mas pode utilizá-los para a troca ou para a venda sem sofrimento psíquico desproporcional. Sem sofrimento emocional pode ser a chave para diferenciar um do outro.

Já sofri muito com o empréstimo de livros, desde o momento que me pediam, até o momento que recebia o livro de volta, isso se recebia.

Dentre os mais variados tipos de acumuladores descritos: de lixo, de animais; de compras ou de um tipo só de objeto, como livros. Eu me classificaria em “o acumulado de conhecimento desnecessário”, ou serei o único que já estudou algo que nunca mais teve serventia na vida? Algo que não tenho a pretensão de repetir na vida.

Então, em resumo, é isso. Tento ser muito crítico com o que escrevo e falo, e ao mesmo tempo tenho questionando a utilidade de tudo que entra na minha vida, desde conhecimento, leitura e livros. E você, já teve alguma crise autocritica na área do conhecimento? Compartilhe conosco!

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1 Comentário

  1. 13 de novembro de 2014 a 17:28 — Responder

    Somos acumuladores sim, ás vezes inconscientes e muitas conscientemente, eu não empresto livro, nem dvd e muito menos cds, já perdi muitos por causa disso. Tenho uma boa coleção dos três itens e sim, eu sei que muitos são da categoria conhecimento desnecessário, mas, você já parou pra ver a grade curricular das Universidades? Tem muita matéria que nunca vamos usar, assim como na escola, eu ficava puto quando tinha aula de trigonometria, eu pensava:
    – Onde eu vou usar essa ********??????
    Bom texto. Grande abraço !!!

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