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É preciso fazer uma ponderação antes de entrarmos no debate sobre a taxação do livro. Para ser justo e de fato democratizar o acesso do conjunto da população ao livro, ele não deve estar pautado numa visão ultraliberal contra os impostos. Os recursos gerados pelos impostos, quando bem aplicados, são importantes para manutenção dos direitos sociais e dos serviços públicos. A gritaria generalizada contra os impostos é uma armadilha já conhecida, invariavelmente utilizada para preservar privilégios de que não paga impostos.

A depender dos discípulos do neoliberalismo, pode-se retirar a taxação de 12% sobre os livros, mas a lógica de taxar os mais pobres e liberar os ricos no conjunto da reforma tributária deve prevalecer. Defender a desoneração do livro e ignorar o debate sobre o imposto progressivo, mecanismo no qual quem ganha mais paga uma proporção maior em relação àquele que ganha menos, além de incoerente, dificulta verdadeiramente o acesso dos mais pobres aos bens culturais e ao próprio exercício dos direitos culturais.

Uma reforma tributária justa não deve ser debatida com o umbigo, as representações dos diversos setores do livro e leitura, que não habitam uma bolha, devem lutar pelo barateamento do livro, mas há que se olhar para o conjunto de medidas que compõem a reforma e como elas impactam na vida das pessoas. É uma tarefa que está longe de ser apenas uma cruzada corporativa e corporativista.

Sou contra a taxação dos livros, mas sobretudo, sou contra uma reforma escorchante sobre aqueles que ganham menos e possuem menos poder de pressão. A reforma tributária é uma oportunidade para corrigir erros históricos e debater profundamente a concentração de renda. Antes de sairmos gritando que somos contra a taxação sobre o livro, é melhor que analisemos as armadilhas ideológicas embutidas, o subtexto. O ultraliberalismo através de seus porta-vozes é muito insidioso.

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