São Gonçalo é um município do Grande Rio de Janeiro com mais de 1 milhão de habitantes, sendo o segundo colégio eleitoral do estado e 16º mais populoso do país. Recentemente foi noticiado o fechamento da única biblioteca pública municipal da cidade.

A biblioteca conhecida como Lavourão, pois ficava no Centro Cultural Joaquim Lavoura, onde abrigava também a Secretaria de Educação desde 1988, localizava-se no bairro Estrela do Norte, próximo ao Centro da cidade e ao lado do Sesc-SG.

Criada em 1942, a Biblioteca possuía, aproximadamente, 25 mil livros (dados da Secretaria Municipal de Educação – SEMED) e atendia alunos das escolas públicas e privadas da cidade, pois como sabemos a biblioteca escolar ainda não é uma realidade na maioria das escolas brasileiras.

O mesmo jornal informou que “segundo as denúncias, os livros foram encaixotados na última semana e levados para um galpão, no local onde funcionava o 3º Batalhão de Infantaria (BI), na Venda da Cruz, São Gonçalo. Lá, hoje, existe um condomínio de prédios do ‘Minha Casa, Minha Vida’, uma escola municipal e a sede da Guarda Municipal”.

Ainda de acordo com o jornal, o vereador Professor Paulo (PCdoB), que integra a Comissão Permanente de Educação da Câmara, disse ter procurado o galpão para onde esses livros teriam sido levados, mas não o localizou. “Encontramos um espaço com cadeado fechado que apenas a Secretaria de Educação tem as chaves”, disse.

Após a denúncia e a repercussão da informação nas redes sociais, a Prefeitura de São Gonçalo emitiu uma nota em seu site informando que a “Biblioteca Municipal em breve será instalada em Alcântara, numa área de 128 metros quadrados, toda equipada e decorada. Além disso, uma parceria com a Fundação Darcy Ribeiro vai garantir a ampliação do acervo, que já conta com mais de 20 mil livros”.

Segundo a administração municipal, as obras de reforma no novo espaço já começaram. “Começamos o trabalho, mas é preciso entender que não temos como fechar a biblioteca às 17h em um lugar e reabrir às 9h no dia seguinte em outro local. É uma biblioteca, com milhares de livros catalogados, tem que ter organização. A gente precisa pelo menos de um período de 60 dias para a reorganização. Mas estamos com uma meta de em 30 dias fazer a inauguração”, afirmou Marcelo Azeredo, secretário municipal de Educação.

O absurdo nesta história é que no local da antiga sede da biblioteca encontra-se fechada e ainda está sendo discutido o que será feito no local, conforme a reportagem do O São Gonçalo.

Não seria mais prudente a Secretaria de Educação ter realizado a obra na nova sede antes de empacotar todo o acervo da Biblioteca Lavourão? Após as obras no local, deveria ser feita a mudança deste para o local. Com isso quem perde mesmo é a população que fica sem acesso aos livros.

Gostaria de saber se agora o Sesc-SG poderá ter uma biblioteca, pois soube através de representantes da instituição que esta não podia ter devido a uma determinação da Prefeitura que não achava necessária ter duas bibliotecas próximas.

O Conselho Regional de Biblioteconomia – 7ª Região (CRB-7) também emitiu uma nota de repúdio. “As bibliotecas são espaços onde se obtém o conhecimento necessário para a formação acadêmica e cultural das pessoas, sendo o fechamento da única biblioteca pública da cidade uma atitude temerária e contrária aos anseios da própria população”, diz a nota.

Em uma das reportagens, a cidadã Ana Paula Manzi deu o seu depoimento online: “Um absurdo, trabalho em uma das 6 bibliotecas pública municipal de Niterói, que fica no Barreto, e temos um grande número de leitores de SG. Pode parecer que não, mas ainda existem muitas pessoas que leem, só aonde eu trabalho são mais de 1500 leitores cadastrados. Muitos dos leitores, ironicamente, moram neste condomínio da Venda da Cruz.”

Não é a primeira perda para a cidade. Há dois anos, o “Mais Leitura”, um projeto da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, que vendia livros a preços populares, foi extinto na cidade, apesar da grande procura e de venda de livros.

Há também alguns projetos de incentivo de leitura como, por exemplo, a Biblioteca Comunitária Visconde de Sabugosa, no bairro Jardim Catarina (SG), criada pelo pedreiro Carlos Luiz Leite, que já foi entrevistado pela Biblioo, além da Associação Cultural Livro em Movimento, em Niterói, que também atende  os anseios de leitura dos moradores de São Gonçalo.

Lembro também que em junho de 2017, Jornal O São Gonçalo se propôs a realizar uma intervenção literária nos coletivos da região. “Com o objetivo de incentivar o acesso à cultura e ao lazer, cerca de 400 livros foram distribuídos em coletivos. Idealizada pelo gerente de distribuição de OSG, Bruno Sereno, a ação aconteceu em linhas que ligam São Gonçalo a Niterói. As obras foram coletadas por meio de doações.”

Outro exemplo é o espaço Compartilhe Leitura do Partage Shopping São Gonçalo onde os clientes podem trocar livros (doar e pegar obras). O projeto é uma iniciativa pioneira e muito bem sucedida, pois a visitação média diária de 25 mil consumidores. Conheça o espaço clicando aqui  e mais sobre o projeto clicando aqui.

Apesar da falta de bibliotecas na cidade, o município é um celeiro de graduandos em biblioteconomia (UFF, UNIRIO e UFRJ) e bibliotecários, porém a maioria destes estagia e/ou trabalham em municípios vizinhos devido à carência de bibliotecas na cidade.  Inclusive o atual presidente do CRB-7, Marcelo Marques, é morador de São Gonçalo.

Em março de 2015 a Prefeitura promoveu a única ação popular de cultura e de leitura na cidade o “I Salão Municipal do Livro: São Gonçalo cidade leitoraInfelizmente, parou apenas nesta iniciativa.

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