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Por Amanda Prado, do O Dia.

Rio – Parece uma daquelas casinhas de passarinho, mas é um ninho de livros que abre uma portinha de literatura para fazer a palavra voar. Com essa sequência de diminutivos começa uma história que tem conquistado muita gente por diversos pontos do Rio: a ideia de espalhar pequenas bibliotecas colaborativas em espaços públicos da cidade. A iniciativa saiu da cabeça da publicitária Renata Tasca e começou a ser implantada no início do ano. É simples: qualquer pessoa pode deixar ou pegar a obra que quiser — e é tudo de graça.

Na miniatura de madeira montada em Copacabana, na Praça Sarah Kubitschek, já nem cabem novos livros. Muitos estão espalhados perto do ninho por falta de espaço. E era lá que estava o Gilson Soares, de 70 anos, num fim de tarde, a bisbilhotar as novidades.

 O tradutor aposentado Gilson Soares faz sua visita periódica à casinha de livros instalada na Praça Sarah Kubitschek, em Copacabana Foto:  Uanderson Fernandes / Agência O Dia

O tradutor aposentado Gilson Soares faz sua visita periódica à casinha de livros instalada na Praça Sarah Kubitschek, em Copacabana
Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Vim aqui pela manhã e deixei um livro. Voltei agora para ver se algo novo havia chegado”, disse o tradutor aposentado. Gilson acompanha os ninhos literários desde o começo do projeto, e mora ali perto mesmo, onde Copacabana começa a virar Ipanema. “Eu leio muito. Leio tudo, o tempo todo”, comentou.

No trajeto entre uma lixeira da Praia do Arpoador e a barraca onde estão os pais de um menino, uma casinha chama a atenção no meio do caminho. Os olhos curiosos da criança buscam entender o que ele não pode alcançar, e a solução é chegar perto e ficar na ponta dos pés para espiar o que tem dentro.

É difícil o ninho rosa passar despercebido por quem anda pela orla, onde Rafael Bezerra, 26, vende brigadeiros. Ele sempre vê quem chega com um livro e quem sai com outro. “Ontem mesmo uma mulher deixou uma sacola cheia de títulos diferentes aqui”, comentou o cearense. “Acho interessante que algo assim exista na cidade, para que qualquer pessoa possa ter o que ler sem precisar comprar”, completou.

No mesmo lugar, André Pereira, 15, escolheu o livro pela estética. Pegou logo o mais bonito, de capa dura. Depois percebeu que era em inglês e voltou para trocar. “Queria um livro para ler, mas o outro não dava. Agora vou levar esse”, disse, olhando para um exemplar de ‘Que estás no céu’, de Ignácio Telles. “Escolhi pelo título”, comentou o estudante.

 Ninho literário da Praia do Arpoador chama a atenção das pessoas Foto:  Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Ninho literário da Praia do Arpoador chama a atenção das pessoas
Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Todo apoio da prefeitura

Além dos custos com a criação das casinhas literárias, o Ninho de Livro também tem gastos com a manutenção dos espaços, já liberados pela prefeitura, para que continuem a funcionar da melhor forma para as pessoas.

“Fazemos uma ronda semanal limpando as casinhas e fazendo uma avaliação do uso. Além disso, colocamos os livros”, disse a criadora do projeto, Renata Tasca. “Continuamos a busca por mais marcas que acreditem e apoiem o nosso projeto”, completou.

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