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Com a pompa que só os políticos sabem dar a certos eventos, o então governador do Rio Grande do Norte, Robinson Farias, entregou, no último mês de dezembro, a reforma da Biblioteca Pública Câmara Cascudo (BPCC), a maior da capital potiguar, fechada desde 2012. Mas o prédio repaginado com café, galeria de arte, sala de vídeo e auditório permanece fechado desde então, fato que tem frustrando a comunidade de usuários que tem poucas opções de espaços como este na capital Natal.

Com investimentos da ordem de R$ 1,6 milhões, a BPCC foi criada pela Lei nº. 2.885 de 08 de abril de 1963, na gestão do à época governador Aluízio Alves e inaugurada pelo governador Monsenhor Walfredo Gurgel em 26 de fevereiro de 1969 sob o nome de Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Norte. A partir de 02 de outubro de 1970 ela passa a se chamar Biblioteca Pública Câmara Cascudo em homenagem ao historiador e antropólogo que passou toda a sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira.

De acordo com uma reportagem do jornal Tribuna do Norte, a Fundação José Augusto (FJA), órgão com status da Secretaria Estadual de Cultura do RN, tentou abrir um processo para a contratação de servidores para a Biblioteca no final do ano passado, mas não houve tempo hábil, uma vez que o governador estava concluindo sua gestão. Ainda de acordo com a reportagem, o acervo de cerca de 200 mil exemplares já estava catalogado naquele período, mas os livros ainda não haviam sido arrumados nas estantes.

Uma petição pública que circula na internet pede a reabertura da Biblioteca, que completou 50 anos no último mês de fevereiro. “Durante todos esses longos anos de portas cerradas, a comunidade foi privada de acessar o espaço cultural, informacional, educacional e de memória, de uma biblioteca que dispõe de mais cem mil exemplares, entre livros, revistas, jornais, fitas VHS, fitas k7, CD’s, DVD’s e uma hemeroteca (recorte de jornais), os quais encontram-se guardados desde a reforma”, diz o documento.

Interior da Biblioteca Pública Câmara Cascudo após a reforma. Foto: Agora RN

Segunda Gabrielle Francinne de Souza, professora do curso de biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e autora da petição, algumas pessoas compartilharam na internet a notícia de que a BPCC havia sido aberta, mas, segundo ela, quem passa em frente ao prédio percebe que o espaço continua fechado, pois os portões estão cerrados e não há qualquer movimentação no local. Ela explica que a ideia do manifesto surgiu como uma forma de “materializar” o desejo de quem quer ver a Biblioteca novamente aberta.

“Eu criei esse manifesto na esperança na mudança de gestão, pois a Fátima [Bezerra], agora governadora, parece mais sensível às questões culturais, tendo em vista a lei que ela criou em 2018 [Lei nº 13.696/2018], quando ela era senadora. Eu entendo que o estado está bem quebrado [financeiramente] e eu sei que tem uma bibliotecária, porque o outro [o bibliotecário Márcio Rodrigues] se aposentou e estado não consegue fazer concurso. Mas de qualquer forma eu acho que a gente tem de mostrar que está insatisfeito”, destaca a professora.

A Biblioo procurou a Secretaria Estadual de Cultura do RN, mas até o fechamento desta reportagem não havíamos tido retorno. Entre outras coisas, perguntamos: 1) se já existe algum prazo efetivo para a reabertura da Biblioteca; 2) como será o funcionamento da Biblioteca em relação aos dias e horários; 3) como será formada a equipe que atuará na Biblioteca (servidores concursados, contratados e/ou terceirizados?); 4) com quantos bibliotecários e auxiliares a Biblioteca contará; 5) se existe alguma pretensão por parte do governo em realizar concurso para bibliotecários e outros profissionais de biblioteca etc.

“Defender a Biblioteca Pública Câmara Cascudo é fazer avançar a luta pela redução das desigualdades, pela liberdade, pela justiça do acesso livre e gratuito do bem público. O livro, a informação, a leitura, a literatura, a biblioteca constituem em pilares básicos de qualquer sistema democrático, sendo um direito de todos os cidadãos brasileiros, e, sobretudo, dos cidadãos do Rio Grande do Norte”, diz a petição que contava com apenas 444 assinaturas até a publicação desta reportagem.

Após a coleta das assinaturas, Gabrielle pretende fazer a entrega à governadora como uma forma de pressioná-la e sensibilizá-la para a questão.

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