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Natural de Boa Vista (RR), Aldenor Pimentel é jornalista, poeta e escritor. Recebeu mais de 30 prêmios e menções honrosas em concursos literários nacionais e internacionais. Também é autor da obra “Deus para Presidência” (2015), selecionada em chamada pública e lançada originalmente em Portugal. Mantém o blog “O Estado da Arte de Aldenor Pimentel”, escreve para a coluna Letras Políticas, do Portal da Escrita, e é colaborador da Revista Pacheco, revista literária on-line. Organiza ainda o Concurso Literário Internacional Palavradeiros.

Atualmente está em turnê pelo Brasil para divulgar o seu mais novo livro, sua primeira coletânea de contos intitulada “Livrinho da Silva”. Em outubro e novembro deste ano fez lançamentos da obra em São Paulo, São Leopoldo (RS), Brasília e Catalão (GO). Os próximos destinos são Rio de Janeiro e Boa Vista (RR).

Publicada pela editora Catarse, de Santa Cruz do Sul (RS), a obra é composta de narrativas que se desenvolvem em torno do universo da leitura, do livro, da figura do escritor e da experiência da escrita. São histórias de vidas transformadas a partir do contato com o livro e da experiência da leitura ou que lancem novos olhares sobre a presença do ler e do escrever no cotidiano das pessoas.

Primeira publicação de contos do autor lançado pela Catarse. Foto: Divulgação

Além de escritor, poeta e jornalista, Aldenor, também é o titular do Colegiado Setorial de Literatura, Livro e Leitura (CSLLL) do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), pelo segmento da criação. Em entrevista à Biblioo, ele revelou como foi o processo de criação do seu primeiro livro de contos, comentou a respeito das dificuldades de publicação dos autores independentes e teceu críticas às políticas públicas nacionais de literatura, livro, leitura e bibliotecas. “É uma pena um governo que ache que investir em cultura é jogar dinheiro fora”, reclama.

Como começou sua relação com o livro e à leitura?

Cresci em uma família pobre, mas, volta e meia meu pai dava um jeito de me trazer um livro de histórias ou gibi, geralmente de personagens de desenhos animados da TV. Nos primeiros anos do ensino fundamental, lembro-me de ler livros da biblioteca da Escola Estadual Barão de Parima sobre lendas de Roraima. Nessa mesma época, comecei a escrever meus primeiros poemas. Eu já recebia elogios dos meus pais pelos versos que produzia desde ali pela terceira série, mas foi minha professora de língua portuguesa, da sexta até a oitava série, Eliane Araújo, quem me incentivou primeiro de forma mais sistemática. Em retribuição, a segunda edição do Concurso Literário Internacional Palavradeiros, que organizo desde 2016, tem ela (professora Eliane) como homenageada.

Nesse período, ganhei meu primeiro prêmio literário da carreira. Foi em um concurso de poemas sobre meio ambiente na Escola Técnica Federal de Roraima, ali pela sexta série. Logo depois também recebi premiação no Concurso de Contos Contados, organizado pelo governo do estado.

Sempre gostei muito de ler. Na escola, fui de clube de leitura. Além disso, lembro que no último ano do ensino médio, quando percebi que não teria mais o mesmo acesso à biblioteca da escola, comecei a emprestar vários livros, um atrás do outro. Li o máximo possível até o fim do ano, mesmo não sendo obrigatório. O Guarani, Macunaíma, Viagens de Gulliver, A Divina Comédia, Dom Quixote foram apenas alguns deles.

Como surgiu a ideia de criação e publicação deste livro?

Quando mais de um conto meu sobre esse universo temático começou a ser premiado em concursos literários, percebi que tinha em mãos o esboço de um livro com potencial para interessar ao grande público. Cheguei a inscrever o projeto do livro em edital de cultura e a enviar o original para editoras. Algumas responderam com propostas de autopublicação, quando os custos ficam por conta do próprio autor. Escolhi a proposta cujo preço final ao leitor fosse mais baixo. O que quero agora é formar público leitor.

Lançamento da obra no Rio de Janeiro está prevista para dezembro. Foto: Divulgação

Como você avalia o mercado editorial brasileiro atualmente?

O mercado editorial vive os reflexos da tal crise que o País enfrenta. Não é um cenário animador. As editoras estão receosas em apostar em novos talentos. Mesmo para autores consolidados, não está fácil. O que eu e outros escritores independentes temos feito é buscar caminhos alternativos. Publico meus textos em revistas e por meio de concursos literários nacionais e internacionais. Também tenho um blog. E finalmente decidi publicar meu primeiro livro por conta própria. Meu momento atual é de formar público.

Com sua experiência na área de livro e leitura como você avalia as políticas públicas do livro e da leitura no Brasil?

Sou titular do Colegiado Setorial de Literatura, Livro e Leitura (CSLLL) do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), pelo segmento da criação. Vivemos um momento de retrocesso em relação às políticas públicas nacionais de literatura, livro, leitura e bibliotecas. No governo anterior, a sociedade civil participou ativamente da construção do projeto de lei que pretende instituir a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), em tramitação no congresso, mas a gestão atual não esboçou nenhum movimento de apoio ao projeto. Além disso, este governo desrespeita as instâncias de controle e participação social, cujos representantes foram legitimamente eleitos pela sociedade civil. Nesta gestão, houve somente uma reunião do CSLLL. Recentemente, o governo cancelou a reunião do CNPC, que ele diz considerar como de grande importância. Além disso, o governo simplesmente cessou os debates para a realização da Conferência Nacional de Cultura. Não há diálogo. É uma pena um governo que ache que investir em cultura é jogar dinheiro fora. De qualquer forma, resistimos. E somos muitos!

Para quem quiser adquirir seu livro onde consegui-lo? 

Como se trata de autopublicação, por enquanto, o livro pode ser comprado diretamente com o autor, pelo e-mail:  [email protected]. Estamos pensando um plano de distribuição por livrarias de algumas cidades do Rio Grande do Sul, onde a obra foi produzida, e de Roraima. Dependendo da demanda, a partir do lançamento oficial, previsto para janeiro de 2018, em Boa Vista, esse plano de distribuição pode ser ampliado para outras cidades.

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