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Aeroportos: campo potencial de atuação aos profissionais da informação?

A contemporaneidade tem mostrado potenciais de atuação para profissionais da informação, constituindo uma expansão latente do chamado mercado informacional (para ler mais sobre mercado informacional, clique aqui). No entanto, não devemos observar esse potencial de atuação profissional como um fenômeno naturalizado, no sentido de que está consolidado, mas como fenômeno de conquista social e politicamente construída através de uma luta coletiva com órgãos de classe (conselhos), professores, profissionais, estudantes e a comunidade informacional de modo geral.

Entre os espaços em que é possível pensar a atuação do profissional da informação estão os aeroportos. O aeroporto é um espaço dinâmico de trânsito de sujeitos dos mais diversos perfis, como temporal (crianças/adolescentes/adultos/idosos) e profissional (servidores públicos, profissionais da iniciativa privada, profissionais liberais, autônomos, empresários etc.).

Por um lado, esse público, em muitas ocasiões, em virtude de atrasos nas conexões ou na espera pelo voo não possuem mitos atrativos em termos de cultura/educação/lazer/entretenimento, sendo pertinente a constituição de ambientes que motivem a presença dos usuários. Por outro lado, o próprio aeroporto necessita de ambientes para organização da informação como arquivos e ambientes virtuais de informação em geral, principalmente para prover processos de atuação com informação turística (aquela informação sobre os diversos pontos, localidades e aspectos de determinados espaços/territórios pautada no cotidiano dos usuários que frequentam os aeroportos a fim de promover tomadas de decisão).

Assim, considerando os múltiplos papeis dos profissionais da informação, os aeroportos podem dispor dos seguintes ambientes atuantes com informação turística e informação em geral, conforme explicita o quadro abaixo:

Quadro 1 – Ambientes para atuação dos profissionais da informação em aeroportos

Ambiente de informação Perspectivas de atuação
Biblioteca
  • Gestão da informação;
  • Serviços de informação (referência, disseminação seletiva da informação, informação utilitária etc.);
  • Produtos de informação (guias, cartilhas, manuais, aplicativos, sites/blogs, repositórios etc.);
  • Práticas leitoras (leitura da palavra e de mundo);
  • Práticas de incentivo à pesquisa;
  • Ações culturais e artísticas (contação de histórias, estímulo ao desenho, pintura, dança, teatro etc.);
  • Educação de usuários (treinamentos/palestras/conteúdos rápidos sobre questões diversas do cotidiano social);
  • Práticas de acessibilidade;
  • Estímulo à preservação da memória;
  • Uso de tecnologias;
  • Eventos.
Arquivo
  • Gestão documental;
  • Organização de documentos;
  • Serviços de informação;
  • Produtos de informação (guias, cartilhas, manuais, aplicativos, sites/blogs, repositórios etc.);
  • Práticas de incentivo à pesquisa;
  • Preservação da memória;
  • Uso de tecnologias;
  • Práticas de acessibilidade;
  • Eventos.
Museu
  • Organização de artefatos/documentos/acervos
  • Serviços de: fomento à leitura e pesquisa, educação de público, ações culturais, preservação da memória;
  • Uso de tecnologias;
  • Práticas de acessibilidade;
  • Eventos.
Sala de leitura
  • Ambientes voltados para formação de leitores por meio de práticas de letramento, ações educativas e artístico-culturais, assim como ambiente sobre fomento à informação turística.
Balcão de informações
  • Incentivo à informação utilitária no âmbito da informação turística, saúde, educação, trabalho/emprego, entretenimento/lazer etc.
Ambientes virtuais de estímulo ao acesso à informação como sites/repositórios/acervos/serviços
  • Criação de sites, blogs, repositórios, perfis/canais nas redes sociais sobre informação turística e informação no geral.

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E como é possível introduzir tais ambientes nos aeroportos brasileiros? Evidentemente que se torna necessário à construção de políticas de ação sentidas a partir de uma necessidade social pelo público que frequenta os aeroportos. Entretanto, é fundamentalmente relevante a união dos Conselhos representativos das áreas de biblioteconomia, arquivologia e museologia, de modo isolado ou conjunto, para propor à Infraero e outras empresas que administrem os aeroportos, visando a inserção de ambientes de informação.Fonte: elaborado pelo autor

A união dos seis ambientes de informação supramencionados, de maneira coordenada, poderia promover à formação de um centro cultural. Porém, os altos custos e necessidade de ampla infraestrutura poderiam inviabilizar esse projeto, considerando também que é pertinente o desenvolvimento de atividades céleres, visto que os usuários dos aeroportos não costumam dispor de um tempo alargado.

Inegavelmente, em termos de negociação, a instituição de bibliotecas e museus, embora pertinentes e promissoras, são polêmicas em face de uma possível “competição” ou ameaça com as livrarias e órgãos de comércio cultural nos aeroportos, bem como demanda efetivos custos do ponto de vista financeiro e estrutural. Já a implantação de arquivos é premente dentro do processo de organização interna dos documentos do aeroporto. Os espaços de sala de leitura e balcão de informações, por sua vez, são os mais propensos em termos de custos e dinamicidade cotidiana de atuação para os profissionais da informação, pois reverberam de maneira mais estratégica e clara o cotidiano informacional dos usuários. E, por fim, os ambientes virtuais de aprendizagem podem ser desenvolvidos de maneira independente ou atrelados aos outros ambientes indicados no texto.

Desse modo, a constituição de parcerias entre Conselhos e associações do campo da informação com a Infraero e outras empresas públicas e/ou privadas, pode ser um expediente expressivo para inserção de um aeroporto mais agradável e atrativo em termos de práticas informacionais no âmbito turístico e da informação em geral que aproximem ambientes de informação (bibliotecas, arquivos, museus, salas de leitura e balcão de informações) e comunidades de usuários.

Portanto, há inúmeras possibilidades de atuação dos profissionais da informação em aeroportos, mas as salas de leitura e o balcão de informação condizem de maneira mais didática, contemplando custos, infraestrutura, celeridade de tempo dos usuários, concepção de gestão e organização das informações e promoção de atividades como serviços, produtos e uso de tecnologias da informação. Vale inferir que as grandes possibilidades para tais empreendimentos constituem um papel político-institucional dos órgãos de classe na constituição do processo propositivo e de parcerias com o setor público-privado.

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