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Ao explicar esse titulo a uma amiga, ela na hora me veio com a pergunta: que raios livros têm há ver com felação? Calma, acompanhe meu raciocínio que já chego lá. Existem certos livros e textos que bastam um olhar e pronto: eles se vendem sozinhos; ficamos motivados e com desejo de ler e conhecer suas ideias impressas. O que você faria ao entrar numa livraria e encontrar um livro com esse titulo: Steal This Book (Roube este livro). Roubaria? Nele Abbie Hoffman aconselhava os seus leitores a viverem basicamente de graça. Como muitos seguiram seus conselhos, inúmeras livrarias passaram a se recusar a ter exemplares em suas prateleiras.

Pensando nisso, sempre me causou incômodo ver espaços mal ocupados em bibliotecas, onde facilmente um livro teria maior destaque, quem sabe com uma pequena placa “proibidos para menores”, “somente para inteligência plenas” ou “Vips”. Isso a meu ver bastaria para fazer toda diferença no incentivo de mais um livro encontrar seu leitor. Mas até hoje nenhum tipo de marketing biblioteconômico e informacional funcionou melhor do que a frágil tentativa da proibição.

Em inúmeros momentos da breve história humana, sociedades baniram e queimaram livros. Livros de todos os tipos: ideológicos, religiosos e científicos. Alguns propagavam idéias equivocadas como: livros que ensinavam a matar mulheres consideradas bruxas, supremacia de raças e os que defenderam a inferioridade de nacionalidades e das mulheres. Isso sem relacionar livros que são e foram maus interpretados.

E os livros perigosos? Será que existem? Livros que causam sofrimentos e morte, como o Manual Completo do Suicídio, do japonês Wataru Tsurumi que vendeu mais de um milhão de cópias, existido muitos casos noticiados do livro ter sido encontrado perto do corpo do suicida ou como Fabrizio Lupo, do escritor italiano Charles Coccioli  que conta a historia de um católico que descobre a própria homossexualidade e muito leitores, por se sentirem como a personagem, provocaram uma onda de suicídios no México.

Cinco livros perigosos

Como classificar um livro perigoso? Elaborei uma lista não pensando em mortes e sim em sofrimento e mudança que alguns livros causaram e ainda causam. Como todas as listas essa pode ter equívocos, foram retirados dessa lista livros religiosos e que tiveram conotação política, por isso esteja à vontade para defender seu ponto de vista ou determinado titulo.

1 – A inferioridade intelectual da mulher de Carl Moebius, século XIX, sem tradução para o português: Psicólogo influente em meados do século XIX, usando ideias disseminadas desde Platão e Aristóteles, defendia a restrição do direito feminino e sua inferioridade. Muito usado por pensadores antifeministas para apoiar suas ideias que mulheres são inferiores intelectualmente.

2- Essai sur l’inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) de Joseph Gobineau, 1855: Procurando estabelecer as diferenças que separavam as etnias humanas (branca, amarela e negra), Gobineau inventou um dos maiores mitos do racismo contemporâneo: o mito ariano. Seu livro virou referência obrigatória por todos aqueles que defendem uma superioridade de uma raça sobre as outras, apesar de não ter sido essa a intenção. O livro passou a ser usado para sustentar a escravidão. Segundo o autor, a mistura de “raças” sempre ocorreria levando a graus sempre maiores de degenerescência, tanto intelectual quanto física.

3- The Man Versus the State (O Indivíduo Contra o Estado) de Herbert Spencer, 1884: Vivendo numa época de enormes avanços científicos, o filosofo inglês Herbert Spencer foi o maior representante do evolucionismo nas ciências humanas. Foi ele quem intuiu a existência de regras evolucionista na natureza, antes mesmo do naturalista Charles Darwin (1809-1882). É dele a expressão “sobrevivência do mais apto”, e não de Darwin como é atribuída. Muitos leitores poderão afirmar que de perigoso o livro não tem nada, já que ele defendia o ensino de ciência para formar adultos competitivos, mas por defender que nas sociedades humanas só prevalecem os mais aptos, foi usado na defesa do capitalismo selvagem do século XIX, justificando que os ricos mereciam seus status por estarem mais preparados que os pobres e a busca incessante por riqueza e o total menosprezo pelos miseráveis.

4- The Anarchist Cookbook, (O livro de receitas do anarquista) de William Powell, 1971: Apesar de recente, esse livro não contem receitas de coelho refogado à Proudhon ou Bakunin, ou muito menos pormenores da dieta alimentar dos revolucionários do sistema. Nele você encontra instruções para explosivos caseiros, fogos de artifícios, bombas, como a rudimentar cocktail molotov, e até outras mais perigosas; drogas recreativas e equipamentos rudimentares para perturbação das telecomunicações. Tudo isso com materiais que você teria na sua cozinha. Foi escrito para protestar contra o envolvimento do governo dos EUA na Guerra do Vietnã. Desde então, inúmeros revolucionários utilizaram técnicas descritas nesse livro e em alguns países, como a Inglaterra, sua simples posse pode levar à prisão.

5- Ser ou não ser bibliotecário e outros manifestos contra a rotina de Edson Nery da Fonseca, 1988: Extremamente perigoso para atuantes biblioteconômicos. Um conjunto de manifestos e textos que chamam a atenção pelo conhecimento na área e sinceridade com que trata a profissão. O conhecimento de disputas e opiniões de personagens na biblioteconomia brasileira e um questionamento que permanece, inclusive para ingressantes na área. A biblioteconomia brasileira vai bem? Alguns abandonaram o curso após sua leitura.

E o sexo oral? Não me esqueci, mas lembra de que no início eu escrevi que tinham títulos que nos atraiam? Então!

O que você mudaria na lista? E porque?

Links para saber mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_livros_censurados

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_autores_e_obras_inclu%C3%ADdas_no_Index_Librorum_Prohibitorum

http://pt-br.protopia.wikia.com/wiki/Roube_este_livro

http://www.humanevents.com/article.php?id=7591 (em inglês)

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Anarchist_Cookbook (em inglês)

http://www.parana-online.com.br/canal/direito-e-justica/news/106120/

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Manual_Completo_de_Suic%C3%ADdio

http://www.slideshare.net/NathaliaCaliman/um-bibliotecrio-e-sua

http://edsonnerydafonseca.blogspot.com/2009/06/ser-ou-nao-ser-bibliotecario-e-outros.html

http://biblioo.com.br/edson-nery-da-fonseca-2/

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Comentários

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4 Comentários

  1. Tatiana
    4 de setembro de 2011 a 5:04 — Responder

    Post muito bacana. O desfecho dele foi melhor ainda kkk.
    Sua lista me fez lembrar de “A Revolução dos Bichos” para mim ele é um título perigosíssimo. Orwell também é fantástico…
    A Revista Biblioo tá 10!

  2. 13 de setembro de 2011 a 13:54 — Responder

    Acho que tem um pessoal que tá caindo aqui pelo titulo e não entende o site…

  3. Roberto Unger
    15 de setembro de 2011 a 16:44 — Responder

    Ótimo texto.
    Bem desenvolvido.
    Parabéns !!!

  4. Farson
    1 de junho de 2013 a 3:30 — Responder

    Ótimo texto! Valeu!

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