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A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulga anualmente uma classificação de periódicos nacionais e internacionais, nos quais haja publicações (periódicos, anais de eventos e livros) que representem a produção intelectual dos programas de pós-graduação brasileiros de todas as áreas do conhecimento. Essa classificação, chamada de Qualis, tem por objetivo aperfeiçoar os processos de avaliação dos Programas de Pós-Graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), ponderando a qualidade da produção intelectual dos docentes e pesquisadores.

Conforme indica o documento de área das ciências sociais aplicadas (CSA1) de 2013, o Qualis Capes para periódicos está estratificado e caracterizado da seguinte forma:

  • A1 – contempla periódicos de referência internacional indexados nas bases Web of Science e/ou JCR;
  • A2 – contempla periódicos de referência internacional indexados nas bases Scopus e/ou Scielo, além de artigos publicados por doutores de diferentes instituições com publicação de 50% por volume de autores ou coautores filiados a instituições estrangeiras;
  • B1 – contempla periódicos de referência nacional indexados em pelo menos uma das bases: LATINDEX (Sistema Regional de Información em Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España e Portugal); REDALYC (Red de Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal); DOAJ (Directory of Open Access Journals – periódicos eletrônicos); CLACSO (Consejo Latinoamericano de Ciências Sociales); CLASE (Citas Latinoamericanas em Ciencias Sociales y Humanidades), além de artigos publicados por doutores de diferentes instituições com publicação expressiva por volume de autores ou coautores filiados a instituições estrangeiras;
  • B2 – contempla periódicos de referência nacional indexado pela DOAJ (Directory of Open Access Journals) considerando também periódico que contenha artigos cujos autores doutores sejam vinculados a pelo menos 3 (três) instituições diferentes daquela que edita o periódico, por volume, além de manter periodicidade e acessibilidade;
  • B3 – contempla periódicos que contenha artigos cujos autores doutores sejam vinculados a pelo menos três instituições diferentes daquela que edita o periódico, por volume, além de manter periodicidade e acessibilidade;
  • B4 – contempla periódicos que contenha publicação de artigos com um número mínimo de autores doutores pertencente a diferentes instituições daquela que edita o periódico;
  • B5 – contempla periódicos que atendam aos critérios mínimos exigidos para ser classificado como periódico científico, mas não são relevantes para a área, assim como periódicos que atendam aos critérios mínimos, mas não atendem às exigências adicionais descritas nos estratos anteriores;
  • C – contempla periódicos considerados não científicos e inacessíveis para avaliação.

Os critérios definidos para classificação dos periódicos nos estratos delimitados possuem quatro grandes fundamentos: um de cunho técnico-científico, que está vinculado à qualidade e variedade dos artigos submetidos através de estudos que promovam impacto na área; outro de cunho institucional, que envolve o intercâmbio local, regional, nacional e internacional entre instituições e pesquisadores no sentido de fomentar submissões/publicações variadas nos periódicos; outro ainda de cunho histórico, que envolve o amadurecimento dos periódicos através da periodicidade, acessibilidade, registro nas bases de dados, entre outros e, finalmente, de cunho político-editorial, que delineia as normas, diretrizes, disseminação, formação de corpo editorial, científico, consultivo e avaliativo ou, em outras palavras, que montam as condições formais e estruturais de atuação do periódico.

Quanto mais os aspectos técnico-científicos, institucionais, históricos e políticos-editoriais de um periódico se consolidarem, mais possibilidades de classificação nos estratos elevados (A1 e A2) se ampliam, visto que valorizam a qualidade de atuação do periódico em nível nacional e internacional. Na página da Capes é possível encontrar diversos documentos que estabelecem uma imersão sobre os critérios e procedimentos de avaliação e atuação dos periódicos instituídos pela Coordenação, assim como localizar informações sobre os periódicos nacionais e internacionais incluídos no Qualis.

Qualis no campo da ciência da informação

E no campo da ciência da informação, como se dão a realidade dos periódicos e como estão incluídos no Qualis Capes? Inicialmente, vale destacar que os periódicos dessa área do conhecimento têm origem no início da década de 1970, através do periódico homônimo criado pelo Instituto Brasileiro de Informação, Ciência e Tecnologia (IBICT), à época chamado de Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), e da Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG (desde 1996 passou a se chamar “Perspectivas em Ciência da Informação”), ambas originárias de 1972, além da Revista de Biblioteconomia de Brasília (RBB), que encerrou as atividades em 2001, e a Revista Brasileira de Bibliografia e Documentação (RBBD), criadas em 1973.

No mês de dezembro de 2016 saiu a nova lista do webqualis alusiva ao ano de 2015 (ver quadro ao final). Nele se identifica os periódicos nacionais do campo da ciência da informação qualificados na Capes na área antes chamada de “ciências sociais aplicadas 1”, que passou a ser denominada, em dezembro de 2016, de “comunicação e informação”. A identificação do quadro se dá por ordem alfabética dos periódicos, considerando nome, data de origem, estrato (anterior e atual/2015), periodicidade, ISSN e link para acesso. Diante do quadro apresentado, algumas percepções gerais podem ser concebidas:

  • Existem em torno de 42 periódicos classificados no webqualis Capes (o extinto periódico Arquivística.net foi listado por ter Qualis antes de 2015), sendo constituídos em periódicos temporalmente distintos que variam entre o início da década de 1970 (ciência da informação e RBBD) e a década atual (Perspectivas em Gestão & Conhecimento, AtoZ, Logeion, Revista Folha de Rosto, entre outras);
  • Como essa classificação é referente ao ano de 2015, alguns periódicos criados em meados de 2015 (com apenas um número neste ano) e no ano de 2016 não entram na lista, sendo citados como exemplos o periódico Conhecimento em Ação (UFRJ) e Informação em Pauta (UFC);
  • Considerando a alínea anterior, é provável que um conjunto de periódicos no campo da ciência da informação sejam requalificados no próximo ano;
  • Parte significativa dos periódicos no campo da ciência da informação teve uma crescente no processo de qualificação como a Encontros Bibli, Em questão e Informação & Informação (B1 para A2), com a exceção de periódicos que decresceram como a Biblionline (B1 para B5) e Bibliotecas Universitárias (B4 para C) e outra parte considerável de periódicos manteve sua qualificação como Perspectivas em Gestão & Conhecimento, RBBD, RDBCI (B1), Biblos, Biblioteca Escolar em Revista (B3) etc;
  • Na escala do Qualis, os periódicos em ciência da informação se quantificam da seguinte forma: A1 (3 revistas – Perspectivas em Ciência da Informação, Informação & Sociedade e Transinformação), A2 (3 revistas – Em Questão, Encontros Bibli e Informação & Informação); B1 (14 revistas – Ágora, Brazilian Journal of Information Science: Research Trends, Ciência da Informação, InCID, Intexto, LiiNC em Revista, Perspectivas em Gestão & Conhecimento – PG&C, Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia – PBCIB, Ponto de acesso, Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação – RBBD, Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação – RDBCI, Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde – RECIIS, Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação – RICI e Tendências de Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação (TPBCI); B2 (3 revistas – Comunicação e Informação e Revista ACB); B3 (4 revistas – Biblos, Biblioteca Escolar em Revista, DataGramaZero e IRIS – Revista de Informação, Memória e Tecnologia); B4 (1 revista – Inclusão Social); B5 (12 revistas – AtoZ, Biblionline, Ciência da Informação em Revista, CRB8 – Digital, Informação@Profissões, Informação Arquivística, Informação e Tecnologia – Itec, Logeion, Múltiplos Olhares em Ciência da Informação, PerCursos, Revista Analisando em Ciência da Informação e Revista Folha de Rosto); C (2 revistas – Bibliotecas Universitárias e CRB6 – Informa);
  • Atualmente as revistas estão mais classificadas nos Qualis B1 e B5;
  • Embora não listados, é pertinente mencionar periódicos portugueses com muita afinidade com pesquisadores e instituições brasileiras como os Cadernos BAD: revista da associação portuguesa de bibliotecários, arquivistas e documentalistas (criada em 2005, com qualis B2, de caráter semestral e a Com: Revista de Ciências e Tecnologias de Informação e Comunicação (criada em 2005, com Qualis B5, de caráter semestral;
  • Em termos de região, os periódicos estão listados da seguinte forma: Sudeste (14), Sul (10), Nordeste (10), Centro-Oeste (2) e Intersecionalreferente a revistas que congregam instituições nacionais ou mais de uma região (6) como revistas vinculadas a ANCIB, IBICT (Parceria entre o setor administrativo em Brasília e o PPGCI IBICT-UFRJ) e FEBAB.

Portanto, diante de tal realidade, há um exponencial crescimento nos periódicos em ciência da informação no Brasil, tanto em quantidade, quanto em processos de qualificação institucional, embora seja pertinente indicar que não há um efetivo processo de autonomia nacional, visto que a Região Norte ainda não está inserida de maneira massificada nos processos de construção de periódicos, pesquisa e pós-graduação no campo da ciência da informação, sendo pertinente a constituição de parcerias inter-regionais entre cursos de graduação, pós-graduação, instituições e associações científicas no sentido de que as regiões mais desenvolvidas possam auxiliar aquelas mais carentes, estabelecendo critérios de aproximação e crescimento mútuo.

Lista de periódicos nacionais de ciência da informação classificados no Qualis Capes. Clique para acessar.
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