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Mais um ano se inicia e, com ele, a esperança de que desta vez as coisas darão certo. Todo início de ano a gente se pega fazendo promessas, traçando metas, revendo conceitos. Uma coisa que me faz querer sempre dar muito de mim é a questão informacional. Ser um agente e/ou mediador entre a informação e o cidadão é um dos motivos que me fazem amar a minha profissão.

Não há nada que me deixa mais chateado na vida do que a manipulação da informação. Eu me sinto ultrajado ao ver que pessoas podem ser enganadas por meio de informações, digamos, mal veiculadas. Na atual conjuntura, em que uma charge em rede social vira notícia para muita gente, é de suma importância que bibliotecárias(os) e outros profissionais da informação estejam atentos e, de forma ainda mais especial, lembrem-se de sua missão para com a sociedade.

Já expus aqui na Biblioo que sou bibliotecário, estudante de ciências sociais, além de mestrando em biblioteconomia. Isso tudo está disponível no meu breve currículo ao final da postagem. Alguns temas me são caros, não só pela curiosidade pessoal, mas também pela oportunidade de desempenhar um estudo que seja de certa forma utilizado pela sociedade, em busca de harmonização entre os seres que habitam a mesma Civita.

Os temas que me despertam paixão são: competência informacional; relações sociais; biblioteconomia social; sociedade e costumes; empoderamento do indivíduo. Neste texto buscarei discorrer sobre biblioteconomia social, mas tenho certeza que acabarei perpassando por todos que foram supracitados.

Nas últimas décadas muito se tem falado sobre a necessidade de modificação nas grades curriculares dos cursos de biblioteconomia espalhados no Brasil. Este movimento se deu mediante ao grande fluxo informacional, sobretudo no tocante às tecnologias. Muitos profissionais que outrora eram chamados apenas de bibliotecários passaram a assumir alcunhas como: cientista da informação, profissional da informação, dentre outras. A profissão ganha cara nova sob pena de cair no ostracismo.

Quando comecei o curso de biblioteconomia na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), não tinha lá muita noção do que um bibliotecário fazia. Ao longo do mesmo, tive a oportunidade de conhecer as várias vertentes em que um bibliotecário pode trabalhar e me interessei de pronto pela face humanista da profissão.

Meu Trabalho de Conclusão de Curso versa (dentre outras coisas) sobre a necessidade do(a) bibliotecário(a) assumir o papel de mediador da informação, e ser agente transformador na sociedade. Isso sempre me norteou na profissão e é o que me dá forças para acordar cedo todos os dias, e ir trabalhar.

Querendo fazer aquilo que minha consciência manda, escrevi um texto sobre a necessidade de ter responsabilidade com a informação em tempos de Fake News, e que foi publicado aqui na Biblioo no último mês de junho. Lembro que quis dialogar com os leitores e as leitoras, que era preciso ter responsabilidade com o compartilhamento de informações no período da campanha eleitoral que se iniciava.

Relendo o texto, até mesmo para ter arcabouço teórico para este e não me repetir, pude perceber que escrevi um texto quase que profético, ou seja, tudo o que eu pressentia que aconteceria na campanha eleitoral ocorreu e ainda de forma pior.

Não me restam dúvidas do financiamento maciço de mensagens falsas em favor da campanha que se consagrou vencedora na última eleição. Não tenho a menor intenção aqui de “suscitar um terceiro turno das eleições”, mas, enquanto bibliotecário e conhecedor no mínimo dos processos informacionais, fica difícil aceitar o resultado das eleições sem questionar a lisura do processo!

No afã de compartilhar meus conhecimentos nas áreas que estudo, além de indicar livros que gostei e declamar poesias, fiz um canal no Youtube denominado Entrestantes. Uma das minhas preocupações ao criar o canal foi com a informação. Preocupo-me quando vejo informações sendo manipuladas, mal veiculadas, com intenções outras por trás.

Por mais que se queira (e nós queremos isso) ser imparcial na tomada de decisão dos consulentes, a informação nunca é neutra e como bibliotecário, e atento as questões sociais, sei muito bem as intenções de quem propaga informações carregadas de ideias falsas.

Ainda sobre o canal que tenho no Youtube, comecei uma série em que assumo mais do que o normal minha face de bibliotecário, cuja hashitag é #pelainformacao. Nessa série eu tento trazer informações acerca de acontecimentos do nosso cotidiano, e cuja a intenção é enganar a sociedade, sob um discurso travestido de moral e bons costumes (na maioria das vezes).

O primeiro vídeo que fiz dessa série abordava o assunto do projeto de lei que fora arquivado na Câmara dos Deputados, mas que infelizmente suas ideias já alcançaram à sociedade: Escola Sem Partido.

Enquanto profissionais da informação, não podemos permitir que o acesso à informação seja obstaculizado por crenças religiosas, morais, sociais e/ou pelo poder constituído. É por uma sociedade livre que devemos lutar, e a liberdade passa pelo acesso integral a toda e qualquer informação (salvo as protegidas por força da lei).

Sendo assim, por exemplo, não se pode impedir que crianças, jovens e adultos possam ter contanto com informações pertinentes aos seus momentos na dinâmica social. Crianças precisam saber que a cor da pele das pessoas não as fazem melhores e nem piores do que as outras.

Toda a sociedade necessita saber que homens e mulheres são iguais perante os códigos que balizam a sociedade. Não podemos deixar de informar que há pessoas diferentes na sociedade e que elas não merecem ser tratadas como se fossem doentes.

Cabe a nós, profissionais da informação, sermos atuantes na sociedade, não apenas como parte do processo, mas como agentes que podem criar meios de modificação na estrutura social.

A Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN), em documentos divulgado em 2001, alerta sobre a necessidade dos currículos dos cursos de biblioteconomia se atentarem às demandas da sociedade atual, respondendo-as como gestores e mediadores da informação.

Ter responsabilidade social frente à demanda informacional da sociedade do século XXI requer empenho, trabalho e, acima de tudo, vontade de mudança por parte dos profissionais da informação. Eu tenho certeza que preciso fazer a minha parte, e cada vez mais.

Em tempos de grande expansão do acesso aos aparelhos de telefonia móveis pela população brasileira, sobretudo jovens e idosos, as mensagens falsas tendem a continuar atuantes na sociedade, podendo acirrar ainda mais o clima de divisão que se instaurou no país desde 2014.

Sei o que preciso fazer; sei o que posso fazer. E enquanto vou seguindo, minha missão enquanto profissional continuo repetindo: “prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de bibliotecário, fundamentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana” (CFB, Resolução nº 6, Jul. 1966).

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