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O memorial de Mauthausen foi um campo de concentração Nazifascista que foi construído durante a Segunda Grande Guerra. Localizado na cidade de Mauthausen, na Austria e a 6km da estação de trem de Mauthausen, o local recebeu um total de 200 mil prisioneiros do regime nazista entre os anos de 1939 e 1945, oriundos de diversas regiões da Europa. De acordo com números revelados pelo Memorial, 100 mil prisioneiros não saíram com vida do local e este foi o último campo de concentração a ser desativado.

Entrada principal do memorial de Mauthausen. Foto: Rodolfo Targino / Agência Biblioo

Em um primeiro momento, era somente um pequeno campo com o passar da necessidade do nazi-fascismo, transformou-se em um dos maiores campos de concentração da Europa e um dos maiores complexos de trabalho escravo da época. Os prisioneiros eram mortos principalmente pela exaustão do trabalho escravo e pelas condições precárias de alimentação. Além disso, cabe ressaltar que a Áustria é uma região de um inverno europeu rigoroso e uma das formas de tortura era exposição ao frio de -30 graus após o banho.

Atualmente, o Memorial pode ser visitado de forma gratuita e a única taxa que se paga é se o visitante tiver o interesse de utilizar o audiofone durante o percurso de visitação, um valor de três euros, em torno de R$15. O memorial comporta diversas homenagens e objetos de uma época sombria, todos muito bem cuidados e preservados.

Durante a visita é possível adentrar os alojamentos em que os presos ficavam confinados, os locais de trabalho escravo, os memoriais das nações, as câmaras de gás e os locais em que os corpos eram incinerados. Além desses locais, o memorial também conta com um museu que preserva e salvaguarda objetos da época como uniformes dos presos e dos guardas nazistas, ferramentas de trabalho, fragmentos de cartas, fotografias, a sala dos nomes dos presos mortos, entre outros.

Memorial colocado em homenagem aos presos mortos. Foto: Rodolfo Targino / Agência Biblioo

Uma prática que ocorria em Mauthausen e que está preservada e retratada pelo memorial é o ritual que era realizado com a chegada dos presos. As cabeças eram raspadas e era dado a ordem a tudo que tudo que o presidiário conhecia anteriormente fosse apagado. Inclusive, seu nome que era substituído por um número que ficava fixado no uniforme. Contrariando essa prática, o memorial faz questão de homenagear a memória dos mortos fixando “na sala dos nomes” e nos monumentos o nome e a nacionalidade dos presos mortos no local.

As lembranças cruéis

Uma das partes mais impressionantes da visitação são as câmaras de gás e o crematório de corpos. Ainda é possível ler fragmentos de época escritos nas paredes e com dizeres contra o regime nazista. Os fornos incinerantes e as tubulações de gás chocam e nos fazem refletir acerca de um passado realista e cruel.

Câmaras de gás de Mauthausem. Foto: Rodolfo Targino / Agência Biblioo

Outra parte importante e que chama atenção é o memorial da quarentena, homenagem aos 40 dias de trabalho escravo árduo para construção do campo de concentração de Maunthausen. Nele se encontram túmulos simbólicos, uma vez que não existem corpos porque foram incinerados e, com isso, apagavam-se os resquícios. Nas sepulturas as pessoas e familiares colocam homenagens como rosas, símbolos e placas.

A casa de Anne Frank

A história de Anne Frank ficou conhecida no mundo todo após a publicação de seus diários em diversas línguas. O local onde Frank morou com sua família se foi transformado em um museu biográfico, localizado na cidade de Amsterdam, capital da Holanda.

Entrada principal da Casa de Anne Frank. Foto: Rodolfo Targino / Agência Biblioo

O local foi um esconderijo utilizado pela por Anne Frank e sua família para se esconderem dos nazistas durante a Segunda Grande Guerra. Inaugurado em 1960, o museu fica aberto de segunda a domingo, das 08:30h até as 22h. O ingresso custa em torno de 11 euros e durante a visitação o visitante recebe um audiofone que apresenta informações a respeito de todos os setores da casa e em diversos idiomas, dentre eles o Português.

Uma das partes mais impactantes do museu é a parte onde era o esconderijo de Anne Frank. Subindo uma escada ingrime e com degraus curtos é possível chegar a uma porta secreta localizada atrás de um estante de madeira com livros na prateleira.

Escada que leva aos esconderijo de Anne Frank. Foto: Rodolfo Targino / Agência Biblioo

Na visitação é apresentada toda a história da família de Anne Frank, desde a chegada em Amsterdam, até a captura para campos de concentração. Entre os números apresentados os mais marcantes são os dados de que o regime nazista matou 6 milhões de judeus, sendo 1,5 milhões de crianças.

Perto do fim da visitação existe uma projeção com depoimentos de pessoas que conheceram a família de Anne Frank, de figuras públicas atuais falando a respeito dessa realidade e também de populares pelas ruas de algumas cidades pelo mundo. Em todos os depoimentos a certeza de que esse passado histórico jamais deve ser repetido e a defesa de preservar essa história para as futuras gerações.

O desconhecimento da nossa história

Enquanto em cidades como Mauthasen e Amsterdam as experiências negativas do passado histórico são assumidas, apresentadas para a população e estão disponíveis nos museus, em praças públicas, escolas, entre outros, no Brasil ainda é comum parte da sociedade querer retomar e reviver no contexto atual as experiências autoritárias. Talvez isso seja um reflexo da invisibilidade do nosso passado histórico e das experiências negativas.

O desconhecimento histórico de parcela da população brasileira ganhou destaque nas redes sociais na Internet após a Embaixada Alemã em Brasilia divulgar um vídeo didático a respeito da história do nazismo. Após a publicação do material uma enxurrada de comentários de brasileiros defendiam que não existiu o holocausto e que o nazismo é uma ideologia de esquerda. No vídeo institucional o governo alemão explica que desde pequenos as crianças são ensinadas a confrontar as atrocidades do holocausto, e além disso, no país é crime negar o holocausto e fazer apologia aos símbolos nazistas.

Por aqui a realidade ainda é dura e atrasada, uma vez que temos deputado e candidato à presidência usando o plenário e os discursos de campanha para exaltar torturadores do regime militar que vigorou no Brasil. Outra questão que chamou atenção foi a retirada de uma placa de rua colocada em homenagem a Marielle Franco. Rodrigo Amorim candidato a deputado estadual pelo PSL, postou em sua rede social o feito e afirmou: “Preparem-se esquerdopatas: no que depender de nós seus dias estão contados”.

Lamentável que um candidato a um cargo público se vanglorie desse ato irresponsável. Essa realidade será vencida quando de fato nossa história e patrimônio histórico venham a fazer parte do cotidiano e da formação escolar da população, caso contrário continuaremos assistindo a tudo bestializados.

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