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“Eu fui num quilombo em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais”; “Os portugueses nem pisavam na África, os próprios negros que entregavam os escravos”; “Que dívida histórica é essa que temos com os negros?”; “Eu lembro do Morgan Freeman, um ator negro americano, perguntaram para ele como combater o racismo, ele falou: ‘não tocando no assunto’”.

“Aqui no Brasil não existe isso de racismo”, “Tudo é coitadismo. Não pode ter política para isso. Coitado do negro, do gay, das mulheres, do nordestino, do piauiense, tudo é coitadismo no Brasil!”, “Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. E eu sou indígena, meu pai era amazonense. E a malandragem é oriunda do africano”; “Meu neto é um cara bonito, viu ali? Branqueamento da raça”. 

Se enfrentássemos nossa história com a seriedade que ela precisa ser enfrentada, indivíduos que atacassem a dignidade e a humanidade da população negra sequer seriam candidatos à presidência do nosso país.  Logo um país como o nosso em que 55,4% da sua população se identifica como pretos e pardos. Mas o Brasil conhece pouco o Brasil.

O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão e além de todas as políticas que visavam o embranquecimento da população e das várias interdições para o acesso à educação formal e ao mercado de trabalho, ainda hoje paira sobre a população negra uma série de estigmas sociais para mantê-la marginalizada e sob vigilância.

A cada 23 minutos um jovem negro morre no Brasil. Pretos ou pardos são 63,7% dos desempregados. O mercado de trabalho continua selecionando os profissionais pela cor da pele.  Estudantes ainda relatam discriminações que sofrem em escolas e universidades.  Nossa humanidade e nossos corpos continuam sendo poucos representados na mídia e nas artes.  Mortes simbólicas, mortes sociais, mortes físicas.

A estrutura que tenta nos manter nos lugares que são entendidos, pelos donos do poder, para nós negros, nesta nossa sociedade, continua sendo movimentada por pessoas que, sendo racistas, negam o racismo, para que a estrutura de privilégios que os beneficia  se mantenha.

Por isso é  triste, como também cruel, que pessoas possam declarar seu voto para candidatos que ataquem a humanidade da população negra, mas que não queiram carregar a marca que este voto traz. Este voto tem uma marca, e isso o torna indefensável.

Um avanço social para a população negra, mesmo que lento, só é possível em um país democrático, só é possível com diálogo, com construção coletiva de políticas sociais. Neste sentido, há apenas um candidato neste segundo turno das eleições presidenciais de 2018 que se coloca ao lado da democracia e da liberdade individual, que considera o outro, com todas as suas diferenças, diversidades, complexidades e divergências, como parte essencial para  a construção de um novo tempo “Eu sou, porque nós somos”, “SER com os outros”.

E, assim, lúcidos, críticos, bem informados e livres, em um bom combate, em trocas e diálogos, em aprendizados e com solidariedade, poderemos seguir  na defesa pela justiça social, pelos objetivos fundamentais e inclusivos da nossa constituição para toda a população,  “construir uma sociedade livre, justa e solidária” e “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

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