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Por Vitor Nuzzi, da Revista do Brasil

Nonsense politizado 3Em texto de 1980, o escritor Antonio Callado comparou os cartunistas, em tempos de ditadura, a posseiros de uma “terra” proibida, o território do comentário político, tendo o pincel como uma espécie de enxada. E apontou Fortuna como um dos líderes do cartunismo editorial brasileiro. Era 1965 quando o próprio Callado levou Fortuna para o Correio da Manhã – já era um desenhista maduro, com 34 anos de idade e mais de 15 de colaboração em veí­culos diversos. Um traço que se tornaria referência a ponto de ganhar o epíteto de cartunista dos cartunistas. É o título do livro lançado este ano (pela editora Pinakotheke) para homenagear a obra de ­Reginaldo José Azevedo Fortuna.

“Para que saibam quem foi esse brasileiro”, diz o também cartunista Cássio Loredano, organizador do trabalho. “Um brasileirinho excelente, esse maranhense”, diz, afetuosamente. “Todo mundo adora ele. O que faz isso acontecer é o refinamento, a clareza mental. Além de tudo era um ótimo leitor, um homem culto.” Pessoalmente, um doce: “Uma pessoa de trato cordial, no sentido da coisa do coração. A fala dele era suave. Engraçado no trabalho. E escrevia bem pra caramba”.

Reginaldo José Azevedo Fortuna era maranhense de São Luís. “Um brasileirinho excelente”, nas palavras do organizador do livro, Cássio Loredano. OVIDIO VIEIRA/FOLHAPRESS/ EM FORTUNA, O CARTUNISTA DOS CARTUNISTAS
Reginaldo José Azevedo Fortuna era maranhense de São Luís. “Um brasileirinho excelente”, nas palavras do organizador do livro, Cássio Loredano. OVIDIO VIEIRA/FOLHAPRESS/ EM FORTUNA, O CARTUNISTA DOS CARTUNISTAS

Fortuna nasceu em São Luís, em 1931. Morreu em 1994, ao sofrer um enfarte fulminante. Curiosamente, a sua última charge, publicada no jornal Gazeta Mercantil, tratava do tema. “A morte, que coisa incrível. Eu guardei (o desenho), está comigo até hoje”, lembra Loredano.

Visão social

A Cigarra, Senhor, Pif-Paf, Correio da Manhã, O Pasquim, Veja, O Bicho, Folhetim (pioneiro caderno cultural da Folha de S.Paulo, publicado aos domingos), Careta e Gazeta Mercantil foram alguns dos veículos por onde Fortuna passou desde os anos 1950. Antes, em publicações como a revista infantil Sesinho, assinava Ricardo Forte. Já n’A Cigarra, adotou a assinatura definitiva por sugestão do amigo Millôr Fernandes.

Com o tempo, seu trabalho passou a ter marcante visão dos problemas sociais brasileiros. Seu filho mais velho, Felipe Fortuna, escreve na apresentação do livro que ele poderia ter sido um crítico de economia. Foram dezenas de cartuns sobre inflação, carestia e temas afins, sobre as dificuldades do dia a dia. “Depois do golpe, mas até um pouco antes, o Fortuna ganhou muita preocupação social.”

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