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A professora Malvina Tânia Tuttman assumiu a presidência do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) após dois anos de problemas com o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Em 2009, depois de um vazamento das provas, caiu Reynaldo Fernandes, entrou Joaquim Soares Neto, quando em 2010, além de vazamento, houve também erro na confecção dos gabaritos.

Fui estudante da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) entre março de 2005 e abril de 2010, e pude acompanhar a maior parte da gestão da professora Malvina bem de perto. Nesse período passei pelo Diretório Academico do meu curso e pelo Diretório Central dos Estudantes da instituição e por vezes tive opiniões divergentes da reitora, como, por exemplo, com seu modo de lidar com as propostas do governo e com demagogia durante as campanhas eleitorais.

Plano de Reestruturação das Universidades

No caso das propostas oriundas do Ministério da Educação, durante a implementação do REUNI (Plano de reestruturação das universidades) e a utilização do ENEM como vestibular, a Reitoria da UNIRIO as tratou como se fosse a “salvação da lavoura”, a solução dos problemas do Ensino Superior público no país, quando na verdade a primeira, em médio prazo, acarretará em superlotação nas salas de aula, o que, sem dúvida, é péssimo para a qualidade do ensino (quem já teve aula numa sala com mais de 100 alunos pode detalhar mais!). Mesmo considerando o ponto positivo da ampliação de vagas, sem entrar no mérito se foi eleitoreiro ou não, o problema da superlotação existe e só o Governo e as reitorias das Instituições Federais de Ensino Superior parecem não ter percebido, defendendo o projeto a ponto de violar princípios democráticos em diversos conselhos superiores universitários.

O fim do vestibular

O caso do tão propagado “fim do vestibular”, que na verdade foi substituído pelo ENEM, mostrou novamente a incoerência da Reitoria. Estive no Conselho que aprovou a proposta governamental. Presenciei a professora Malvina Tuttman alegar que a medida promoveria a democratização do ensino. Durante a minha fala, fiz questão de repetir o que a Reitora havia falado e apresentar uma página de jornal, do mesmo dia, apontando as escolas com maior média no ENEM e quantas eram públicas, o que simplesmente acaba com a teoria da atual presidente do INEP. Ora, em 2009, das 20 maiores médias do país, apenas duas eram públicas, e essas duas públicas são os colégios de aplicação da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade do Estado do Rio de Jeneiro, que como todos sabem, têm seu acesso através de prova. Não precisa ser nenhum gênio pra perceber que a média de renda da família de seus estudantes é infinitamente superior as dos que estudam em colégios ligados às secretarias estaduais e municipais de educação.

Promessa não cumprida

Outro caso curioso é o do Restaurante Universitário. Promessa de campanha em 2004, nenhum tijolo foi colocado até 2008, quando ocorreram novamente eleições para a Reitoria. E o que se faz com promessa não cumprida? Pode-se fazer um balanço honesto, assumir a falha e explicar o que aconteceu ou simplesmente seguir o manual do demagogo e prometer novamente a mesma coisa. E foi isso que a Magnífica Reitora fez. Dessa vez com um molho especial, estipulando uma data para a conclusão da obra. O início do ano letivo de 2009. Adivinhem: até o fim do mês de abril de 2011, nenhum tijolo havia sido colocado. Entendo que problemas técnicos existem, a burocracia existe e mais outras dezenas de empecilhos existem. Mas assim como eu, à época estudante, entendia, acredito que os que tivessem na gestão da Universidade também entendessem e se privassem de utilizar algo que não tinham garantia (e, portanto, uma mentira) para se eleger.

Passar por esses momentos me faz concluir que no mínimo há uma ideologia cega por trás das decisões da Reitoria e irresponsabilidade na hora de assumir compromissos com a comunidade que representa. Essas atitudes sem dúvidas geraram ótimos frutos para a carreira da professora Malvina, mas será que trouxe benefícios também para a sociedade?

É cogitada pelo INEP nesse momento a criação de um órgão específico para cuidar do ENEM, tirando assim a bomba das mãos da instituição. Detalhe: essa hipótese foi cogitada no último ano pelo Ministro Fernando Haddad. Ou seja, a primeira grande mudança no INEP na gestão Malvina Tuttman pode ser justamente tirar a batata quente chamada ENEM de suas mãos, o que sem duvida pode ajudar a “limpar” a imagem do órgão junto à sociedade. Segue o ciclo que presenciei na UNIRIO: apoio incondicional a qualquer proposta do governo e esconder os problemas debaixo do pano.

Tais mudanças garantem a ascensão individual, mas como sociedade, é esse tipo de mudança que esperamos?

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