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Por Ricardo Rigel do Jornal Extra

Há três anos e meio, um silêncio chato cisma em incomodar os moradores da Rua José Argeu da Cruz Barroso, no Boaçu, em São Gonçalo, região Metropolitana do Rio. No local, funcionava a Escola estadual José Augusto Domingues, e a barulhada da criançada correndo pelos corredores e no pátio já fazia parte da rotina de todos. Durante todo esse tempo, o espaço ficou fechado e servindo até de abrigo para usuários de drogas. Mas a notícia de que o colégio se transformará no Centro Cultural Casa do Funk tem feito a comunidade sorrir novamente.

A ideia de transformar o colégio desativado em um local de fomento da cultura do batidão partiu de uma galera que há 14 anos respira esse universo na cidade. Eles fazem parte do Movimento Cultural Rede Funk Social, formado por músicos, DJs e produtores culturais.

Foto: Jorge Casagrande / Extra
Foto: Jorge Casagrande / Extra

Em 2001, eu e um grupo de amigos do funk de São Gonçalo nos unimos para criar um movimento. A ideia era levar um som mais consciente e social para as comunidades. Já naquela época, achávamos que as músicas estavam muito agressivas e pesadas — relembra o músico José Renato Pereira de Souza, o MC Patrão: — Essa ideia foi ganhando corpo e conseguimos fazer muitas coisas legais na região, mas faltava ter o nosso espaço.

Ainda segundo ele, o grupo ficou um dia inteiro tentando falar com o governador Luiz Fernando Pezão, mas no fim foi atendido:

Falamos do nosso movimento, que para a nossa surpresa já era de conhecimento dele. Contamos que existia esse colégio fechado. Ele chamou os seus secretários e, depois de ouvir nossa história, concedeu o espaço.

A Secretária estadual de Cultura confirma que apoia o movimento e a inicitiva. A Secretaria de Planejamento e Gestão está agilizando a documentação que dará concessão do lugar por 30 anos.

Para espantar polêmica sobre a utilização do lugar, MC Patrão responde que a casa continuará sendo usada para educação e cultura.

Foto: Jorge Casagrande / Extra
Foto: Jorge Casagrande / Extra

Espaço terá rádio, biblioteca e sala de informática

O movimento Rede Funk Social, segundo a produtora cultural e integrante Priscila Oliveira, tem como grande objetivo promover a inclusão social e a arte de quem vive e curte o batidão.

A gente vai transformar essas salas vazias em estúdios. Queremos fazer também rádio comunitária, biblioteca, sala de informática e um grande espaço para apresentações — explica: — Esse espaço, além de ser maravilhoso, foi o lugar onde passei a minha infância estudando. Minha mãe e minha tia davam aula aqui.

O grupo está agora em busca de apoiadores para ajudar na reforma do local.

Temos muita coisa para fazer. Já conseguimos o espaço, nosso próximo passo é arrumar a casa e botar o tamborzão para tocar de novo.

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