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Não há dúvida de que ver uma elite política condenada e obrigada a cumprir pena é bastante simbólico. Entretanto, pergunta-se: o que há de fato para se comemorar na condenação dos “mensaleiros”? Explorado do início ao final de forma sensacionalista pela grande imprensa, a Ação Penal 470, ou simplesmente “mensalão”, se materializou em mensagem precípua da mídia gorda, como se esta quisesse o tempo todo dizer: “Eles são os maus e nós somos os bons”.

O que se sabe de fato é que o “mensalão” serviu para alguns propósitos. O primeiro deles foi saciar a “opinião pública” brasileira ávida por ver condenados neste país o que ela considera – ou foi levada a considerar – os vilões da desgraça nacional: os políticos. O segundo é que o caso serviu para uma elite conservadora e reacionária nacional como prova de que a esquerda não serve para governar este país, mesmo a despeito do fato do Partido dos Trabalhadores há muito ter se afastado de suas bandeiras históricas de luta.

Alguns daqueles condenados foram um dia parte da esperança desse país, e suas condenações por si só já bastaria para se concluir que não há o que se comemorar neste episódio. De outro lado, toda uma corja – de latifundiários a empreiteiros, passando por concessionários de serviços públicos, chegando aos dirigentes de futebol – continua a explorar milhões de trabalhadores de Norte a Sul deste país, sem que nada seja feito.

Esses fatos mostram que a condenação daqueles homens não serviu apenas para atender uma demanda popular. Longe disso! Serviu sim para conformar um jogo de interesses em que toda a máquina do Estado – da mídia ao judiciário – foi chamada a trabalhar. Diante destes fatos, nos perguntamos: chegará o dia em que grileiros, cafetões, contrabandistas, atravessadores e todos os corruptos como esses que agora foram condenados serão chamados a prestar contas de seus crimes? As dúvidas são muitas e as esperanças poucas.

 

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2 Comentários

  1. Phablo Carvalho
    30 de novembro de 2013 a 16:18 — Responder

    Olá Francisco, tudo bem? Permita-me discordar das suas afirmações quanto à projeção dada, pela imprensa, ao caso mensalão. Não duvido de que tenha havido excessos, mas consideremos que esses figurões exerciam cargos públicos e há o fator "prestação de contas": a exposição de suas condutas, pela imprensa – quer sejam elas boas ou ruins – é perfeitamente justificável do ponto de vista da liberdade de expressão, considerando que são pessoas públicas, que lidam com a coisa pública. Se não fossem as denúncias feitas (pela imprensa!), no bojo da liberdade que hoje gozamos, esses bandidos continuariam a assaltar o erário, a fazer achincalhes com o meu, com o seu, com o nosso dinheiro!

    Fiquei muito preocupado com a seguinte declaração: "Alguns daqueles condenados foram um dia parte da esperança desse país, e suas condenações por si só já bastaria para se concluir que não há o que se comemorar neste episódio". Pois é… Foram e não são mais. Agora, são bandidos que tentam pôr a Justiça em descrédito, que agiu corretamente – bem, sempre cobramos celeridade e "justiça para todos", não é mesmo? Não é possível justificar o injustificável: erraram e têm de arcar com suas consequências. Todos têm. E publicamente, à vista de todos os que neles votaram, dos que neles puseram sua confiança. E não esqueçamos que a verdadeira elite que governa este País não é a de latifundiários, industriais, etc…., mas de esquerdistas, como o Dirceu, Genoíno e turma. Prezado Francisco, o meu texto é só um ponto de discordância. Grande abraço.

  2. Ricardo
    19 de fevereiro de 2014 a 17:06 — Responder

    Concordo Chico, e é incrível que a Justiça esteja trabalhando, com imensa rapidez não é. Todo tipo de criminoso, não é preso, mas esses? Bom, Agora esperaremos o Mensalão do PSDB, sim mensalão do PSDB e não mensalão mineiro, como a imprensa quer que seja conhecido. Quem de fato originou o caixa dois nesse país. E ai, o partido jogou o partidário no fogo.

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