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Marilene Nunes, sinônimo de força e resistência contra o fechamento do Museu da Maré, onde ela é coordenadora e contadora de história da Biblioteca Elias José, desde sua fundação em 2006, quando a antiga Casa da Cultura da Maré virou o Museu da Maré. A biblioteca é composta pelos seguintes funcionários: Marilene Nunes (coordenadora); Terezinha Normandes (Mediadora/Atividades com crianças); Sandra Martins (Mediadora/Catalogação do acervo) e Cláudia Rose (Gestora Institucional).

Marilene Nunes da Silva

A Biblioteca possui patrocínio desde 2008 do Instituto C&A. A biblioteca faz parte do polo Conexão Leitura, que reúne as seguintes bibliotecas comunitárias, além da BEJ: Ateliê das Palavras, na Mangueira; Esquina do Livro, no Engenho Novo; Plantando o Futuro, em Rio das Pedras.

Tanto o Museu da Maré, quanto a biblioteca Elias José, são importantes para aos cidadãos do Complexo da Maré. A biblioteca proporciona acesso gratuito e de qualidade a leitura, com o público em sua grande maioria de crianças e jovens. Ainda faz lançamento de livros, como da autora Aline de Jesus de Melo, que lançou o conto infantil “A Fadinha Maria e sua Boneca de Pano” e o livro de poesia da autora Ana Maria de Souza, que recebeu apoio na produção e divulgação do Projeto Maré Latina de Aprendizado.

Todas duas autoras foram recebidas pela Marilene Nunes de braços abertos desde 2012. No final de março teremos outro lançamento literário da escritora Aline de Jesus Melo, com o livro “Thalia no reino das Fadas”, que traz fotos da atriz e modelo mirim Thalia Melo, de apenas seis meses, porém frequentadora da Biblioteca. Como se sabe, a leitura na primeira infância a leitura é fundamental para construção de um leitor reflexivo e crítico, tema este abordado no livro, que também vai ser lançado na Flupp 2015, no qual teremos a presença de Marilene Nunes e sua equipe.

Já o Museu da Maré é importante, por apresentar várias exposições. Uma delas é o centenário de duas grandes mulheres negras, que são homenageadas com exposição temporária, que recebe o nome de “Dona Orosina Vieira & Carolina Maria de Jesus: Da Maré ao Canindé, inspiração para as periferias”. As duas exposições são resultados de rodas de leituras feitas entre o público de todas as partes da Maré.

Esta exposição teve início no dia 21/11/2014, com uma roda de leitura, mesa-redonda e um sarau literário. Atualmente no Teatro Ziembinski, o diretor Ribamar Ribeiro, também homenageia a escritora apresentando uma peça teatral, a partir do livro “Quarto de Despejo”, sobre a vida e cartas da escritora Carolina Maria de Jesus, denominada “Salve ela! Carolina Maria de Jesus em cena”. Este livro pode ser encontrado na Biblioteca Elias José.

Com a ameaça de despejo do Museu da Maré, funcionários, visitadores do museu, militantes de causas populares, meios de comunicação locais e externos a comunidade se juntaram em um movimento, chamado “Museu da Maré Resiste!”, que resultou inclusive num caderno especial publicado pela Revista Biblioo.

O movimento luta pela preservação do museu, da cultura e memória mareense, que estão expostas na galeria principal e permanente do Museu, desde o dia 8 de maio de 2006, quando o museu foi inaugurado. Durante a visita pude perceber uma frase escrita no muro principal do Museu da Maré, que dizia assim: “Museu da Maré Fica!”. Dentro do Museu é possível sentir que todos estão querendo ficar, uma foto selou este momento de resistência.

Marilene relatou que o documento expirou no final de 2013 e, em junho de 2014, um dos diretores do Grupo Libra de Comércio Marítimo, empresa proprietária do imóvel, entrou em contato com a instituição para informar que não havia mais interesse por parte de seus acionistas em renovar o contrato.

Em setembro, no dia 10, o Museu recebeu a notificação de uma empresa de advocacia informando o prazo de 90 dias para que o imóvel seja restituído ao Grupo Libra. Marilene e os funcionários do Museu da Maré foram pessoalmente no dia 26 de dezembro no gabinete do prefeito Eduardo Paes tentar modificar esta situação, mas até o momento não conseguiram reverter à situação.

Portanto, retirar as lembranças, um ponto cultural e artístico, tanto a empresa proprietária do local, como os governantes deveriam pensar na população que ficará sem um local tão importante para Maré.

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