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Envolvida com a área do livro, leitura, literatura e bibliotecas, Juliana Albuquerque foi eleita recentemente como representante titular do segmento literatura do Conselho Estadual de Política Cultural de Pernambuco. Nesta entrevista concedida à Revista Biblioo, a bibliotecária revelou como foi o processo de construção de sua candidatura, avaliou as políticas culturais do estado de Pernambuco e destacou a sensibilização e o envolvimento de bibliotecários nos conselhos culturais.

Rodolfo Targino - Entrevista Juliana Albuquerque - img destaque

Você poderia nos contar como foi o processo que culminou com a sua chegada a representante titular do segmento literatura do Conselho Estadual de Política Cultural de Pernambuco?

Quando começaram as habilitações para a votação nos Conselhos de Patrimônio e Política Cultural do Estado de Pernambuco, nós, enquanto Fórum, achamos importante participar deste momento. Por sermos uma articulação interinstitucional (inclui diferentes instituições e institucionalidades) e intersetorial (inclui membros das três elos do setor livro – governamentais e não governamentais), decidimos que deveríamos indicar um/a candidato/a ao Conselho. Mesmo se não conseguíssemos elegê-lo, o importante era apresentar nossas ideias e agregar mais pessoas a nossa causa. Neste sentido, em uma das reuniões, coloquei meu nome na roda, todos me apoiaram e começamos a construir coletivamente uma plataforma para a minha candidatura ao Conselho de Política Cultural. E não é que nosso movimento deu certo!

Quais são os desafios e atividades que serão desenvolvidas como representante titular do segmento literatura?

A responsabilidade de representar um segmento tão importante para o estado é enorme. Tivemos nossa primeira reunião agora em junho e estamos na elaboração de nosso regimento interno e, a partir daí, vamos fazer um planejamento e montar nossa agenda de trabalho.

A graduação em Biblioteconomia forneceu base e conhecimento para você almejar ocupar e participar de debates em torno da área cultural?

Infelizmente, na grade curricular a qual estive vinculada, nossas disciplinas eram mais voltadas para bibliotecas especializadas e com um teor mais técnico. Acredito que a aproximação com o Fórum Pernambucano em Defesa das Bibliotecas, Livro, Leitura e Literatura, ainda quando estudante, por incentivo da professora Edilene Silva; o fato de ter conhecido o Centro de Cultura Luiz Freire (ONG que trabalha com direitos humanos) ainda no início do curso por iniciativa de outra professora, Simone Rosa, e de ter estagiado na mesma ONG sob supervisão da biblioteconomista Cida Fernandez; e ainda o trabalho com a Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede, daqui de Pernambuco… todo este caminho, esta base me faz ter mais conhecimento para me sentir um pouco mais confiante em participar destes espaços. Mas talvez meu caminho tivesse sido outro se não fosse a sensibilidade e apoio de algumas professoras. Por isso ressalto a importância dos projetos de extensão nas universidades e as parcerias com outras instituições também.

Como você avalia a política cultural para as áreas do livro, leitura, literatura e bibliotecas do estado de Pernambuco?

Neste momento político que o Brasil está passando, Pernambuco estar nomeando seus conselheiros que foram votados democraticamente diz muito sobre o interesse de construir algo sólido para o nosso estado.  Atualmente, estão sendo realizadas escutas e mapeamento para o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. É importantíssimo garantir a participação da sociedade civil na construção de um plano que irá propor políticas públicas de Estado para a área. Não posso deixar de mencionar que a nossa realidade não é a ideal, precisa melhorar e muito! No elo mediador, temos bibliotecas fechadas, relato de bibliotecas que só funcionam por interesse pessoal e comprometimento dos funcionários, falta de apoio às iniciativas de formação de leitores e bibliotecas comunitárias. No elo criativo, faltam incentivos para que os escritores possam sobreviver de seus trabalhos, sem necessariamente viver somente de editais ou precisar sair daqui para ir a outros estados. No elo produtivo, livreiros e editoras locais reclamam da falta de transparência nas compras de algumas prefeituras, que fecham acordos com uma única editora para a compra de livros. Por outro lado, o elo mediador sente falta de um maior envolvimento dos elos criativo e produtivo, sempre muito mais resistentes à participação. E, sabemos que sem este envolvimento não é possível construir uma política de estado que contemple o desenvolvimento do setor como um todo. Mas acredito na força dessa articulação entre a sociedade e o governo estadual e no compromisso da gestão com a criação do plano. Esta parceria vem se consolidando, muito especialmente a partir do ano de 2012, e esta é uma das muitas ações em parceria que já foram realizadas em todo o estado, a exemplo da interiorização do debate sobre a política pública, levada pelo Fórum, integrando a Caravana Pernambuco Nação Cultural, de iniciativa da Secretaria de Cultura.

Atualmente temos alguns bibliotecários ocupando espaços em conselhos de cultura estaduais e municipais. Qual a importância de termos bibliotecários participando de forma ativa nesses setores?

Eu acho que independe de sermos bibliotecárias ou não. O fundamental é que as pessoas compreendam que para construir e exercer o controle social de uma política pública tem que se considerar a realidade e necessidade do setor como um todo e não só do seu pedaço, e que efetivamente seja uma pessoa comprometida com ele, no meu caso, a literatura. Mas, a meu ver, é também uma mostra de que a sensibilização da cadeia mediadora no envolvimento de profissionais bibliotecários está surtindo efeito, por um lado, pelo crescimento das nossas representações nesses espaços.

Recentemente o Ministério da Cultura chegou a ser extinto e, depois de pressão de alguns setores da sociedade, o MinC foi mantido. Como você avalia a política do governo interino de Michel Temer para a área da Cultura?

Acho que o governo mostrou o desvalor que ele dá a cultura no momento em que o extinguiu. Quem trabalha com a cultura vai ter que trabalhar dobrado para reconquistar tudo o que já tínhamos garantido.

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