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A insônia não costuma ser minha amiga, mas de vez em quando ela aparece, e joga assim na minha cara uma pergunta muito horrível: até quando a gente vai parar de formar gente ainsensata e insensível com os problemas da profissão?

O que me faz perder o sono durante esses quatro anos de biblioteconomia é de saber por A + B que estamos formando um bando de gente sem noção política ou preparo crítico para entender o quanto a profissão é uma responsabilidade enorme. O quanto a gente faz diferença. O quanto aquela besteira de “conhecimento é poder” é levada à sério por quem comanda as engrenagens. E a gente sabe bem quem são os donos das engrenagens, a gente que aperta os parafusos quando as peças estão ficando soltas.

É de perder o sono sabendo de bancada de docente proibindo participação estudantil em espaço de direito dos discentes, garantir status e reputação, mas não qualidade de ensino para graduandos. E docente decente e discente decente aceitarem passivamente isso como se nada tivesse acontecido (sorria e acene!).

O que me faz perder o sono em quatro anos de biblioteconomia é ver que tem gente tão legal fazendo algo substancial para a sociedade e não voltar pra universidade pra dizer como foi, como uma pequena ação pode mudar a vida das pessoas.

É saber que esse pessoal sequer quer voltar pra esse lugar tóxico com tanto estrelismo, disputa de egos, invisibilidade de temas extremamente urgentes e relevantes pra sociedade.

É de às vezes estar na aula, olhar ao redor e me perguntar: será que isso tudo vale a pena? Esse espetáculo? Essa encenação de que tá tudo bem, porque cremos com todas nossas forças que por lidarmos com a informação, logo o futuro é nosso. Ledo engano! Lidamos com gente, pessoas, seres humanos, a informação é uma ferramenta do nosso trabalho.

É de passar mais um semestre vendo outra formatura e torcendo que pelo menos metade ali cumpra o tal do juramento (que precisa ser reformulado, como insistimos ser tão inflexíveis em nossos manuais e políticas de normalizar regras) e seja bibliotecário diferentão, que não reproduz ideologia do comodismo, da passividade, da inatividade, que não tome aversão pela profissão, ou que virem cães de manutenção do sistema.

E infelizmente nos tornamos. Nos convencemos dessa invencibilidade imbecil. E esse argumento inválido é constante.

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