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As votações para os Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRBs) em  todo  o  país,  para  composição  dos  seus  plenários para o triênio 2018/2020, acontecerão via internet entre os dias 10 e 14 novembro ou presencial no dia 14 do mesmo mês, de 8h às 17h, conforme publicação do Diário Oficial da União (DOU) do dia 25 de julho.

Participar da gestão de um Conselho Regional de Biblioteconomia é, no julgamento de Alexsander Borges Ribeiro (ou simplesmente Alex Ribeiro), presidente do CRB10, uma possibilidade de ampliar o conhecimento e contribuir com próprio crescimento profissional. “Todos os bibliotecários deveriam ter a experiência de ser conselheiro efetivo por algum tempo”, diz o bibliotecário que está no órgão desde 2012.

Nesta entrevista Alex, que além de bibliotecário é mestre e doutorando em ciências sociais, faz um balanço sobre sua gestão à frente do CRB10, debate os desafios enfrentados hoje pelos Conselhos Regionais de Biblioteconomia, defende a modernização da legislação da área e fala sobre como os Conselhos podem atuar em relação a bibliotecas comunitárias, prisionais, escolares etc. que muitas vezes não dispõem de bibliotecários, mas que desempenham trabalhos importantes em suas comunidades.

Na sua opinião, quais são os principais desafios enfrentados hoje pelos Conselhos Regionais de Biblioteconomia?

Eu acredito que obter uma boa equipe seja o principal desafio e por boa equipe eu me refiro a conselheiros, funcionários e assessores (contábil e jurídico). Uma equipe bem qualificada, que tenha boas intenções e tempo para se dedicar ao CRB.

Os Conselhos têm enfrentado uma série de questionamentos sobre a sua efetividade frente aos valores das anuidades que os profissionais são obrigados a pagar. Como você encara essas questões?

Os CRBs não deveriam existir. Num mundo ideal você não deveria necessitar de nenhuma espécie de fiscalização, simplesmente porque as pessoas respeitariam as leis vigentes. Mas infelizmente as leis não são cumpridas. Nem toda lei é justa, mas eu creio que a legislação bibliotecária contribui para o desenvolvimento do país, por isso não se trata de mera defesa corporativista.

A minha crença reside após estudo publicado em um artigo na Revista Biblos, que mostra que bibliotecas dirigidas por bibliotecários implementam mais serviços nas bibliotecas que aquelas dirigidas por leigos, resultando em benefícios à comunidade usuária.  Tal crença foi reforçada depois que entrei no CRB10 e acompanhei centenas de julgamentos, observando o perfil de leigo que muitas vezes assume nossas bibliotecas. Claro que sempre há exceções, como há em qualquer profissão.

Nós que estamos conselheiros nos atuais dias, herdamos uma estrutura deixada por aqueles que nos precederam. Nossa herança é composta por sedes, receitas e bens móveis, mas também por dívidas. Muitos profissionais reclamam da anuidade, mas é ela que permite que a fiscalização exista. Acho legítima a reclamação sobre a anuidade, se pensarmos no volume de impostos que o brasileiro paga e que há dificuldades regionais que fazem com que alguns CRBs consigam mostrar um serviço mais atuante que outros.

Os Conselhos, não apenas CRBs, mas de todas as profissões regulamentadas poderiam fazer parte da Administração Direta de forma a existir a fiscalização sem anuidade, mas daí é uma discussão mais ampla. Então, os CRBs não deveriam existir, mas eles precisam seguir existindo, no mínimo, tal como funcionam hoje. Então nosso sistema é imperfeito, mas necessário.

Na imagem a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL/RS), que também é bibliotecária, entrega placa ao presidente do CRB10 durante sessão solene em homenagem aos 50 anos da regulamentação da profissão do bibliotecário na Câmara Municipal de Vereadores de Porto Alegre em 2015. Foto: Leonardo Contursi

Um outro debate que se tem levantado em relação à profissão de bibliotecários é sobre a legislação da área que estaria defasada. Você acredita ser importante se reformular essa legislação?

Acredito. Até mesmo nos julgamento alguns poucos advogados das partes contrárias conseguem trazer alguma dificuldade para nós, ao se utilizar de brechas na legislação ou de jurisprudência criada por maus juízes, que apressadamente julgaram de forma leviana contra os CRBs. Decisões que só foram reformadas em instâncias superiores, mas que servem de argumento para defesas, que causam lentidão na solução dos problemas. Contudo, apesar da legislação não ser a ideal, tem se mostrado útil.

Além disso, quem vota as leis são os políticos, que deveriam ser representantes do povo e em muitas oportunidades votam conforme interesses próprios ou de acordo com os interesses de seus financiadores de campanhas. O maior risco é o do lobby das instituições privadas de educação. Elas querem que o empregador tenha liberdade para escolher quem ele quer colocar à frente de sua biblioteca. São muitos os conselheiros, de diversos CRBs, que acreditam que o atual Congresso Nacional poderiam transformar nosso Projeto-Lei em algo prejudicial à profissão e às bibliotecas.

Como os CRBs podem atuar em relação a bibliotecas comunitárias, prisionais, escolares etc. que muitas vezes não dispõem de bibliotecários, mas que desempenham trabalhos importantes em suas comunidades?

Primeiro, num mundo mais próximo do ideal os CRBs poderiam acolher instituições carentes e disponibilizar um bibliotecário conselheiro para fazer o trabalho temporariamente, até que a situação fosse melhorada. Contudo, os conselheiros são voluntários e mal dão conta de trabalharem em seus empregos e ajudar nos CRBs. Eu acho que, na realidade atual, não atrapalhar é um bom começo. Ter sensibilidade na hora de julgar instituições carentes ou que façam parte da Administração Pública sob grave crise financeira. Nesse sentido, atuando sempre em defesa da sociedade, jamais fechar uma biblioteca em tais condições, mas sempre pressionar o gestor ou empregador a resolver a situação.

Como você avalia a sua passagem pelo CRB10?

Avalio como positiva não apenas para mim, como também creio que para o CRB10. Conheci ótimas pessoas e aprendi muito com elas, mas também contribuí com a minha atuação, seja com ideias ou trazendo pessoas. Convenci muitos colegas a se candidatarem ao CRB10, que se transformaram em ótimos conselheiros. Acredito que minha atuação na primeira gestão como secretário, tesoureiro e vice-presidente tenha sido fundamental para chegar à presidência e nela me manter por quase três anos. Desde cedo fiquei atento às manifestações e críticas nas redes sociais e busquei o diálogo com a classe. Eu creio que a classe merece respeito e democratizar as informações faz parte da democratização.

Se aproxima as eleições para os CRBs. Que recado você dá aos interessados em participar desse processo?

Cada CRB é diferente, mas com certeza você conhecerá pessoas e, como em qualquer novo grupo que você se insira, algumas lhe parecerão ótimas e outras nem tanto. Mas ingressar em uma nova rede de contatos, que discutirá assuntos da nossa área, com pessoas que atuam em locais diversos, com certeza vai ampliar seu conhecimento e pode contribuir com seu crescimento profissional. Todos os bibliotecários deveriam ter a experiência de ser conselheiro efetivo por algum tempo. Em breve o CRB10 disponibilizará uma nota mais ampla exatamente sobre o assunto, que no momento passa por ajustes.

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