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A noção de competência em informação tem como referência a information literacy e o bibliotecário americano Paul Zurkowski, com a publicação do relatório The Information service environment relationships and priorities em 1974.

Nos últimos 40 anos muitas mudanças aconteceram nos estudos e práticas da área e, como forma de delimitação do ponto de vista apresentado aqui, indica-se que a preferência pelo termo competência em informação (CoInfo) para tradução na língua portuguesa é uma escolha que considera os documentos como a Declaração de Maceió sobre competência em informação, o Manifesto de Florianópolis sobre competência em informação e as populações vulneráveis e a Carta de Marília elaborados pela comunidade biblioteconômica em eventos nacionais como o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD) e nos Seminários sobre competência em informação e também nos Seminários de competência em informação do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (Enancib), que em 2018 terá sua quinta edição no pós-evento.

Além disso, essa opção dialoga com a indicação da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco) no documento que apresenta um panorama do tema em diferentes países, o Overview of Information Literacy Resources Worldwide. Desse modo, é possível encontrar documentos com outras traduções, o que reflete os diferentes olhares para o tema.

Sobre o termo é importante ressaltar que nos últimos anos há um movimento a favor da inserção da mídia de modo explícito e, por isso, há a possibilidade de identificação de um termo com natureza sinônima: Media and Information Literacy (MIL) ou competência em mídia e em informação.

Em síntese, pode-se dizer que a competência em informação ou a competência em mídia e em informação referem-se à promoção da crítica e da ética nas dinâmicas informacionais em diferentes mídias para o exercício da cidadania a partir da educação.

O bibliotecário americano Paul Zurkowski foi um dos precursores das discussões sobre competência em informação. Foto: reprodução / YouTube

Instituições como a International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA), a American Library Association (ALA) e a Federação Brasileira das Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (Febab) vêm promovendo estudos e ações sobre o tema na biblioteconomia e na ciência da informação com a criação de documentos, publicação de pesquisas e relatos de experiência, grupos de trabalho e organização de eventos sobre o tema.

De modo mais abrangente, também pode-se apontar a Unesco, a Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) e a United Nations (ONU) no engajamento/ advocacy para o desenvolvimento de tais experiências de modo a impulsionar os direitos humanos universais e das liberdades fundamentais ao garantir o acesso à informação e a liberdade de expressão.

Do status à prática

Para a comunidade da biblioteconomia as experiências podem ser relacionadas à promoção da competência em informação de uma comunidade de aprendizagem ou às experiências de aprendizagem que um (a) bibliotecário (a) pode desenvolver para sua própria competência em informação.

Para fortalecer a promoção da competência em informação, indica-se a Proclamação (Presidential Proclamation National Information Literacy Awareness Month) de Barack Obama sobre competência em informação e o relatório (Final report of the High Level Expert Group on Fake News and Online Disinformation) da Comissão Europeia em que a competência em informação surge como alternativa para um cenário de hiperinformação (excesso de informação) e de desinformação (informação falsa) em que o (a) bibliotecário (a) é parte das dinâmicas.

Seja qual for o tipo de experiência, torna-se essencial considerar que a competência em informação é uma construção coletiva em determinado contexto. Desse modo, não há espaço para protagonismo na medida em que todos (as) que constituem uma comunidade são solidários, ou seja, compartilham direitos ou obrigações.

Por fim, há que se considerar que não há “atestado” ou “certificação” que confere a um sujeito (a) o título de competente em informação, pois trata-se de um modo de prática informacional que considera a crítica e a ética. Os projetos de competência em informação não formam pessoas competentes em informação, pois eles promovem uma prática e não um status.

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