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A bibliotecária e contadora de histórias Tatyanne Valdez começou a ler para o seu filho Nicolas desde quando ele ainda estava na barriga.  Hoje, com seus 1 ano e 8 meses,  ela percebe o quanto os momentos de leitura, principalmente antes de dormir, estão contribuindo para a formação de um bebê leitor. “Nicolas escolhe o livro que vamos ler, sabe folhear as páginas sem rasgar, tem seu livro preferido e interage com os personagens das histórias! Ler com Nicolas é bom demais!”, se orgulha a mãe de primeira viagem.

O ato de ler para o filho estimulou Tatyanne a criar um perfil no Instagram, o @lendocomnicolas, cujo objetivo é estimula a prática da leitura no ambiente familiar. Os quase 2 mil seguidores do canal acompanham o dia a dia de leitor do Nicolas através de fotos e vídeos, mas também recebem dicas de como estimular a prática leitora desde cedo nos pequenos. Lá Tatyanne explica que a convivência com os livros proporciona mais intimidade com a palavra escrita, além de estimular a criatividade e aguçar os sentidos para novos saberes, contribuindo no processo de formação de um leitor.

Tatyanne, que é bibliotecária do Colégio de Aplicação da UFRJ e há anos desenvolve atividades de contação de história, diz que não importa se é literatura brasileira ou estrangeira, pois o mais importante, segundo ela, é que a narrativa seja envolvente e repleta de significados para os bebês e para as crianças.  No caso do Nicolas, ele gosta desde muito cedo do livro “O ratinho,  o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado”, de Andrey e Don Wood e isso só foi possível em função não só dos elementos da história, mas da interpretação que a mãe deu à narrativa.

Tatyannne e Nicolas. Ela mantém um canal no Instagram com o objetivo de estimular a prática da leitura no ambiente familiar. Foto: divulgação

Uma dica importante é conhecer previamente a história que irá contar, pois assim é mais fácil para dramatizar, brincar com as palavras e os sons, usar a entonação e os gestos nos momentos certos. “Por exemplo,  Nicolas adora as repetições das palavras e as onomatopeias. Não podemos esquecer do ritmo das histórias, pois uma leitura monótona não cativa ninguém, muito menos os bebês e as crianças” lembra Tatyanne para quem o improviso conta muito. “Se tem muito texto, apresente parte da história, mostre as ilustrações e lembre de conversar com o seu bebê sobre a história”, explica.

Ela também diz que é importante ensinar o bebê a folhear as páginas, deixá-lo tocar, abraçar e até beijar o livro. “É muito importante criar conexões entre você,  o bebê e o livro”, garante. “Para escolher a história é muito importante explorar os sentidos. Bebês gostam de livros com bichos, rimas,  narrativas com barulhos e com objetos do cotidiano. As crianças gostam de contos de fadas,  fábulas e parlendas”, que são rimas infantis que divertem os pequenos, ao mesmo tempo que trabalham com a memorização e a fixação de alguns conceitos.

Mas além de estimular a leitura nas crianças, a prática iniciada muito cedo pode motivar a proximidade entre mães e filhos. É o caso da também bibliotecária Kelly Pereira que embora não tenha tido a chance de ter essa experiência com os livros na sua infância, procura desde cedo estimular a filha Laura. “Os momentos de leitura com a Laura são os nossos momentos de ficarmos juntinhas, de estreitamento de laço, de viajarmos nas histórias, de nos encantarmos com as ilustrações, de sermos envolvidas pelas rimas, de reflexões e questionamentos”, explica.

Kelly, que lê para Laura desde muito cedo, desenvolve atividade de leitura na Praça de Bacaxá, em Saquarema (RJ). Foto: arquivo pessoal

Kelly diz que uma das suas inquietações como mãe, além de saúde e educação, era tornar a leitura um hábito e o livro um objeto lúdico e de fácil acesso para sua filha. Além disso, ela aproveitou a sua formação em biblioteconomia e seu entendimento de que “o livro é uma das armas potenciais de e para a transformação social” para iniciar um projeto de leitura na praça, em conjunto com a amiga Isabela Amorim, em Bacaxá, Saquarema, município de cerca de 87 mil habitantes da Região do Lagos no estado do Rio de Janeiro, onde realizam atividades de contação de histórias para crianças.

A professora e bibliotecária Cilene Oliveira também viveu experiências parecidas com as de Kelly e Tatyanne. Quando o seu primogênito Gabriel nasceu  já havia uma pequena biblioteca em sua casa. Mas apesar da variedade de título, Gabriel, hoje com 28 anos, escolheu o de pano,  que também servia de travesseiro e brinquedo, como seu favorito. Cilene explica que com cerca de 8 anos o filho já lia Monteiro Lobato,  estimulado por um filme de animação no cinema. “Também foi muito estimulado a ler no Colégio Pedro II [onde estudava] e tinha  horários de aulas de literatura infantil na biblioteca […] É leitor de fôlego até hoje e muitas vezes virou a madrugada lendo, assim como eu”, se orgulha.

Cilene transmitiu a prática de leitura aos filhos Gabriel, Raquel e Beatriz. Foto: arquivo pessoal

Raquel, a filha do meio de Cilene, também conviveu com os livros, assim como o irmão. O seu passeio preferido era na biblioteca do Centro Cultural Banco Brasil (CCBB), no Centro do Rio, de onde costumavam voltar juntas a pé passando pelos antiquários e sebos da Rua do Lavradio. “Hoje é uma leitora na média brasileira, porém mais do que ler, gosta de ter seus livros de infância e juventude, que não dá,  não vende e não troca”, explica a mãe orgulhosa. Raquel, que hoje tem 25 anos estuda gastronomia, já está montando sua própria biblioteca com livros de literatura e, claro, os relativos à sua área de formação.

A caçula Beatriz (10 anos) nasceu já com uma grande biblioteca com livros e gibis deixados pelos irmãos mais velhos, de quem também herdou a prática da leitura. Mas mais do que ler, Bia, como carinhosamente é chamada pela família, foi um pouco além: gosta de escrever suas histórias e também ilustrar. Pudera! A menina praticamente cresceu dentro das bibliotecas onde a mãe trabalhou, desenvolvendo, segundo Cilene, o gosto pela seleção de livros infantis e o felling para a boa literatura. Por isso a bibliotecária acredita que vale a pena investir em livros para que as crianças desde cedo convivam com a leitura. “Não só teremos filhos com bom vocabulário e facilidade de redigir textos, mas também pessoas com imaginação”, defende.

Abaixo sete dicas da bibliotecária e contadora de histórias Tatyanne Valdez para estimular o hábito de leitura nos pequenos:

  1. É muito importante respeitar o tempo de escuta da história dos bebês e crianças.
  2. Conheça previamente a história que irá contar! Assim, é mais fácil para dramatizar, brincar com as palavras e os sons, usar a entonação e os gestos nos momentos certos! Por exemplo, Nicolas adora as repetições das palavras e as onomatopeias. Não podemos esquecer do ritmo das histórias, pois uma leitura monótona não cativa ninguém, muito menos os bebês e as crianças !
  3. Improvise! Reconte o conto! Se tem muito texto, apresente parte da história, mostre as ilustrações e lembre de conversar com o seu bebê sobre a história.
  4. Ensine o seu bebê a folhear as páginas, pode deixá-lo tocar, abraçar e até beijar o livro! É muito importante criar conexões entre você, o bebê e o livro!
  5. Para escolher a história é muito importante explorar os sentidos. Bebês gostam de livros com bichos, rimas, narrativas com barulhos e com objetos do cotidiano. As crianças gostam de contos de fadas, fábulas e parlendas.
  6. Não importa se é literatura brasileira ou estrangeira. É indispensável que a história seja envolvente e repleta de significados para os bebês e crianças. Nicolas gosta muito do livro “O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado” de Andrey e Don Wood. Percebi que os elementos da história e a minha interpretação foram cruciais para ser o seu livro preferido desde quando tinha meses de nascido!
  7. Crie ritos! Escolha sempre um mesmo local para contar histórias ou um determinado momento do dia, cante canções e bata palmas. Eu sempre conto as histórias antes de Nicolas dormir e finalizo com palmas!
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