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O desenvolvimento das tecnologias de comunicação, aliado ao advento da Internet, especialmente os computadores e as redes eletrônicas, tornaram possível a criação novas maneiras de se comunicar. Neste contexto, a comunicação científica pôde expandir suas fronteiras, fossem elas geográficas, hierárquicas, entre outras.

As redes sociais passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas, tornando o ciclo informacional mais dinâmico, possibilitando novas formas de interação entre os indivíduos.

Além disso, as aplicações dos recursos da informática nas bibliotecas e centros de informação ocasionaram mudanças nas atividades profissionais dos bibliotecários e na maneira de buscar, armazenar, difundir e utilizar a informação.

Os canais de comunicação informais na Internet, dentre eles os blogs, redes sociais, websites, revistas eletrônicas não científicas, grupos e listas de discussões passaram a ser utilizados como uma forma dos profissionais se manterem atualizados a respeito de diversos assuntos.

Tornaram-se espaços de trocas de experiências profissionais, também para denunciar irregularidades trabalhistas e condições de trabalho, compartilhar programações culturais ou expressar opiniões sobre questões políticas, acadêmicas, sociais, pessoais, entre outras, sem passar pelos filtros formais da ciência.

Em contraponto aos canais formais e científicos, os meios informais de comunicação possibilitaram o uso de uma linguagem mais coloquial, menos conceitual e de fácil assimilação.

As redes sociais passaram a fazer parte das atividades cotidianas das bibliotecas, seja para divulgar atividades lúdicas, programações culturais e até mesmo novas aquisições de acervo, entre outros.

Bibliotecas e mídias sociais

Dempsey Bragante, bibliotecário da Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) é um dos idealizadores da página “Somente Biblio”, no Facebook que conta com um total de 865 seguidores.

A ideia de construir o perfil na rede social surgiu durante o curso “Marketing em Mídias Sociais: estratégias para bibliotecas”, ministrado por ele e pela bibliotecária Gilda Queiroz em parceria com o Grupo de Profissionais de Informação em Documentação Jurídica do Rio de Janeiro (GIDJ-RJ). O intuito do curso é o de abordar conteúdos e iniciativas voltadas para o marketing em bibliotecas.

Dempsey é bibliotecário da UFF e um dos organizadores da página Somente Biblio. Foto: Divulgação

Para Dempsey, as bibliotecas devem explorar as mídias sociais, uma vez que são ferramentas que possuem baixo custo, instantaneidade, facilidade para criar vínculo com seu público-alvo, além de gerar fluxo para sites e para os serviços presenciais da biblioteca.

Com uma navegação básica na Internet é possível conferir as informações a respeito das programações e eventos de diversas bibliotecas através dos perfis ou páginas nas redes sociais.

No Facebook, por exemplo, temos os perfis de bibliotecas tradicionais brasileiras que possuem um grande número de seguidores como a Fundação Biblioteca Nacional (241.510 curtidas), a Biblioteca Mário de Andrade (65.447 curtidas), a Biblioteca do Senado Federal (30.922 curtidas), o Sistema de Bibliotecas da PUC-Rio (3.265 curtidas), a Biblioteca do Centro Tecnologia da UFRJ (1754 curtidas), a Biblioteca da Faculdade de Direito UFF (1880 curtidas), entre outras.

Nesses perfis as bibliotecas procuram interagir com o público de uma maneira geral apresentando conteúdos, novas aquisições, datas e horários de funcionamento, entre outros. Mas, somente isso não é o necessário, não adianta ter uma boa informação e não ter uma apresentação adequada.

Segundo Dempsey, “os bibliotecários precisam ter uma preocupação com as postagens, pensar em títulos, imagens atraentes e textos objetivos. Esses passos geram o vínculo e facilita o conhecimento por parte dos usuários dos produtos e serviços da biblioteca”.

Divulgando e potencializando o alcance dos serviços

Outras bibliotecas tradicionais também utilizam as redes sociais para divulgar e dar maior visibilidade as suas ações e eventos. A Biblioteca-Parque Estadual (BPE) utiliza o Facebook para divulgar as iniciativas desenvolvidas pelas unidades no Rio de Janeiro.

Com um total de 33.749 seguidores, a página conta com publicações diárias voltadas para as atividades desenvolvidas no interior da biblioteca tais como exposições, visitas de escolas, eventos literários, sugestões de leitura, entre outros.

Publicação na página da BPE com sugestão de leitura.

A interação com os leitores também pode ser usada como um feedback a respeito dos serviços disponibilizados pela biblioteca. Segundo Dempsey, “os usuários são os maiores incentivadores, muitos ficam encantados com a presença das bibliotecas nas mídias. Através de cada curtida, comentário e compartilhamento os bibliotecários conseguem verificar que o trabalho está sendo bem realizado”.

Na página da BPE, além de elogios e recomendações para visitas as bibliotecas-parque, os leitores também chamam atenção dos governantes para importância desses espaços culturais para a sociedade de uma forma geral.

“Gostaria de fazer uma reivindicação ao Estado do Rio de Janeiro. O que a nossa cidade precisa é de mais educação e ensino, quando vocês fecham as portas de uma biblioteca para o povo, vocês continuam negligenciando essa área”, comentou o leitor Rafael Basílio.

Além das bibliotecas tradicionais, as bibliotecas comunitárias e os centros culturais também estão utilizando as redes sociais como uma ferramenta para potencializar suas ações.

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) conta com um perfil que possui 4.896 seguidores. Nele é possível ter conhecimento dos eventos organizados pela RNBC e acompanhar as mobilizações em prol políticas públicas da área do livro, da leitura e das bibliotecas.

Por outro lado, engana-se quem acredita que essas iniciativas ficam restritas ao universo das bibliotecas, dos livros e da leitura. Além de páginas voltadas para notícias e preparatórios de concursos para profissionais, as atividades esportivas também estão ganhando espaço no meio.

Os estudantes de biblioteconomia da UNIRIO criaram a Associação Atlética Acadêmica Paul Otlet (AAPO). A página conta com 1.555 seguidores e são compartilhadas notícias a respeito de treinos, competições, produtos e conquistas da Atlética, como o bicampeonato do futsal feminino nas edições de 2016 e 2018 do Interuni, torneio interno de cursos de graduação da UNIRIO.

Equipe Feminina de Futsal do curso de Biblioteconomia da UNIRIO. Foto: Divulgação Facebook

Segundo Dempsey, todos os tipos de biblioteca devem utilizar as mídias sociais para aumentar o alcance e a relevância da instituição. “Muitos bibliotecários reclamam que as bibliotecas não são reconhecidas como importantes, mas cabe ao bibliotecário realizar esse trabalho de marketing, visando a valorização e as mídias sociais estão disponíveis para este compartilhamento positivo da biblioteca”, destaca.

Em alguns casos, a própria rede social acaba criando uma página não oficial como ocorreu com a Biblioteca Pública Municipal Professora Elsa Hofstatter da Silva, localizada em Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul.

Devido ao grande número de menções pelo aniversário de vinte e cinco anos da referida biblioteca, o Facebook criou uma página não oficial e para proceder a oficialização da mesma é preciso se identificar como responsável da página e completar os dados.

Na Biblioteca do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro  (UFRJ), optou-se pelo estabelecimento de diretrizes de publicação nas redes sociais (Facebook e YouTube), de modo a não só evitar erros, mas também garantir uma boa relação com o seu público, em geral formado por estudantes de engenharia.

Chico de Paula, bibliotecário-chefe da instituição e editor da Biblioo, explica que uma das grandes vantagens das diretrizes é que cada funcionário habilitado a fazer a atualização dos canais sabe o escopo dos temas a serem publicados, as fontes prioritárias e confiáveis, bem como verificar a atualizadade das publicações.

“Dentre as fontes de informação prioritárias para a atualização das redes sociais da Biblioteca do CT estão, por exemplo, os canais da própria universidade e as governamentais, além de outros sites. Além disso, nós estabelecemos que apenas publicações recentes devem ser compartilhadas”, explica o bibliotecário.

Uma outra regra estabelecida pela Biblioteca do CT é que textos de opinião não podem ser compartilhados, mas apenas reportagens de fontes confiáveis. “Nós observamos que quando compartilhavamos textos de opinião os usuários tentendiam a acreditar que a biblioteca estava concordando com aquele ponto de vista, o que não era verdade. Por isso hoje nós só compartilhamos publicações de caráter mais objetivo, como reportagens, por exemplo”, esclarece.

*Esta reportagem foi atualizada as em 11 de março para corrigir e acrescentar informações.

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