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Alguns espaços culturais não passaram ilesos às fortes chuvas que castigam o Rio de Janeiro desde a noite desta segunda-feira (08). É o caso do Museu Casa do Pontal, maior acervo de arte popular do Brasil, localizado na Zona Oeste da cidade, que foi um dos mais atingidos pelas enchentes que já provocaram a morte de pelo menos 10 pessoas.

Em nota publicada no Facebook, a instituição explica que mais de 300 obras foram retiradas das galerias que ficaram completamente alagadas. Outras 4 mil peças ainda estariam com alto risco de serem atingidas. Ainda de acordo com o informe, as inundações começaram depois da construção de um grande condomínio no entorno do Museu, autorizado pela Prefeitura, que colocou o terreno em alto risco de alagamento.

“A Prefeitura reconheceu sua responsabilidade, cedeu um terreno na Barra [da Tijuca] e prometeu recursos para construção de uma nova sede. Mas há 20 meses a obra está parada, 70% pronta! Faltam apenas 5 meses! O momento é crítico, uma verdadeira emergência! Esse acervo, parte fundamental do patrimônio brasileiro, precisa ser salvo!”, diz a nota.

Imagens mostram o prédio do Museu do Pontal rodiado pela água da chuva. Foto: divulgação

Em 2016 o Museu já havia sofrido um alagamento após fortes chuvas castigarem a cidade. Na época a diretora do Museu, Angela Mascelani, já atribuía o problema das inundações à construção do Portal Oceânico, conjunto de prédios erguidos para abrigar parte da imprensa que viria ao Brasil fazer a cobertura dos Jogos Olímpicos. Na ocasião nenhuma obra foi perdida.

O Museu Casa do Pontal é considerado o maior e mais significativo museu de arte popular brasileira. A coleção composta por mais de 8 mil peças foi reunida pelo francês Jacques Van de Beuque (1922-2000), responsável também pela construção do Museu, iniciada em 1976. O acervo e a edificação foram tombados em 1991 e constituem um patrimônio de interesse público.

Outro espaço que também foi bastante prejudicado pelas chuvas foi a Biblioteca Central da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), que fica localizada no bairro da Urca, na Zona Sul da cidade. Mas apesar da quantidade considerável de água que entrou no espaço, não ouve dano ao acervo.

“Tivemos uma considerável quantidade de água que entrou na biblioteca, mas não houve danos ao acervo. O que molhou foram livros para doação (que estavam em caixas prontas para serem despachadas) e alguns livros que recebemos de doação e serão recuperados. Foi um susto e muito trabalho físico para retirada de água. Mas, graças a Deus e estamos com tudo sob controle”, explicou Marcia Valeria, bibliotecária e diretora da instituição.

Segundo ela, o maior prejuízo foi o elevador que acabou queimando depois uma grande quantidade de água entrou no seu poço. “Outras áreas da universidade sofreram mais porque a água foi direcionada para outros pontos de escoamento. Mesmo assim, tivemos muita sujeira para limpar”, esclareceu Marcia acrescentando que vários professores de biblioteconomia e arquivologia da Universidade se prontificaram em ajudar.

No final da tarde desta terça-feira (09), a Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu suspender as aulas e o expediente nesta quarta-feira, 10/4, das unidades da Universidade na cidade do Rio de Janeiro e em Duque de Caxias. De acordo com o informe, as aulas e o expediente do campus Aloisio Teixeira, em Macaé, não estão suspensas.

Outros espaços

Segundo o Jornal O Globo, outros centros culturais da cidade também foram prejudicados pelas chuvas. É o caso dos dois cinemas do Grupo Estação instalados na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo e da Estação Net Rio, além do Net Botafogo invadido pela água do lençol freático que subiu. A programação desta terça-feira foi cancelada, mas a previsão é que volte ao normal nesta quarta.

O mesmo aconteceu com o Espaço Itaú, na Praia de Botafogo, onde as águas chegaram próximas à livraria instalada no cinema. A programação também só volta na quarta. O Instituto Moreira Salles não teve estragos dessa vez, mas por precaução acabou cancelando a sua programação. O mesmo aconteceu com casa de shows Manouche, no Jardim Botânico, um dos bairros mais atingidos, que também teve de suspender sua programação.

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