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O ano de 2018 foi um ano que não esqueceremos tão fácil. Ano de enredos de protestos no carnaval carioca; ano de Copa do Mundo de futebol na fechada Rússia; ano de eleições majoritárias no Brasil…

Dois mil e dezoito foi um ano de extremos, de temores, em que muitas pessoas tiveram cismas por questões de divergência no campo político, filosófico, religioso… Este foi o ano também em que um parlamentar em especial findará seu mandato no Congresso Nacional, pelo menos por quatro anos (espero fortemente que ele retorne na próxima futura legislatura).

Nascido na cidade do Rio de Janeiro em outubro de 1949, Francisco Rodrigues de Alencar Filho, ou simplesmente Chico Alencar, é formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Atuou no magistério da rede pública e particular carioca. Defendeu sua dissertação sobre movimentos de associações de moradores do Rio de Janeiro, sagrando-se mestre pela Fundação Getúlio Vargas em 1980.

Chico Alencar sempre foi considerado um dos parlamentares barsileiros mais atuantes. Foto: Facebook

Sua trajetória de vida pública, por assim dizer, iniciou-se no movimento estudantil e em movimentos de juventude ligados à Igreja Católica. Como se sabe, uma parcela significativa dos militantes do campo progressista, começaram suas trajetórias na vida pública/política em movimento estudantil e com o Chico não foi diferente.

A carreira político-partidária iniciou-se quando ele foi eleito como vereador na cidade do Rio de Janeiro por duas vezes: 1989-1992 e de 1993-1996. Nas eleições de 1998, elegeu-se como deputado estadual, ficando na ALERJ de 1999-2002.

Ainda em 2002 disputou as eleições para deputado federal, e foi eleito para ser um dos representantes do estado do Rio de Janeiro na Câmara. Em todos os pleitos acima mencionados, Chico foi eleito pelo PT, onde permaneceu até 2005, sendo um dos seus quadros mais atuantes.

Devido à forma de governar escolhida pelo Partido dos Trabalhadores (seguindo à cartilha já utilizada pelo PSDB), muitos dos seus quadros que teciam ácidas críticas aos rumos que o Partido decidira seguir, foram expulsos do partido.

Chico e outros membros ainda permaneceram um tempo na sigla, na esperança de assumirem a direção nacional nas eleições internas. Perderam as eleições e viram o PT repetir uma política econômica que, flagrantemente, atentava contra as bandeiras historicamente defendidas pelo Partido.

No Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Chico foi reeleito para a Câmara nos pleitos de 2006, 2010 e 2014, recebendo votos suficientes para eleger ele e alguns colegas de partido.

Dono de uma oratória refinada e de fácil assimilação, Chico consegue atrair a atenção de pessoas que militam no campo progressista, mas também os que congregam na direita conservadora.

Neste tempo de parlamentar, ele sempre foi respeitado e angariou prêmios e menções honrosas ao longo de sua carreira. Desde o ano de 2006 ele é incluído na seleta lista dos 100 parlamentares mais influentes no Congresso Nacional.

Levando em consideração que o Brasil tem 513 deputados federais e 81 senadores, estar entre os 100 mais influentes das duas casas legislativas é um fato por si só digno de reconhecimento.

Não obstante, em 2009 ele foi o vencedor do prêmio Congresso em Foco, como o deputado mais atuante da Câmara Federal. Em 2015, o parlamentar foi eleito pela 6ª vez consecutiva como o melhor deputado do Brasil, escolhido pelos jornalistas que cobrem a cena política na Câmara.

Chico atuou em várias frentes dentro da Câmara. Soube debater com propriedade sobre educação, reforma agrária, saúde, combate à corrupção, gestão ambiental, dívida pública, habitação popular, direitos humanos.

Atuante combatente na defesa das minorias, ele foi uma voz poderosa no parlamento contra as pautas conservadoras que visavam à retirada de direitos, tão ardorosamente conquistadas.  Chico sempre teve um lugar de luta e nunca deixou de lutar por aquilo que acreditava!

Em 2018 ele teve alguns baques fortes na vida. Em Março, sofreu um forte golpe (e nós também) com o assassinato da vereadora Marielle Franco, sua colega de partido e aliada na luta pela pauta progressista.

Nos meses que seguiram, foi anunciado como um postulante a uma das duas vagas ao Senado pelo estado do Rio de Janeiro. No segundo semestre do corrente ele iniciou sua campanha, o que se descortinou como uma tarefa árdua, por consequência da onda antipetista que se estendeu para todo o campo progressista.

Ah, 2018, como não lembrar da campanha eleitoral?! Como esquecer às notícias falsas, a desfaçatez e mentiras espelhadas em longa escala contra os candidatos do campo progressista?! Chico foi às ruas, percorreu o estado inteiro, bateu papo com eleitores, distribuiu “santinhos”, andou nas praças, palanques, estradas.

Todavia, o desafio não era apenas conseguir votos, mas se desvincular das calúnias que eram geradas amiúde por uma indústria propagandista falaciosa, financiada por grandes empresários nacionais…

Chico Alencar ao lado da atriz Camila Pitanga e da deputada estadual eleita Reanata Souza durante a campanha presidencial do segundo turno em 2018. Foto: Facebook

Não teve jeito! O que era inimaginável há menos de um ano, tornou-se uma realidade difícil de engolir a seco. O fenômeno eleitoral que arrasou as expectativas dos analistas políticos mais experientes deixou sua marca no estado do Rio de Janeiro.

Venceu um candidato até então desconhecido do grande público para o governo do estado; o presidente eleito teve uma expressiva votação no Rio; e para o senado foram eleitos um dos filhos do presidente eleito (com mais de 4 milhões votos), e um empresário do ramo gospel, que obteve cerca de 2 milhões e 300 mil votos.

Chico Alencar recebeu a confiança de 1.281.373 eleitores do Rio de Janeiro, mas não foi suficiente para elegê-lo ao senado, terminando à corrida eleitoral na quinta posição.

É claro que nem tudo está perdido depois das sombrias eleições de 2018. Embora muitos deputados e senadores que se aproximam do discurso do presidente eleito estejam em Brasília em 2018, o campo progressista mandou vários quadros de expressão rumo ao congresso nacional.

Pelo Rio de Janeiro foram eleitos: Marcelo Freixo, Talíria Petrone, Glauber Braga e Jean Wyllys (PSOL); Alessandro Molon (PSB); Jandira Feghali (PC do B); Benedita da Silva (PT), por exemplo.

Valho-me aqui do espaço de colunista, mas é como eleitor que escrevo. Votei no Chico convictamente desde a sua primeira eleição já no PSOL e nunca me arrependi de ter votado nele.

Lembro de um episódio em que o encontrei por acaso no Centro do Rio de Janeiro, em uma segunda-feira. O indaguei querendo saber o que levava um parlamentar que deveria estar em Brasília, está no Centro do Rio em horário de trabalho.

Ele me olhou e disse que estava resolvendo questões na base, e que estaria em um evento público no mesmo dia. Mandei um e-mail para o gabinete solicitando a agenda, e recebi um retorno no dia seguinte, confirmando o que eu havia dito ao próprio parlamentar.

O Rio de Janeiro fez a sua escolha: não teremos o Chico como o melhor deputado do Brasil entre 2019-2022, mas espero poder votar nele novamente em breve. E quando falar para os meus filhos sobre minhas escolhas políticas, contar sobre um certo Francisco Rodrigues de Alencar Filho, carinhosamente chamado de Chico.

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