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O carnaval é a festa mais popular e democrática no Brasil reconhecida mundialmente. O carnaval de 2018 marcará a história desta festa como um dos carnavais mais politizados e críticos dos últimos anos retomando assim os antigos carnavais da década de 1980.

As escolas de  samba  escolhem os temas e pesquisam em arquivos, bibliotecas e museus. Isso mesmo, atrás de cada desfile, há o trabalho de muita pesquisa e de muita leitura para que os carnavalescos tenham inspiração e possam contar a história na avenida. Portanto, a pesquisa é fundamental para o desenvolvimento do enredo. Seus desfiles são frutos do trabalho de toda uma comunidade durante o ano anterior.

Os temas escolhidos e a abordagem feita nos adereços carnavalescos pelas escolas de samba do Rio de Janeiro deste ano foram muito ricos e  surpreendeu a todos, inclusive os meios de comunicação. Infelizmente, tais meios, ao invés de informar, vêm muitas vezes  omitindo e direcionando a opinião pública sobre determinados fatos, principalmente, os de cunho político e social, pois estão mais comprometidos com o mercado econômico.

O que vimos este ano na Sapucaí foi que as escolas de samba carioca fizeram um trabalho de conscientização política/social muito importante, principalmente com os trabalhadores menos informados e de denúncia do que está se passando no país para o mundo.

Como todos sabem, os desfiles são transmitidos ao vivo pela emissora Rede Globo para diversos países sem cortes na transmissão e seus apresentadores não sabiam o que falar  durante as críticas presentes nos  desfiles, principalmente, da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, localizada no bairro Imperial de São Cristóvão. As escolas de samba tradicionais que também fizeram críticas a problemas atuais foram a Beija-Flor, a Mangueira, a Portela e a Salgueiro. Os temas apresentados foram escravidão de antigamente e de hoje, os cortes dos direitos trabalhistas, a manipulação da população, os problemas no estado do RJ como a corrupção, a violência, o homofobia, o racismo, a intolerância aos imigrantes,  o corte de verba para as escolas de samba pela prefeitura do Rio de Janeiro, a mulher negra na sociedade. Os desfiles dessas escolas foram tão bons que elas ficaram entre as cinco primeiras, vejam a classificação final do Grupo Especial do Carnaval de 2018.

                                                                                                       Foto: Carnavalesco

Como mencionei acima, o trabalho de pesquisa e de leitura é intenso e muitos tomaram ciência disso quando o jornalista do site 247, Gustavo Conte postou em seu facebook a bibliografia consultada pela escola Paraíso do Tuiuti e, em menos de 48h, teve mais de 1700 compartilhamentos. A sinopse com a bibliografia pode ser acessadas no site Carnavalesco.

Após a divulgação, tomei ciência que alguns professores da área de Ciências Humanas do ensino médio irão levar o desfile (imagens, letras do samba e os livros que embasaram as mesmas) para a sala de aula para debater com os alunos. Quem sabe o Carnaval não estará presente no ENEM?

Não posso deixar de destacar também os desfiles das escolas de samba Imperatriz Leopoldinense,  que homenageou os 200 anos do Museu Nacional, e a São Clemente, que homenageou os 200 anos da Escola Nacional de Belas Artes, ambas da UFRJ. Tais escolas uniram dois mundos: o popular e o acadêmico/científico, onde alunos, docentes e técnicos administrativos da instituição também participaram dos ensaios das  escolas e desfilaram.

As escolas transformaram a grande Sapucaí  em momentos não só de alegria, mas também de manifestação política, irônica e pacífica de insatisfação popular brasileira. Aliás, carnaval é contestação!!! Este carnaval já é um dos mais postados e comentados nas redes sociais.

Talvez, o carnaval de 2018 tenha vindo para dar mais consciência ao povo brasileiro, mostrando que o poder tem que emanar de baixo para cima, onde se pôde ouvir gritos do público de “Fora Temer”.

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