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No final de 2016 eu publiquei um texto na Biblioo no qual eu afirmava que as bibliotecas-parque, que fechavam as portas naquele momento, não deveriam voltar a abrir tão cedo. E por mais pessimista que fosse a afirmação, eu não imaginava que ela pudesse se confirmar de forma tão precisa.

Em fevereiro deste ano, ou seja, mais de um ano após o encerramento das suas atividades, a Biblioteca-Parque da Rocinha (C4) voltou a funcionar, dando início ao processo de reabertura das unidades. O fato, como não poderia deixar de ser, foi vendido pelo governo Pezão como uma grande iniciativa, animando os espíritos desavisados.

Fachada da Biblioteca Parque da Rocinha. Foto: divulgação

Vozes dissonantes, vindas especialmente dos seguimentos sociais e populares, no entanto, começaram a ser ouvidas. É caso, por exemplo, de Daiana Ferreira, diretora do Ballet Manguinhos, que disse à Pezão durante a reinauguração da Biblioteca-Parque de Manguinhos: “se vocês abandonarem novamente a Biblioteca, nós voltamos para cá e não saímos mais”. Daiana também indagou ao governador: “a Biblioteca está reabrindo, mas até quando?”. Constrangido, Pezão não soube responder.

Por vezes os políticos julgam (ou subjulgam) o povo como sendo incapaz. Mas o povo não é! Inclusive muitas pessoas já entenderam que a reabertura das bibliotecas-parque, feita de forma precária, diga-se de passagem, é apenas uma forma oportunista (não nos esqueçamos que estamos em ano eleitoral) de tentar lhes enganar.

Biblioteca-Parque de Manguinhos Marielle Franco passou por pequenos reparos antes de reabrir. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo

Isso porque Pezão já provou, por vezes, que se não tem desprezo, afeição é que não tem pela Cultura. Não só desfez a pasta (voltando atrás após intensa pressão da classe artística, especialmente), como a tem utilizado de forma burocrática e aproveitadora. Basta olhar o currículo dos seus dois últimos secretários, incluindo o atual, que pouco ou nada fizeram por esse seguimento.

De volta às bibliotecas-parque, após a reinauguração das unidades da Rocinha e de Manguinhos, o governo do estado sinaliza agora com a possibilidade da Biblioteca-Parque do Estado, localizada no Centro, reabrir sob a concessão à Eletrobras, aquela estatal prestes a ser rifada pelo governo ilegítimo de Temer.

Não é motivo de constrangimento lembrar que a Biblioteca-Parque do Estado já “reabriram” outras três vezes aos longo de 2017: uma com os servidores realocados da Educação, uma de forma direta, ou seja, com servidores da Cultura, e outra com a ONG Jango. Nenhuma concretizada.

E mesmo com a reabertura de duas unidades, fica claro a precariedade do ato, pois hoje as bibliotecas estão abertas com a utilização dos servidores da SEC, que se revezam entre suas atividades junto à Secretaria e as tarefas cotidianas das unidades. Concurso para novos servidores não é algo que se cogita, conforme deixou claro o secretário Leandro Monteiro.

É por essa e por outras que embora louvável, a reabertura das bibliotecas-parque devem ser vistas com total desconfiança. As comunidades nas quais estas instituições estão inseridas devem ficar atentas e, conforme alertou Daiana, se o governo lhes abandonar, a comunidade deve ocupa-las para não mais sair.

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