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Revelar boas práticas vinculadas às bibliotecas, sejam estas públicas, escolares, universitárias ou outras tipologias, constitui um tema prazeroso e foi com esse pensamento que optei por apresentar dados sobre as bibliotecas suecas, que vivem perspectivas harmônicas e são espaços muito valorizados na cultura daquele país.

A Suécia dispõe de 450.000 Km² em termos de área, sendo considerado o terceiro maior país da União Européia, com cerca de 9,2 milhões de habitantes. Boa parte de sua população vive em áreas urbanas (aproximadamente 85%) e sua capital, Estocolmo, concentra dois milhões de habitantes.

As bibliotecas suecas são bastante organizadas do ponto de vista arquitetônico. Foto: Soraia Magalhães / Caçadores de Bibliotecas

Foi uma informação disseminada num grupo de bibliotecários do qual faço parte que me motivou a escrever e referendar o quanto esse país valoriza as bibliotecas. Buscando mais dados sobre essa dita informação, descobri que se tratava de uma publicação na Wikipédia, Biblioteca Livre, apontando que “a Suécia dispõe de uma biblioteca nacional, 290 bibliotecas municipais com cerca de 1000 filiais, 40 bibliotecas universitárias, cerca de 90 bibliotecas ambulantes (em autocarro/ônibus), 3000 bibliotecas escolares e 85 bibliotecas de hospital.”

De posse desses dados, contactei a brasileira Regina Bogestam, profissional que atua em Estocolmo na Internationella Biblioteket (Biblioteca Internacional), que assegurou a veracidade da informação e destacou um dado relevante: a lei de bibliotecas escolares sueca é até um pouco mais nova que a do Brasil, pois data de 1 de julho de 2011 e abrange todo tipo de escola.

A lei de bibliotecas escolares da Suécia é mais recente que a brasileira. Foto: Soraia Magalhães / Caçadores de Bibliotecas

A lei sueca para bibliotecas escolares não tem a carência de tempo para adequação, mesmo porque não há a obrigatoriedade do profissional bibliotecário para atuar no espaço, fator que vi como negativo.

Nesse sentido valorizo a lei brasileira (Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010) que determina que todas as instituições de ensino do país, sejam públicas ou privadas, serão obrigadas a manter uma biblioteca escolar e terão obrigatoriamente de contratar bibliotecários para o exercício da função.

A diferença é que na Suécia as bibliotecas escolares já foram criadas, enquanto que no Brasil há uma adequação com prazo de até dez anos para a adoção real do que está contido na lei.

 Uma outra realidade

Quanto às bibliotecas públicas suecas, estas são fortalecidas também por uma lei que determina que os municípios deverão dispor de condições de oferecer atendimento informacional a toda a sociedade e por isso todas as cidades dispõe de suas bibliotecas públicas.

Diferente do Brasil, que tem por realidade inúmeros municípios que ainda não possuem esses espaços e que se arrastam as condições para a composição de um cadastro nacional de bibliotecas, com informações que podem ocorrer sem veracidade, dadas as dimensões geográficas do país.

Infelizmente as políticas públicas brasileiras voltadas para o setor têm optado bem mais por distribuir recursos para a aquisição e manutenção de acervos do que para acompanhar a criação e a formação de espaços de bibliotecas.

Ainda sobre as bibliotecas públicas suecas, no tocante ao espaço físico, é possível apontar que são confortáveis e muito bonitas. A iluminação, a decoração e as cores colocam em harmonia espaços e acervos que fazem com que os locais se assemelhem com as mais belas livrarias.

Dois espaços maravilhosos podem ser observados por meio da Biblioteca Municipal de Estocolmo, que é considerada uma das mais bonitas do mundo ou a Biblioteca de Haninge, localizada em um pequeno subúrbio, distante25 km, ao sul da capital, que possui uma estrutura ampla, funcional e, do ponto de vista arquitetônico, muito bem integrada ao ambiente.

Biblioteca Municipal de Estocolmo. Foto: Soraia Magalhães / Caçadores de Bibliotecas

Em se tratando dos aspectos geográficos, as bibliotecas estão geralmente localizadas em espaços estratégicos para serem vistas, próximas às saídas de metrô ou até mesmo em áreas onde transitam grande fluxo de pessoas todos os dias.

Um dado bastante significativo das bibliotecas públicas suecas é a atenção para com as minorias linguísticas. O país, nos últimos anos, vem recebendo imigrantes de diferentes partes do mundo e para atender a essa clientela diferenciada, as bibliotecas públicas dispõe de setores especializados com publicações provenientes de variados países, inclusive dispondo de jornais diários.

Há na Suécia um alto grau de comprometimento com as políticas culturais, onde as bibliotecas públicas estão inseridas e por isso são injetados recursos públicos para o fortalecimento do setor, com comprometimento com as práticas de mediação de leitura. É de entendimento que não só espaços físicos, mobiliário e acervos são necessários para o fortalecimento dessas práticas. Mas aliado a tudo isso, profissionais capacitados e uma série de serviços são pensados e disponibilizados para atender a uma clientela cada vez mais exigente.

Estocolmo, cidade das bibliotecas

Em termos de recursos humanos as bibliotecas públicas suecas dispõe de profissionais de várias áreas do conhecimento que atuam na referência e também de forma interdisciplinar na aplicação de projetos. Muitos falam além do idioma local, línguas como inglês e espanhol, favorecendo assim a comunicação com o público estrangeiro. Os bibliotecários, além de realizarem as ações técnicas que compõe as práticas biblioteconômicas, podem atuar no gerenciamento, na criação de projetos e também no atendimento aos usuários.

As bibliotecas públicas suecas dispõe de profissionais de várias áreas do conhecimento, Foto: Soraia Magalhães / Caçadores de Bibliotecas

A Suécia utiliza um sistema de classificação próprio, chamado SAB, sistema iniciado em 1921, que vem sendo paulatinamente substituído pela Classificação Decimal de Dewey, principalmente nas bibliotecas universitárias. Quanto as bibliotecas públicas, estas continuam a utilizar o SAB, mas aos poucos esse sistema será substituído pela Dewey.

Enquanto pesquisava textos para compor esse artigo, me deparei com uma linda reflexão sobre as bibliotecas de Estocolmo, contida numa revista publicada em Portugal. O texto reflete o que gostaria de ter escrito sobre essa cidade que encanta por emanar cultura em muitos de seus recantos e por revelar o tanto de paixão que os suecos parecem ter pelas bibliotecas. Sobre o assunto o autor inicia assim :

“Dizem que Estocolmo é a cidade dos museus. Podiam dizer também que é a das bibliotecas, por que has há por todos o lados: grande ou pequenas, generalistas ou especializadas, famosas ou anônimas, bem visíveis ao longe por sua monumentalidade exterior ou discretamente encolhidas numa zona residencial, encontramo-las no meio de jardins públicos, ao pé ou dentro dos museus, no centro histórico ou nas avenidas largas, dependentes de todas as instituições públicas imagináveis ou de inúmeras associações culturais e cívicas. Há muitos bairros modernos que contam com sua biblioteca comunitária, tão imprescindível a beira de casa como o supermercado, a lavanderia, a suana e o infantário”.

O autor trata especificamente de Estocolmo, então, apenas para ilustrar a informação, registro que a capital do país possui o total de 44 bibliotecas públicas e 88 museus distribuídos por várias áreas dessa cidade…

Visitei a Suécia em agosto de 2012 e fiquei no país por mais de trinta dias. Na oportunidade, tive o privilégio de conhecer vinte e nove bibliotecas, sendo desse montante a biblioteca nacional, uma biblioteca comunitária, duas escolares, quatro especializadas, e 21 bibliotecas públicas. Pena não ter conhecido nenhuma universitária, tampouco as bibliotecas ambulantes ou dos hospitais. Contudo, numa travessia de barco vi também um pequenino espaço com acervo de livros para atender os que estavam na embarcação… É assim… a Suécia incentiva a leitura por todos os lados. Somente as bibliotecas escolares, ainda precisam passar por um processo de mais investimento e atenção com a viabilização de serviços, mas no geral, as bibliotecas suecas são um sonho. Dessa experiência, o que posso dizer é que desejo fortemente que o Brasil um dia siga por esse caminho…

 

Mais informações sobre o tema:

Bibliotecas da Suécia

Dizem que Estocolmo é a cidade dos museus

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