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Que me perdoem, se insisto nesse tema*”…, mas me sinto na obrigação de apontar e instigar sobre o problema das bibliotecas públicas fechadas em diversas cidades do Brasil, especialmente agora que ainda está latente na memória de muitos, os acontecimentos que levaram milhares de pessoas a tomarem as ruas indignadas pelas decisões (ou falta delas) em diversos setores da vida urbana do nosso país.

Do ponto de vista das bibliotecas públicas, creio que perdemos um bom momento para manifestarmos nossa indignação pela falta de compromisso do poder público com esses espaços, muitos dos quais fechados para reforma, com estimativas de custos exorbitantes e sem o compromisso real no cumprimento de prazos para reabertura.

A ideia de tocar novamente o assunto decorreu do e-mail que recebi em um grupo de bibliotecários, de Marcos Rodrigues (presidente da Associação Profissional de Bibliotecários da Paraíba), no qual buscava chamar a atenção para o fato da cidade de João Pessoa, na Paraíba, ser a única capital do país, a não possuir uma biblioteca pública municipal.

Também, a leitura do texto Biblioteca vs Estádio, do colega Rodolfo Targino, publicado aqui mesmo na Revista Biblioo, edição 22, no qual questionava um posicionamento das autoridades públicas e até mesmo da classe bibliotecária e CRBs quanto a demora da reabertura da Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro (BPERJ) e a apatia dos bibliotecários em aproveitar o momento para centrar nas reivindicações .

Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro – Foto: Divulgação

Sabemos que além da Biblioteca Estadual do Rio de Janeiro, as bibliotecas públicas estaduais do Rio Grande do Sul, de Alagoas e do Rio Grande do Norte também estão fechadas e com promessas de reabertura que se arrastam desrespeitosamente. Em Rondônia, o caso é mais grave, pois a Biblioteca Pública Estadual fechou há muitos anos e a população nem questionou o problema. Em Tocantins a estadual nunca foi criada e até mesmo a biblioteca municipal estava em vias de mudar de endereço.Em meio a esse quadro e sabendo da existência de campanhas que vem ocorrendo em nível nacional em prol das bibliotecas, como Eu quero minha biblioteca, do Instituto Ecofuturo e também a campanha Eu amo biblioteca, eu quero, lançada durante o XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – CBBD, com o apoio da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB), penso que é hora de unirmos forças.  Ambas as iniciativas são bem aceitas pela classe bibliotecária, mas não podem ocorrer apenas do ponto de vista das redes sociais.

Biblioteca Pública Estadual de Alagoas – Maceió (2010) – Foto: Soraia Magalhães

Mas algo está mudando. As manifestações que aconteceram em Manaus com o Movimento Abre Biblioteca (que pedia a reabertura da biblioteca fechada há mais de 5 anos) e o Movimento Livraço, no Rio Grande do Sul onde os participantes reivindicam a construção de uma nova biblioteca pública para a capital do estado tem gerado sementes.

Nosso compromisso com a área Biblioteconômica deve ir além dos nossos postos de serviços e por isso, creio que somente unidos e participativos poderemos exigir respeito e melhoria. A adesão às campanhas e ações viabilizadas pelos colegas é fundamental para nosso fortalecimento.

Biblioteca Pública de Câmara Cascudo – Rio Grande de Norte – Foto: Soraia Magalhães

Não devemos ser omissos permitindo que o poder público determine fechamentos de bibliotecas por anos sem fazê-los entender que esses espaços, do ponto de vista cultural são fundamentais para a sociedade. Por outro lado, precisamos lutar para que sejam construídas novas bibliotecas e que já nasçam com a proposta de contribuir para a dinamização da cultura em cada cidade em que for instalada.   Para oferecer subsídios para esclarecer sobre o assunto, a campanha Eu amo biblioteca, eu quero, oferece informações relevantes sobre a importância desses espaços.

O e-mail do bibliotecário Marcos Rodrigues da Paraíba alertava para a inexistência da biblioteca pública municipal em sua cidade e para o fechamento de alguns pontos de leitura localizado nas praças de João Pessoa. Marcos Rodrigues está encampando uma luta… Sei o que é estar sozinho e buscando apoio e também sei o que é conseguir e ver que juntos podemos ir mais longe.

Local onde estava sendo construída biblioteca municipal de João Pessoa

Local onde estava sendo construída a biblioteca pública municipal de João Pessoa – Foto: Marcos P. Rodrigues

Penso que é tempo de deixarmos vir à tona os sentimentos que fizeram milhares de brasileiros irem às ruas exigindo um Brasil mais justo. E dessa vez também, por nossas bibliotecas  públicas.

* Citação da música “Você abusou” de Antônio Carlos e Jocafi.

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4 Comentários

  1. Aníbal Perea
    23 de agosto de 2013 a 15:33 — Responder

    Existe um descompasso do MInc, quando da aplicação das políticas públicas a área de bibliotecas, melhor, quando de bibliotecário tratar se dá. O Minc acaba de publicar a revista nº 1 Revista do Minc onde, descaradamente, expressa um investimento de R$70.00000 setenta milhões em reformas, mudança na política de aquisição de material bibliográfico e por ai vai…. Pergunto, vc, como militante da área, foi consultado para aportar ideias e colocar um olhar mais "utilitarista" , capilar, democrático do porquê fazer e onde investimentos em nossa área.
    Isso não sendo claro, temos um arremedo de participação popular, de compreensão das reais necessidades das pessoas "usuários". A biblioteca não é prioridade e nem será necessidade primordial para mudar os ambientes sociais de maneira positiva em nossas comunidades.

  2. Marcos Paulo
    23 de agosto de 2013 a 15:48 — Responder

    Prezada Soraia,

    Agradecemos pelo artigo e o apoio na luta para criação da Biblioteca Municipal de João Pessoa.

    Obrigado.

  3. Jemima Oliveira
    26 de agosto de 2013 a 1:34 — Responder

    A Biblioteca Pública estadual da Paraíba também está fechada para Reforma.

  4. 18 de setembro de 2013 a 9:34 — Responder

    Para os meus amigos, um bom dia. Pessoal, vamos lutar pelas bibliotecas.

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