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A formação de leitores se constitui, no atual contexto, uma das preocupações dos gestores de educação brasileira, dada a divulgação dos indicadores de leitura que coloca o Brasil em patamares bastante incômodos, uma vez que esses indicadores refletem de forma muito direta a qualidade da educação, haja vista os dados apresentados pelo INEP e IBGE que indicam que o desempenho dos jovens brasileiros em idade escolar na área da leitura e escrita é muito baixo.

Tal evidência é resultante do pouco investimento em políticas públicas de informação e de leitura, reflexo da ausência de espaços informacionais que venham estimular a leitura e a pesquisa nas escolas e na sociedade. Essa ausência é fruto de uma politica educacional que ainda não atentou para a importância de ações pedagógicas articuladas entre ensino, leitura e pesquisa como parte dos programas e conteúdos escolares.

Esse fato se agrava mais ainda quando se observa que no Brasil, e em particular no Maranhão, a ausência de bibliotecários e o fechamento das bibliotecas contribuem para agudizar o problema. O fechamento das bibliotecas “Faróis da Educação”, hoje “Faróis do Saber”, que representou durante os últimos 20 anos uma alternativa para a falta de bibliotecas escolares e bibliotecas públicas no Maranhão, reflete o pouco cuidado dos gestores públicos para com um espaço importante de formação de leitor e futuro pesquisador.

Biblioteca “Farol do Saber” Marajá do Sena, um dos município maranhenses com o menor IDH do Brasil. Foto: Chico de Paula / Agência Biblioo

Ressalta-se, ainda, o descumprimento da lei de universalização de bibliotecas escolares, Lei Nº 12.244 de 24 de Maio de 2010, pelos governos estadual e municipal, assim como a rede privada. Aliada a esses problemas, destaca-se também a desvalorização do profissional, considerando que há mais de 20 anos não são ofertadas vagas para bibliotecário, por meio de concurso público, cujo cargo não consta na estrutura administrativa das Secretarias de Educação do Estado e dos Municípios maranhenses.

O papel no bibliotecário

A formação de sociedades democráticas subtende pensar estruturas de informação e leitura abertas e acessíveis e pensar o profissional da informação, aquele que irá construir mecanismos de socialização do conhecimento, da informação e da leitura para que a sociedade possa ampliar seus horizontes, pois a informação e a leitura são consideradas como bem sociais que tem como função primordial iluminar as ideias, abrir as mentes, dirimir dúvidas para que a tomada de decisões possa refletir uma visão racional. Conhecimento, leitura e informação são vistos como determinantes na melhoria da qualidade de vida das populações, dada a sua capacidade de agregar valores e oportunizar ao indivíduo condições de criar produtos e serviços e transformar a realidade em que vive e assim ampliar sua capacidade de intervenção.

Neste contexto, o bibliotecário se insere como o profissional qualificado para exercer a função, não apenas de guardião do conhecimento, responsabilidade que lhe é distintiva desde tempos imemoriais e que graças a essa responsabilidade foi possível preservar o conhecimento produzido pela humanidade ao longo dos séculos.

A partir de meados do Século XX, quando a profissão de bibliotecário foi regulamentada em 1962, com mais de meio século de regulamentação, este profissional passou por profundas alterações na sua formação, contribuindo para reestruturação do seu perfil e práticas profissionais. Tais mudanças refletem as exigências da sociedade por informação e serviços neste campo, dada às necessidades cada vez mais prementes que os indivíduos têm de intervir nos processos de mudanças nas estruturas sociais no país. Desse modo, a inserção do bibliotecário na formação cidadã tem sido fundamental para que o conhecimento, a leitura e a informação sejam socializados, democratizados.

A busca por aperfeiçoamento e conhecimento tem sido uma constante entre os bibliotecários que desejam fazer a diferença na ação bibliotecária, para exercer o papel de sujeito da informação, ou seja, aquele que é capaz de transformar os lugares mofados e inacessíveis em que se encontram muitas bibliotecas e arquivos, em espaços dinâmicos de informação, leitura e memória, capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas e transformar as escolas e as bibliotecas em lugares lúdicos e de inclusão social.

A formação humanística do bibliotecário lhe atribui esta capacidade. Para isso, o profissional bibliotecário precisa ser reconhecido e valorizado. Urge, portanto, que o estado e os municípios maranhenses incluam os bibliotecários em seus planos e projetos de educação, cultura e desenvolvimento, para que esses profissionais possam contribuir para mudar a realidade do estado do Maranhão que ainda apresenta indicadores tão aviltantes.

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