4
Compartilhamentos
Redefinição de Impressão Google+

Novelas, animações, filmes, seriados e tudo que há de bom foram os ingredientes escolhidos para criar as plataformas perfeitas, mas a mídia, acidentalmente (ou não) acrescentou um ingrediente extra na mistura: o elemento gênero. E assim “nasceram” as discussões sobre este tema seja na internet, nas escolas, nas praças, nos bares, nos ônibus etc.

Neste contexto, a sociedade começou a virar seus olhos para a população queer, talvez por questões econômicas, talvez por esclarecimento da existência da diversidade, o que ainda não podemos afirmar com precisão. Mas a questão que venho trazer é: será que mesmo sendo o bibliotecário um agente social, os profissionais tem tido facilidade em abordar essa temática nas bibliotecas escolares?

A biblioteca tem como dever armazenar, recuperar e disseminar informação, apoiar o desenvolvimento tecnológico e cultural. Entretanto, quando tratamos sobretudo de cultura, precisamos compreender que a cultura é mutável e ela é um reflexo da sociedade. A nossa sociedade é influenciada diretamente pela mídia e o assunto que temos em pauta são as questões de gênero e sexualidades. Não que essas questões não existissem antes do século XXI, antes da mesma ser abordada nas telas de televisão e cinema.

Muito antes disso, Simone de Beauvoir, em meados de 1980, já discutia a temática. O que temos agora é um bombardeamento de informações por todos os lados acerca das questões de gênero e sexualidades, sobretudo nos adolescentes, e os mesmos parecem confusos e perdidos quanto ao que acreditar, e cabe aos bibliotecários, sim a você, e a todos os nossos colegas de profissão, se aprofundar nessa “nova” demanda dos nossos usuários para se poder orientá-los quanto à temática.

Quem trabalha em biblioteca escolar tem um contato diário com adolescentes, estudantes que estão entrando na puberdade, começando a conhecer suas possibilidades como indivíduos e iniciando o processo de compreensão de como a sociedade os classifica, cataloga e indexa, os colocando na estante dos homens ou mulheres, do masculino ou do feminino.

Entretanto, essa seção é muito mais ampla e com muito mais classificações que a nossa CDD (Classificação Decimal de Dewey) poderia imaginar em sua amplitude. E se nós, que somos intitulados como “profissionais da informação”, não estivermos dispostos a deixar de lado um pouco o tecnicismo profissional para nos aprofundarmos na diversidade, buscando fontes e muitas vezes produzindo conteúdos sobre gênero e sexualidades, talvez os estudantes não consigam navegar nesse mar de informações que transbordam as fake News espalhadas por toda a Web.

Quando damos o pontapé inicial na temática gênero e sexualidade, podemos nos deparar com algumas surpresas em nosso próprio acervo. Há pouco tempo, quando assumi uma das bibliotecas do Instituto Federal do Acre, durante o processo de familiarização com o acervo, me deparei com alguns títulos que trabalhavam a temática, direta e indiretamente, o que era de certa forma um alivio, pois havia a proposta de encabeçar um evento para discutir questões de gênero na unidade para os alunos do curso médio integrado. Mas, ao abrir um dos livros me deparei com uma discrição um tanto quanto errônea.

“Cartilha violência sexual contra meninos e meninas” , de Perpétua Almeida (Brasilia-DF.2011).

O livro em questão tratava a temática de violência sexual e exploração sexual. Quando olhamos como um todo, dentro de um contexto, o texto mantém uma coerência. Entretanto, se retirarmos apenas esta parte, a mesma pode ser interpretada como uma naturalização da violência sexual a meninas tal como uma aceitação por parte da sociedade quanto à misoginia.

Dentre esses motivos, se faz necessário a solicitação de treinamentos e constantes atualizações por parte dos profissionais acerca das temáticas da diversidade, assim como dos temas que vem sendo debatidos nas redes sociais, como, por exemplo: política, violência militar, legalização de drogas, porte de armas, dentre outros. Nesse processo de desmistificação e aprendizado, é importante manter uma fonte confiável de informações de âmbito internacional, nacional e regional para se abordar o assunto com exemplos para melhor assimilação dos discentes.

É inegável o nosso papel como profissionais da informação, porém é necessário ampliarmos nosso olhar quanto as necessidades de nossos usuários para produzir sentido e manter o aspecto de biblioteconomia social dentro das instituições de ensino. Segundo Catia Lindemann (2016) diz “a biblioteca tem um grande papel social”, sendo que esta “possibilita as condições de acesso à informação, devendo oferecer instrumentos adequados que atendam às necessidades dos leitores, partindo sempre do principio de que estes sim são o bem maior de toda e qualquer unidade de informação”.

Cursos online de qualificação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Acesse!

Comentários

Comentários

Postagem anterior

O abandono dos lugares de cultura em São Gonçalo, Rj

Próximo post

Salão Internacional do Livro no Rio de Janeiro começa hoje, 28