0
Compartilhamentos
Redefinição de Impressão Google+

Sou bibliotecária, mas esta é minha segunda formação. A primeira foi em Química. Nunca abandonei esta! Mas como sempre me perguntam, respondo que foi a Química quem me abandonou. Nunca fiquei magoada. Adoro Química e trabalhar com informação na área que gosto é um privilégio. Como disse Valéria Aparecida Bari [UFS] Coordenadora e Relatora da sala no XXIV CBBD (ocorrido de 07 a 10 de agosto em Maceió, Alagoas e onde apresentei esta história da aula como trabalho): “Serendipity!”.

Eu estava já há dois anos e meio sozinha na biblioteca onde trabalho. Eu e mais uma auxiliar de bibliotecas! Mesmo assim, para mim era fácil indexar e classificar aqueles itens que chegavam ao nosso acervo. Só era muito trabalho para uma bibliotecária só. No concurso que a UFRJ realizou em 2008, recebi duas bibliotecárias. Ainda tínhamos muito trabalho pela frente, mas andaria mais rápido.

A biblioteca do IQ/UFRJ é especializada na área de Química, mas Epistemologia, Física, Matemática, e Engenharia Química, História da Química e História das Ciências também são assuntos que compõe o acervo, como áreas de apóio. Temos também livros de Didática, Ensino de Ciências, Ensino de Química e livros de Química de nível médio, já que o Instituto de Química oferece cursos de Licenciatura em Química e de especialização em Ensino de Química.

O pontapé inicial

O pontapé inicial para a ideia da aula foi uma classificação de um livro de um professor do IQ/UFRJ: Cinética Enzimática de Gerson Ferreira Pinto, que ele escreveu com outro autor, Reginaldo Ramos de Menezes. Este livro foi colocado na nossa Biblioteca no assunto relacionado à Físico-Química. Eu não concordei, e queria o livro em Bioquímica. Ao explicar o porquê da minha opinião, elas me pediram para preparar uma pequena aula de Química. Sabemos muito bem das condições da educação no nosso país… Uma das bibliotecárias recém chagadas me disse que nunca tinha visto nada da matéria Química no ensino médio, o que acabou me motivando ainda mais.

A aula foi dada em duas partes e preparada de forma que todos os funcionários da biblioteca participassem da aula (nesse meio tempo recebi mais um bibliotecário e outro auxiliar). Na primeira parte, todos assistiram. Usei livros de Química de nível médio para explicar conceitos da área, para que servem e suas funções em relação à sociedade. Depois foi contada uma pequena História da Química e mostrado seu objeto de estudo: a Matéria. Depois expus sobre a constituição da matéria, o que preparou o estudo para a divisão da Química nas suas determinadas subáreas.

As Categorias Fundamentais de Ranganathan e os conceitos da Química

Na segunda parte, somente os bibliotecários assistiram, pois relacionei os conceitos da Química com as Categorias Fundamentais de Ranganathan, o PMEST. Ranganathan pensou estas categorias como “as mais genéricas possíveis e passíveis de se manifestarem de diversas formas, capazes de hospedar todos os objetos da natureza até então conhecidos pelo Homem, e de classificá-los de acordo com sua natureza conceitual, cada um numa e somente numa categoria”, como relata Hagar Espanha Gomes. Das 5 categorias, usei as 3 primeiras: Personalidade, Matéria e Energia para explicar como priorizar os assuntos nos itens classificados, ou seja: Energia são todos os processos e fenômenos que ocorrem na Química, em laboratórios ou na natureza; Matéria é o objeto de estudo da Química: os átomos, os elementos químicos, as substâncias, as soluções e amostras laboratoriais e equipamentos e Personalidade é a própria Química, suas grandes subdivisões e que também se refletem na divisão dos Departamentos do Instituto, tais como Química Inorgânica, Orgânica, Analítica, as áreas interdisciplinares Físico-Química e Bioquímica, que também são Departamentos e as outras áreas do conhecimento complementares à Química (que são outras Unidades da UFRJ, como o Instituto de Física, Instituto de Matemática, Escola de Química, etc).

A explicação para a classificação do livro que deu origem a aula é que pelo seu título: Cinética Enzimática – “Cinética” é um processo físico-químico (Energia) e “Enzimática” é um adjetivo proveniente de Enzima, que é uma substância (Matéria) estudada em Bioquímica. No PMEST, Matéria vem antes de Energia, então o livro deveria ser colocado nas estantes na parte sobre Bioquímica. O resultado foi que os novos bibliotecários adoraram a aula. Agora pretendo fazer dela um primeiro treinamento para todos os funcionários novos que chegarem a nossa biblioteca e não forem da área, ideia que inclusive já apresentei no XXIV CBBD.

Cursos online de qualificação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Acesse!

Comentários

Comentários

Postagem anterior

Arte de palha

Próximo post

Melhor TCC de Biblioteconomia do Brasil‏

3 Comentários

  1. Eliana Taborda Garcia Santos
    2 de setembro de 2011 a 15:45 — Responder

    Cara Heloisa,
    Fiquei super feliz ao ler sobre a sua iniciativa. Trabalhei durante 25 anos no Instituto de Química, como bibliotecária do Projeto Xistoquímica, e acho que seria super importante que você ampliasse as suas aulas aos bibliotecários do Instituto de Macromoléculas, da Escola de Química, do Instituto de Física e, também, do Projeto Xistoquímica. Todos iriam se beneficiar muito de suas aulas. Abraços e Parabéns!!!

    • Heloisa
      2 de setembro de 2011 a 20:33 — Responder

      Eu gostaria muito. Estou disponível para as Aulas. Obrigada!

  2. Erica Resende
    3 de setembro de 2011 a 0:32 — Responder

    Olá Heloisa,
    Excelente trabalho realizado. Temos os instrumentos e precisamos adaptá-los as necessidades de cada ambiente onde estamos. Adorei a ideia de usar o PMEST na indexação. PARABÉNS!!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *