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A tentativa de salvar o maior número possível de itens da Biblioteca Setorial de Ciências Sociais e Humanidades levará, a partir desta quarta-feira, a uma medida extrema para eliminar os fungos que se proliferam com a umidade: congelar parte do acervo afetado a -20ºC por um período de 15 dias.

Um contêiner refrigerado destinado a receber um número ainda incerto de livros deveria chegar ao campus ainda na noite dessa terça, e a transferência dos exemplares está prevista para ocorrer pela manhã desta quarta-feira.

O congelamento se presta a dois fins: matar os fungos nos livros já atingidos por eles e evitar que se proliferem nas obras que não poderão ser secadas no tempo devido ao grande número de livros a recuperar.

Mesmo assim, segundo a bibliotecária-chefe Karen Ribeiro de Freitas Irizara, até 1% do acervo  (1,8 mil de 188 mil títulos) corre risco de ficar inutilizado. São exemplares que não há como recuperar ou cujo custo de restauração supera o valor de nova edição.

– Os livros de papel cuchê, por exemplo, depois que grudam as páginas não desgrudam mais. Em outros casos, o custo para restaurar é mais elevado do que comprar novo. Nesse caso, vale a pena recuperar os livros realmente muito importantes – explica Karen.

Após o incidente (um cano rompeu provocando o vazamento que prejudicou os livros), a UFRGS informou que vai reavaliar a situação de instalações hidráulicas localizadas sobre áreas sensíveis a alagamentos como bibliotecas.

Ao todo, cerca de 18 mil exemplares foram atingidos pela água que vazou de um cano estourado no andar de cima da biblioteca. A água destinada a abastecer um bebedouro se alastrou pelo segundo piso, se infiltrou para o andar de baixo e pingou do teto sobre as prateleiras de livros em diferentes pontos.

A área mais afetada foi a chamada Coleção Especial, que reúne itens raros como uma série de obras do filósofo Voltaire (1694-1778) em francês. A biblioteca atende principalmente a alunos das áreas de Letras e de Filosofia e Ciências Humanas.

Em uma data ainda não determinada, todo o acervo será removido do local para permitir uma reforma geral – que deverá incluir melhorias no piso, substituição de luminárias, mobiliário, entre outras medidas. Até o início das aulas, marcado para 24 de fevereiro, os livros já deverão estar divididos em duas bibliotecas provisórias: uma localizada na faculdade de Letras, e outra (reunindo os títulos de Filosofia e Ciências Humanas) na área do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados. Por enquanto, o funcionamento é limitado

– É possível que por alguns dias, durante a transferência do acervo, não seja possível requisitar livros. Mas a intenção é fazer tudo rapidamente – esclarece Karen.

Nesta terça, a biblioteca em nada lembrava o local normalmente silencioso e sossegado de um ambiente de leitura. Com máscaras sobre o rosto para evitar a contaminação pelos fungos, 15 funcionários, sete bolsistas e 11 servidores de outras unidades da UFRGS ajudavam a separar, secar, empilhar e encaixotar milhares de títulos encharcados.

UFRGS admite rever instalações hidráulicas

Oficialmente, a UFRGS trata o vazamento de água que danificou estimados 10% do acervo de sua maior biblioteca como uma “fatalidade” provocada pela combinação do estouro de um cano com o período em que ele ocorreu: durante o recesso de Ano-Novo, quando não havia servidores na instituição.

Na prática, porém, a Superintendência de Infraestrutura da instituição admite que foi encaminhada uma orientação às três prefeituras que respondem por serviços de conservação e manutenção da universidade para que toda instalação hidráulica localizada em área de risco – como no andar de cima de bibliotecas, por exemplo – seja reavaliada.

– Houve a fatalidade de o vazamento ter ocorrido em um período sem ninguém na universidade. Mas a gente aprende com a experiência – afirma o vice-superintendente de Infraestrutura, atualmente no exercício da superintendência, Edy Isaías Júnior.

Esse aprendizado deverá levar a ações de prevenção até então não adotadas. A canalização localizada sobre a biblioteca atingida será definitivamente removida, por exemplo.

– Vamos ver a situação em outras áreas, outras bibliotecas, e repensar essas instalações – afirma Isaías Júnior.

Segundo o vice-superintendente, isso não havia sido feito antes porque esse tipo de ocorrência era considerada “praticamente impossível”. A diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Soraya Vargas, afirma que há um projeto de criar uma biblioteca geral para o Campus do Vale. Porém, como é uma iniciativa que deve levar alguns anos, a solução temporária será reformar a atual sede.

Publicado originalmente no Jornal Zero Hora

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