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De oito a cinco ganham os planos de governo que não citam as bibliotecas. Esse é o resultado da análise dos planos dos principais candidatos à presidência da República em 2018. Dos treze apresentados, oito, não mencionam a biblioteca (Alvaro Dias, Eymael, Geraldo Alckmin, Henrique Meireles, Jair Bolsonaro, João Amoêdo, João Goulart Filho e Vera). Os outros candidatos (Cabo Daciolo, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, Lula e Marina Silva) apresentam a biblioteca de modo um tanto quanto estereotipada e sem aprofundamento nas propostas.

Os cinco candidatos que citam a biblioteca de alguma maneira tratam o tema a partir de percepções diferentes, mas dentro da dimensão social. Cabo Daciolo enfatiza a falta de bibliotecas em escolas públicas. Ciro tenta relacionar a biblioteca como um espaço de armazenamento e disseminação de informação, promovendo o acesso à informação e leitura. Guilherme Boulos cita a biblioteca como um espaço de ponto de cultura digital, através de instalações de redes wi-fi nesse ambiente, ao mesmo momento em que a insere na categoria de lazer.

Lula, por sua vez, informa que criará mais bibliotecas, mas não se aprofunda, deixando muito raso o diálogo, informando que pretende investir em programas de leitura e na Biblioteca Nacional, por reconhecer seu valor social, cultural e memorialístico para a nação brasileira. Marina Silva pretende investir em infraestruturas adequadas para as bibliotecas e efetivar a sua funcionalidade, delimitando a importância do espaço enquanto armazenadora da memória do povo.

Ao me referir aos planos de governo no tocante às bibliotecas na concepção de estereótipo, verifico que os candidatos à presidência deixam a desejar na exploração deste espaço enquanto ambiente de promoção à cultura e não apenas armazenadora da informação, ou como depósito de livros (uma ideia arraigada às características da biblioteca na Idade Antiga, como espaço depositário de livros), tendo em vista que a biblioteca é um local dinâmico, sobretudo nos tempos atuais, mesmo com todas as dificuldades que nela pode aparecer.

Nesse sentido, pretendo traçar, de modo breve, os principais destaques ou, em algumas situações, as citações de trechos do plano na qual os candidatos descrevem as bibliotecas. É importante salientar que as bibliotecas são tratadas de característica escolar em alguns casos e, em outros, pressupõe-se a biblioteca pública como espaço de lazer e armazenadora da memória, mesmo os candidatos não explicitando detalhadamente os processos, como por exemplo, de mecanismos que possibilitem a preservação da memória sem perdê-la.

Treze candidatos disputam a presidência em 2018 | Foto: Montagem sobre fotos dos candidatos a presidência

Álvaro Dias (PODEMOS)

“Plano de metas 19+1: pela refundação da república”, de autoria de Alvaro Dias, não consta a palavra biblioteca na sua proposta de governo.

Cabo Daciolo (PATRIOTA)

O candidato Cabo Daciolo reforça, através de porcentagens e procedimentos quantitativos, as 144.726 escolas públicas no país que, segundo o plano do candidato, respaldado pelo Censo Escolar de 2017, elaborado pelo Ministério da Educação, apenas 36% (52.101 escolas) possuem bibliotecas. O candidato ressalta que irá aumentar o repasse de recursos aos estados e municípios para que esses índices sejam ampliados, aumentando o número de bibliotecas nas escolas, salas de leitura, laboratórios de informática e de ciências etc.

Ciro Gomes (PDT)

Ciro insere a biblioteca enquanto ambiente de armazenamento de objetos bibliográficos, tendo a perspectiva de ampliar o acervo das bibliotecas escolares com o fornecimento de material pedagógico sobre os grupos étnicos raciais discriminados.

Eymael (PC)

Em momento algum cita a palavra “biblioteca” em seu plano de governo que ressalta construir um novo e melhor Brasil.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Geraldo Alckmin parece não dar a devida importância cultural, social, educacional e de memória das bibliotecas no Brasil. O candidato não mencionando em nenhuma das suas nove páginas o termo “biblioteca” em seu plano de governo.

Guilherme Boulos (PSOL)

Boulos ressalta que o seu objetivo é “apresentar uma nova esperança para o Brasil, um projeto de país e de nação soberana […] revertendo o caos atual de aprofundamento das desigualdades sociais […]”. O candidato cita a biblioteca em duas seções diferentes: uma relacionada ao provimento de internet, garantindo acesso à rede mundial de computadores não só em escolas como em bibliotecas, dentre outros setores, transformando-os em pontos de cultural digital, tendo como premissa inicial que o acesso à internet nestes ambientes possa estimular a construção de rede comunitária, sem fins lucrativos, na qual a população faz parte deste processo e por parte dela, baseando-se fortemente em outros países como o México. A segunda menção da biblioteca na proposta de governo de Boulos se refere aos espaços em que os jovens ocupam, transformando esses territórios através da arte e cultura. Nesse sentido, o candidato à presidência ressalta que investirá na “criação de espaços de cultura e lazer aos jovens”, citando a biblioteca como um desses ambientes, na qual devem ser um local de conveniência e descanso, com algumas infraestruturas mínimas de bebedouros, banheiros, iluminação, wi-fi etc., não amplificando a ideia da construção e manutenção das novas bibliotecas, nem se preocupando com as configurações de profissionais qualificados para ocupar este espaço, ou seja, os bibliotecários.

Henrique Meireles (MDB)

“Pacto pela confiança” é o lema do candidato à presidência Henrique Meireles, que parece não ter perspectiva nenhuma na confiança e no poder transformador das bibliotecas.

Jair Bolsonaro (PSL)

O candidato Jair Bolsonaro não cita a biblioteca em nenhuma das 81 páginas do seu programa.

João Amoêdo (NOVO)

João Amoêdo também não cita biblioteca em seu plano de governo que segue com o lema: “Mais oportunidades, menos privilégios”.

João Goulart Filho (PPL)

João Goulart Filho não insere biblioteca em seu plano de governo.

Lula (PT)*

O plano de governo de Lula inclui a biblioteca na seção que descreve sobre o governo Federal, concomitantemente aos estados e o DF, promovendo um convênio e se responsabilizando por escolas situadas em regiões de alta vulnerabilidade. Neste aspecto, o governo federal ficará sendo o responsável por reformar e ampliar as escolas, implantar internet, biblioteca e outros setores, mas não discrimina como essa criação de bibliotecas se dará na sua configuração. O programa de Lula pretende investir na consolidação de uma Política Nacional para o Livro, Leitura e Literatura e, também, no que tange à Biblioteca Nacional, o candidato à presidência da república pretende investir proporcionalmente a sua imensa importância para memória, pesquisa e acervo da cultura brasileira, ou seja, a Biblioteca Nacional deverá receber investimentos de acordo com a sua importância na conjuntura do Brasil.

Marina Silva (REDE)

Marina Silva pretende fazer investimentos em infraestrutura adequada nas bibliotecas escolares e se compromete a oferecer condições de funcionamento não apenas nas bibliotecas, mas em museus e arquivos, ao entendê-los enquanto espaço de preservação da memória do povo, valorizando os registros escritos, sonoros e visuais de tradições orais e da produção contemporânea, tendo em vista realizar tombamentos, a preservação e revitalização ambiental.

Vera (PSTU)

Vera propõe em cinco páginas um plano de governo para o Brasil, elenca 16 pontos de um programa socialista para a nação brasileira, não citando a biblioteca na sua construção de plano.

* No último dia 01 o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu negar a Luiz Inácio Lula da Silva o direito de concorrer novamente à presidência da República, com base na Lei da Ficha Limpa, que veta como candidatos condenados por corrupção em segunda instância.

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