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Imagine a seguinte situação: no auge da sua vida amorosa, comemorando quase uma década de casamento e felicidade conjugal, você descobre que seu parceiro não é, na verdade, quem dizia ser. Por conta de uma fatalidade do destino e ainda tendo que lidar com a dor da perda, você vê sua vida sendo revirada de cabeça para baixo pelos outros, já que seu grande amor mentiu esse tempo todo. Ao invés de um honrado advogado, ele era um mafioso italiano refugiado no Brasil; no lugar de uma enfermeira aguerrida da organização Médico Sem Fronteiras, a mulher dos seus sonhos ocultava o rosto de uma espiã, sabe-se lá a serviço de que governo e órgão. Até mesmo o nome, a identidade básica de um indivíduo, era falso.

É exatamente essa a agonia do protagonista de ‘A Farsa‘, o médico Jonathan Ransom, um sujeito com histórico de atuação em áreas de conflitos e enviado especial da Médicos Sem Fronteiras. Aproveitando o que pareciam ser férias, em um dia de escalada a um pico suíço tomado pela nevasca, Jonathan e sua esposa Emma acabam se colocando em perigo, o que resulta em um grave ferimento na perna da mulher. Jonathan vai procurar ajuda e quando retorna, encontra Emma desacordada e ensanguentada dentro de um buraco profundo. Com o tempo ruim e a certeza de que ninguém resistiria a uma queda daquela altura, o médico precisa lidar com a morte precoce da esposa.

No entanto, no meio do luto, Jonathan recebe um envelope desconhecido endereçado à esposa, contendo dois recibos de bagagem que apontam para uma estação de trem em outro lugar. Ao comparecer ao local e descobrir a existência de material completamente suspeito, Jonathan é atacado por dois homens e, no meio da briga, acaba matando um deles. Para piorar tudo, o médico descobre que se tratavam de dois policiais e que acabara de se tornar um fugitivo nacional. Dentro da mala da esposa, um verdadeiro aparato de espionagem. Emma Ransom estava bem longe de ser só uma dedicada enfermeira lutando pela humanidade.

É assim que o escritor norte-americano nascido em Tóquio, Christopher Reich, envolve o leitor do começo ao fim em “A Farsa” (original Rules of Deception, editora Sextante, 2008, pág. 336), thriller de espionagem fantástico! O livro envolve assuntos decisivos para o destino da humanidade (ainda que sejamos compelidos pela nossa querida imprensa mundial a não pensar sobre eles), como armas nucleares, terrorismo, manipulação ilegal de urânio – elemento químico utilizado na fabricação de bombas termonucleares, de forte poder destrutivo -, além de tentativas de destruição em massa.

Ao passo em que acompanha as dúvidas e perigos que esmagam Jonathan acerca da verdadeira personalidade de sua esposa, o leitor vai descobrir mais sobre explosivos, aviões e equipamentos de guerra, como o avião teleguiado (drone), conhecido também como veículo aéreo não tripulado. Esse tipo de avião possui sofisticado sistema de vigilância e mísseis de primeira potência, sem contar que é dirigido por controle remoto, pois o piloto o guia de dentro de uma cabine externa, monitorando-o como se fosse um video game, completamente seguro e distante do alvo. Os ataques, entretanto, são letais.

Particularmente, ‘A Farsa‘ só fez nossa paixão por thriller de suspense e espionagem aumentar ainda mais! O enredo é bem construído, existem histórias paralelas muito interessantes, como a do chefe de operações especiais da polícia suíça, Marcus Von Daniken, que perdeu a mulher grávida e uma filha em um acidente aéreo, e a do assassino profissional contratado para eliminar alguns dos envolvidos na trama. Vale destacar que Christopher Reich poderia ter aprofundado ainda mais a personagem do assassino, já que a personalidade do homem foi moldada em cima de uma tragédia pessoal sem proporções.

No mais, a obra traz a correria de agentes da segurança nacional da pacata Suíça para evitar uma catástrofe, já que o plano do grupo terrorista é explodir um avião de carreira com lotação próxima a quase 1.000 pessoas (ou mais, se não nos falha a memória). O ataque tem como motivação desencadear uma guerra civil entre Israel e Irã, o que acabaria englobando outros países com interesses em cada uma das partes, como EUA e China. E o assunto não poderia ser mais atual, já que o mundo continua acompanhando, não sem perplexidade, notícias sobre escândalos de espionagem e controle promovidos pelo governo dos Estados Unidos, aliado de Israel, e as demonstrações públicas de desafeto demonstradas pela China e Irã contra a casa do Tim Sam e contra o maior santuário cristão do mundo, respectivamente.

O ex-banqueiro Christopher Reich é autor de outros títulos de espionagem e tem angariado cada vez mais reconhecimento. O livro ‘A Farsa‘, por exemplo, ficou entre os mais vendidos na lista do The New York Times, e teve os direitos adquiridos pela Paramount Pictures, ou seja, em um piscar de olhos vamos conferir uma adaptação para as telonas.

Para quem acha que borboletas coloridas são trabalho de fadinhas artesãs, a leitura de ‘A Farsa‘ vai criar um verdadeiro trauma. Aceite o risco.

Mara Vanessa Torres - A Farsa - imagem1Título: A farsa

Autor: Christopher Reich

Editora: Arqueiro

ISBN: 9788599296417

Ano: 2009

Páginas: 336

Tradutor: Fernanda Abreu

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