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Ao longo dos tempos a necessidade de informação e conhecimento levou o ser humano a criar formas de produzi-los a partir de diferentes recursos e suportes: das tabuinhas enceradas, aos papiros, até o descobrimento do papel a humanidade criou estratégias, as mais diversas, para registrar sua presença, ao mesmo tempo em que buscava compreender as complexidades do mundo em descobrimento.

O aparecimento dos documentos impressos é uma consequência decorrente desta necessidade e com eles se expande as ideias e as descobertas que cada povo ia desvendando buscando de um lado, melhorar suas condições de sobrevivência e de outro, alargar suas fronteiras em busca de poder através da expansão de seus domínios territoriais.

Nos documentos primeiros, os homens e as mulheres registraram sua passagem e seus modos de vida, sua cultura e religião, registraram a evolução da ciência seus avanços e desafios. Esses documentos são a marca da história antiga, medieval, moderna, e contemporânea.

Sem os documentos preservados, guardados, arquivados, sistematizados e socializados nas bibliotecas, nos arquivos, museus, centros de documentação e informação entre outros espaços de informação e conhecimento, é difícil acompanhar e perceber a passagem do ser humano em diferentes momentos da história das civilizações. Grande parte desse trabalho de preservação foi resultado do trabalho do bibliotecário e, antes deles, os copistas que foram responsáveis pela reprodução de manuscritos em diferentes localidades.

Ao longo do período medieval, a tarefa de escrever os livros era rústica, demorada e impregnada de caráter religioso. Com a descoberta da prensa os processos rudimentares foram sendo superados e o livro passou a ser editado em pequenas escalas que favoreceu maior circulação.

É da necessidade de registrar, preservar, e democratizar  o conhecimento e a informação que emerge o trabalho do profissional bibliotecário que ao longo da construção da história da humanidade tem sido partícipe da luta ininterrupta de preservar e democratizar conhecimentos buscando tornar a humanidade mais racional e consciente na medida em que se apropria de saberes iluminadas pela sensatez do conhecimento e desfazem crenças, mitos, tabus para poder assim tomar decisões mais articuladas com as necessidades da sociedade.

A dimensão e importância do trabalho do bibliotecário pode ser avaliada pela sua capacidade de criar mecanismos de busca, de controle, de registros, de sistematização e de democratização da informação e da ciência facilitando o acesso da humanidade em qualquer localidade.

A ciência e a informação tem se tornado a cada momento um canal que possibilita a geração de formas de construção de liberdade de agir e formas cada vez mais inovadoras de emancipação do ser humano. A importância desse profissional é, portanto, um reflexo das sociedades democratizadas que têm na informação um canal de efetiva mudança de paradigma.

O que se observa, porém, é que a sociedade ainda não reconhece o profissional bibliotecário como parte dos processos de mudança social. A invisibilidade de sua presença em grande parte das instituições contribui para que a ciência e o conhecimento não cumpra sua função de libertar o ser humano das crenças e dos modelos que o confinaram durante muito tempo ao obscurantismo e ainda hoje ao, aos fundamentalismos, ao patriarcalismo e ao conservadorismo que impedem a sociedade de criar formas de convivência que primem por relações igualitárias.

No atual contexto do Brasil onde as fakes News proliferam nas redes sociais e grupos que se comunicam apenas através dos Whatsapp, urge pensar a sociedade e os retrocessos que estamos vivenciando, buscando construir alternativas que possam refletir a onda conservadora que se abateu sobre o Brasil, culminando com a vitória da candidatura de Jair Bolsonaro.

O impacto dos resultados das eleições de 2018 ainda surpreende grande parte da sociedade brasileira, haja vista as declarações do atual presidente que para muitos não passava de brincadeira, largamente veiculadas na imprensa e nas redes sociais. Hoje se percebe que estas declarações, que extrapolam a homofobia e machismo, fazem parte do seu discurso público.

Suas declarações prenunciavam injustiças e desigualdades sociais nunca vistos no Brasil. O discurso privatista, a tentativa de aprovar a Reforma da Previdência, o anúncio de privatização das universidades e a série de propostas anunciadas para a educação indicam a real intenção deste governo.

Ao pensar o papel dos bibliotecários neste contexto de profundos retrocessos, de perdas de direitos e de clima de total insegurança para alguns segmentos, como as mulheres e os negros, considero que é um papel relevante, haja vista seu conhecimento no tratamento e disseminação da informação.

Considero que ao abraçar a profissão de bibliotecário assumimos o compromisso de socializar a informação e o conhecimento com responsabilidade de manter a sociedade informada a fim de contribuir para a formação do pensamento crítico. Desse modo cabe a nós bibliotecários criar canais de socialização de informações para se contrapor ao establishment forjado pela elite que domina e controla a riqueza desta nação.

Podemos fazer isso de várias maneiras: escrevendo pequenos textos, fazendo pequenos comentários, criando blogs, ou simplesmente socializarndo informações que se contraponham as matérias tendenciosas veiculadas pela imprensa, em redes sociais e em vários grupos.

O reconhecimento do trabalho do bibliotecário passa pela interferência deste profissional no espaço público, além, é claro, de sua presença nas organizações sociais, apontando saídas para a sociedade naquilo que sabemos fazer com profundidade e competência: organizar, sistematizar e socializar e informações.

Se juntarmos a esse conhecimento uma dose maior de ousadia e começarmos a falar da importância da informação para abrir olhos, ouvidos e bocas, certamente estaremos cumprindo nossa função social e política. Isso depende única e exclusivamente da vontade de cada um de dar este primeiro passo.

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